Malhando em ferro frio... Kaká, Alex...
É triste o que se vê hoje no futebol brasileiro, e que não nos deixa esquecer um certo 7 a 1 na Copa
O Cruzeiro nadando de braçada e o restante dos times jogando peladas renhidas, agora em grandes arenas construídas para a Copa do Mundo.
De volta às vacas magras do nosso pobre e irritante futebol brasileiro, o campeonato nacional parece uma continuação do ano passado. O Cruzeiro nadando de braçada e o restante dos times jogando peladas renhidas, agora em grandes arenas construídas para a Copa do Mundo.
Nos dois grandes clássicos do domingo se viu muito pouco futebol. Houve a intensidade e rivalidade dos clássicos. Mas a qualidade técnica foi sofrível. Com Luxemburgo (lembram dele? Pois é… Ele voltou! Assim como Dunga, aparece como novidade, salvador da pátria – neste caso, rubro-negra) no banco de reservas, o apanhadão do Flamengo fez pro gasto e derrotou por magro 1 a 0 o Botafogo, de salários atrasados e o imortal Carlos Alberto, o maior “deja-vu” do futebol dos últimos tempos.
No Itaquerão, o Corinthians pragmático de Mano Menezes (será que é pleonasmo?) precisou suar sangue para derrotar a eterna equipe em formação do Palmeiras, agora dirigido pelo Careqa mais cabeludo da história. Para se ter uma ideia da pelada, o primeiro chute a gol do Timão aconteceu somente aos 41 minutos do primeiro tempo. Destaque para Elias, que fez um partidaço. Quanto ao Palmeiras, nem chegou a assustar. Mas não tem assustado ninguém há mais de três anos. Pobre torcedor alviverde, careca de saber que vai continuar sofrendo, agora em ritmo de tango.

O único jogo do domingo que valeu o ingresso aconteceu no sul, entre um combalido Grêmio e um combalido Coritiba. Por várias razões. Apesar de não ser um primor técnico, o jogo teve cinco gols, duas viradas, dois gols de Barcos (ressuscitando para a torcida), dois gols de Zé Love (que também não tinha marcado no Brasileirão) e uma apresentação de gala do incansável Alex, um dos únicos jogadores que merecem vestir a camisa 10 no atual futebol brasileiro. E tudo isso em apenas 45 minutos.
Alex frequenta a seleta lista dos jogadores que pensam futebol. Aqueles que ainda possuem um toque refinado, uma visão de jogo diferenciada, um olho na nuca, a perspicácia de um enxadrista. Não precisa ficar desembestando feito vaca louca pelo gramado. A bola corre. O jogador pensa e faz e bola correr. É do mesmo time de Paulo Henrique Ganso, Zé Roberto, Ronaldo Gaúcho e de Kaká, de quem continuo fã, apesar dos pesares. Jogadores que lembram Zenon, Dicá, Ademir da Guia, Djalminha. Já tivemos muitos. Hoje são raros. Caras que desfilam em campo e elevam o futebol ao padrão da arte, diferenciando-o de uma pelada em campinho de fazenda.

O São Paulo foi derrotado pelo Goiás. Mas Kaká deu o recado. Sem jogar desde maio, já não tão jovem, foi o melhor em campo e ainda fez gol. Que sirva de exemplo para o restante do time. Como ele mesmo disse ao final do jogo, “futebol é coletivo”, querendo dizer “não vou dar conta sozinho. Preciso de ajuda”.
Fica a reflexão: o que foi feito do nosso futebol? Em que conta bancária estão enterrados os nossos jovens talentos? O fato é que vamos viver de nostalgia e saudade de um tempo em que éramos os donos da bola. Agora, parece que vamos ter que nos contentar em assistir peladas e colecionar micos internacionais. Triste!





































































































































