Luxa subestimava até a capacidade de observação dos repórteres
Luxa subestimava até a capacidade de observação dos repórteres
Luxa subestimava até a capacidade de observação dos repórteres

Tem repórter esportivo que nunca trabalhou com o treinador Vanderlei Luxemburgo, que desconhece a metodologia colocada em prática, e faz críticas à diretoria do Palmeiras por contratá-lo.
“Pra quem esperava Jorge Sampaoli como estrategista, a diretoria do Palmeiras agora mostra que não tinha sequer plano B com a escolha de Luxemburgo”, comentou um deles.
Podem falar que o profissional é prepotente – e é mesmo – que por vezes extrapola ao meter a colher em setores anexos ao seu, mas ninguém pode colocar em xeque a competência dele.
Quando o repórter em questão fizer ‘cobertura’ jornalística do Palmeiras, vai constatar, com Luxa no comando, com quantos paus se faz uma canoa.
Avesso às perguntas inócuas ou inconsequentes, a resposta do treinador geralmente é grosseira.
TEMPOS DE SANTOS
Por sinal, meu último contato com Luxa foi na estância turística de São Roque, na Região Metropolitana de Sorocaba, quando da preparação do Santos – que ele treinava – para o quadrangular decisivo do Paulistão de 1997.
O campo do derradeiro treinamento da equipe santista para enfrentar o Corinthians era aberto, e um exército de fotógrafos, cinegrafistas e repórteres lá estava para o acompanhamento.
Luxa derramou dois sacos com bola no campo e o treino técnico começou com cada boleiro fazendo embaixada.
Quinze minutos depois, o treinador se dirigiu aos profissionais da comunicação e deu recado curto e grosso: ‘Todas as câmeras viradas de costa para o campo, voltadas à rua’.
A subdivisão do treino foi de jogadas ensaiadas para cabeceio e um um rápido coletivo.
Qual a estratégia para vencer o Corinthians, do então treinador Nelsinho Baptista, tecnicamente melhor?
JOGO AÉREO
Luxa montou o time com três zagueiros, só que circunstancialmente um deles se transformava em atacante para tentativa de cabeceio até com bola rolando.
Dos zagueiros Ronaldo Marconato, Narciso e Ronaldão, os dois últimos se notabilizavam como cabeceadores.
Nos lances ofensivos de bola parada – faltas e escanteios -, além dos três zagueiros, Luxa ainda contava com o alto volante Élder e os atacantes Macedo e Careca para cabeceio.
Na ocasião, ele subestimou a capacidade de observação da ‘reportaiada’ e ensaiou jogadas na cara de todo mundo.
E ao término da preparação, comandou a entrevista coletiva de seu jeito.
“Gente, vai ser curto e grosso. Vão ser cinco minutos para rádio e televisão, e mais cinco minutos para jornais. E avisem quem for editar a matéria de som, que já vou começar a responder a suposta primeira pergunta.
E foi despistando escalação e citou que ainda pensava em algumas situações.
Claro que estranhei aquele comportamento mandão de Luxa, e ao fim da entrevistas para impressos ousei questioná-lo se poderíamos conversar.
– Ora, cadê o seu bloquinho? Não anotou nada. O tempo de tudo mundo acabou, respondeu com rispidez.
Como ele continuou andando, e eu logo atrás, respondi que tudo bem. Que iria escrever sobre a preparação tática da bola aérea ofensiva, e que lamentava não conversar como nos tempos de Ponte Preta, quando alongávamos sobre diversos assuntos.
Se comigo, com quem dialogava sobre futebol, Luxa não teve distinção naquela ocasião, com repórter mal saído do ‘cueiro’ ele dispende o mínimo de tempo possível.
TINHA RAZÃO
E pelo menos naquela antevéspera daquela derrota por 4 a 3 para o Corinthians, Luxa tinha razão. De vários jornais de São Paulo que consultei, apenas um relatou as jogadas ensaiadas. Nos demais, cegueira total dos repórteres.
Assim era Luxa, de raciocínio rápido para observar aqueles que estão sobre o seu comando e até em volta.
Desde àquela época ele já trabalhava para melhorar a condição técnica do atleta, como fazem os gringos Jorge Sampaoli e Jorge Jesus.





































































































































