Maradona completaria 65 anos: o gênio eterno que transformou o futebol em arte

Mesmo cinco anos após sua morte, a figura de Maradona continua viva, intensa e contraditória, como sempre foi em campo e fora dele.

MARADONA
Maradona faria 65 anos nesta quinta

São Paulo, SP, 30 – Há exatos 65 anos, nascia em Villa Fiorito, bairro humilde de Buenos Aires, um garoto que mudaria para sempre a forma de se jogar — e de se sentir — o futebol. Diego Armando Maradona, que nos deixou em novembro de 2020, completaria nesta quinta-feira, 30 de outubro de 2025, mais um aniversário. Mesmo cinco anos após sua morte, a figura de Maradona continua viva, intensa e contraditória, como sempre foi em campo e fora dele.

Filho de uma família simples, Diego cresceu jogando descalço nas ruas de barro e logo chamou atenção pela habilidade fora do comum. Estreou profissionalmente no Argentinos Juniors ainda adolescente, antes de brilhar no Boca Juniors, clube que o consagraria como ídolo popular e símbolo de resistência do povo argentino. Com a camisa azul e amarela, o menino da periferia tornou-se um herói nacional.

Seu auge técnico e emocional veio no Mundial do México, em 1986, quando comandou a Argentina rumo ao título mundial. Naquele torneio, o mundo viu o Maradona completo: genial, provocador, humano. A vitória sobre a Inglaterra, marcada pelos dois gols mais emblemáticos de sua carreira — a “mão de Deus” e o drible de campo inteiro — cristalizou a mistura entre talento e rebeldia que o transformou em mito.

No Napoli, Maradona fez o improvável: levou um time do sul da Itália, historicamente marginalizado, ao topo do futebol europeu. Ganhou títulos, respeito e um amor quase religioso da cidade. Até hoje, murais com sua imagem enfeitam Nápoles, e o Estádio San Paolo foi rebatizado com o nome do ídolo após sua morte. Nenhum outro jogador, talvez, tenha representado tanto uma cidade quanto ele.

Mas o gênio também foi trágico. Entre vícios, suspensões e problemas pessoais, Maradona viveu em constante conflito consigo mesmo — e foi justamente essa imperfeição que o tornou mais humano e, paradoxalmente, mais divino. A idolatria ao “D10S” ultrapassou gerações e fronteiras, transformando o futebol em uma espécie de religião popular.

Em 2025, o mundo ainda sente falta de sua voz, de seu gesto, de sua imprevisibilidade. Maradona já não está entre nós, mas segue em cada drible ousado, em cada arquibancada apaixonada e em cada menino que sonha em mudar sua vida com uma bola nos pés. Porque o tempo pode levar o homem, mas o mito de Diego será sempre eterno.


Homenagens ao eterno camisa 10

O perfil oficial da seleção argentina publicou um vídeo com lances de Maradona pela equipe nacional, incluindo a conquista da Copa do Mundo de 1986.
“Diego, hoje você faria 65 anos, e seus aportes à Argentina são incalculáveis”, diz o texto que acompanha a postagem.

O Boca Juniors, clube do coração de Maradona, também recordou o ídolo com imagens nas redes sociais. Pelo time da Bombonera, o camisa 10 conquistou o Metropolitano de 1981, seu único título no futebol local.
“Feliz aniversário, Pelu. Obrigado por ser Bostero”, escreveu o Boca.

Em Nápoles, uma estátua de Maradona foi colocada sobre um carro e percorreu as ruas da cidade em forma de tributo. Vestido com a camisa do Napoli, Diego foi bicampeão italiano e conquistou ainda uma Copa da Uefa, feitos que o eternizaram como símbolo napolitano.
“Passam os anos, a lenda permanece”, publicou o clube italiano.

Outros clubes que fizeram parte da trajetória do craque — como Argentinos Juniors, Sevilla e Newell’s Old Boys — também prestaram homenagens nesta quinta-feira, reforçando o quanto o legado de Maradona continua atravessando gerações e fronteiras.