Luiz Rovoiro, o melhor dos melhores
Luiz Rovoiro, o melhor dos melhores
Nos anos 60, acho que em 61, o Nelson Camargo, dono da Rádio Clube de Votuporanga, contrata Luiz Rivoiro, um jovem míope, ruivo, de voz forte e bonita, inteligentíssimo, brigador na defesa dos interesses da comunidade, e, principalmente, INOVADOR. Eu comecei com ele, mesmo o Nelson sendo contra. – “ Luiz, vamos buscar um narrador em Rio Preto. Esse turquinho é muito novo, pode não virar em nada e é bom a gente não arriscar”. O Luiz me bancou. Minha primeira transmissão foi num 13 de setembro, em Presidente Prudente, no jogo Corinthians de Prudente e Votuporanguense.
No dia seguinte, na mesma cidade que aniversariava, jogariam Prudentina e Santos, a máquina com Pelé e companhia. Durante a viagem, que durou dois dias, o Luiz foi me falando: Fauzi, não tropeçe nas palavras, não deixe buraco na transmissão e, mesmo se você errar o nome do jogador não se intimide, ninguém estará vendo o jogo em Votuporanga. Vai valer o que você falar. Falou-me muito mais. De madrugada, no quarto do hotel, o Luiz, pacientemente, reprisava todo o ensinamento sem se cansar.
Durante o jogo, numa reposição de bola do Raimundinho, não sei porque cargas dágua, eu disse: “Raimundo despeja para o centro do gramado, a bola cai com Fifi e atenção torcida, vai surgir o primeiro gol da Votuporanguense”. Sabe o que aconteceu ? O Fifi fez uma tabela diabólica com Pita ,seu companheiro de meio de campo e fuzilou. Meu grito de gol foi de um garoto muito entusiasmado com a profecia. Ali começava a minha curta trajetória no Rádio.
Trabalhei depois na Brasiliense de Ribeirão Preto, Piratininga de Votuporanga e, finalmente em Campinas, na Brasil e Cultura. Sobre essas duas emissoras vamos falar mais prá frente. Mas, voltando ao Luiz Rivoiro, confesso não ter conhecido, desculpem-me os jornalistas e radialistas leitores, um profissional tão completo, tão objetivo e de oratória inigualável.
Em 1.962, Carvalho Pinto, governador de São Paulo, foi fazer um comício em Votuporanga para apresentar o seu candidato à sua sucessão, era José Bonifácio. O Luiz, no palanque, enaltecia as qualidades do governador e falava de forma deslumbrante do candidato. Tudo o que o Luiz dizia pela Rádio Clube era retransmitido pelos “alto-falantes” espalhados pela praça da matriz. Chegando ao palanque o Professor Carvalho Pinto quís saber quem era o locutor que recitava lindas pérolas a seu respeito e ao seu candidato.
Terminadas as apresentações o governador, depois de dispensar o locutor oficial da campanha, disse-lhe: Luiz, já conversei com o Nelson (dono da Rádio Clube) e apartir desse momento você passa a ser o locutor oficial da campanha e, se vencermos a eleição, você será o porta voz oficial do governo. O vencedor foi o oposicionista, Ademar de Barros.
Numa outra campanha política, Votuporanga tinha como prefeito o Sr. Hernani de Mattos Nabuco, o melhor prefeito que a cidade já teve até os dias atuais. Esse fato o credenciava a ser eleito deputado, desde que contasse com os votos das cidades vizinhas. O Seo Nabuco, era um homem muito sério, metódico, diferente dos políticos de hoje, diretor da Nestle na região, não bebia, não fumava , era católico praticante e patriarca de uma das mais bonitas família da cidade. O Nabuco foi exemplo de homem e de político. Em Nhandeara, as autoridades locais, comprometidas com a campanha, resolveram, antes do comício a tarde na praça, fazer um churrasco em homenagem ao candidato a deputado estadual que, para não fazer feio e tão pouco para não ser considerado “chato”, tomou alguns goles de cerveja.
O Nabuco era bom orador, porém, humilde, pedia ao Luiz que escrevesse seus discursos. Ele tinha uma memória fantástica e em duas ou três lidas decorava tudo certinho e na hora “h” tudo saia perfeito, preciso e muito bonito. Só que nesse dia, em função da ingestão da bebida , pouca é verdade, o Nabuco esqueceu o discurso e disparou: Povo de Nhandeara. Minha gente de Nhandeara. Homens de Nhandeara. Quando ele foi falar Mulheres de Nhandeara, o Luiz ao perceber que tudo estava dando errado, deu-lhe um puxão e bradou : “desmaia, Nabuco, desmaia”, e o homem sentou-se numa cadeira que ali estava colocada para ser, em seguida, carregado pelos correligionários que o colocaram no carro de volta à Votuporanga.
Incontinenti, Luiz assume o microne e clama: Nabuco, esse homem fantásticamente bom, de honestidade ímpar, administrador por excelência, acostumado a fortes emoções, não aguentou as homenagens e o carinho desta querida cidade e desse povo laborioso, e por isso, sucumbiu. Esse desmaio do Nabuco… E ai o Luiz continuou por mais alguns minutos sendo calorosamente aplaudido, parecendo até que era ele o candidato. O Nabuco não foi eleito mas, depois de Votuporanga, foi em Nhandeara que ele teve a maior votação. Foi uma perda muito grande para Votuporanga como para todo o OestePaulista o seu Nabuco não ter sido eleito deputado. Coisas da vida.
Bem, prá falar a verdade, eu tenho muita saudade do Luiz Rivoiro. Hoje, 40 anos depois, o rádio atual engatinha perto daquele que ele fazia. As transmissões esportivas tinham, obrigatóriamente, de ser precisas. A mesma ênfase que se dava ao time da Votuporanguense tinha que dar ao adversário. Ordem do Rivoiro: o narrador narra, o volante informa e o comentarista, comenta. Nada de gracinhas nas transmissões.
O Luiz revelou grandes talentos, talvez , seu mais conhecido dissípulo, embora tenha partido para transmissões hilárias, em São Paulo, foi sido Osmar Santos. Porém, acredito, o que mais se aproximou, ou até tenha superado o mestre, ainda hoje em atividade, é Luiz Carlos Bordoni, radialista, jornalista, advogado e cientista político, que, em Goiânia, sem ser inconsequente e sempre na condição de justiceiro, enquadra, sempre, os desonestos, não se importanto se o cidadão é político ou seja lá o que fôr. O Bordoni , além de brilhante orador, tem conhecimento do que fáz porque se preparou para ser o que é, ou seja: o melhor.
Pelo que o Luiz Raimundo Rivoiro fez por Votuporanga merece ter seu nome dado a alguma praça esportiva ou de lazer da cidade. Não uma praça qualquer, mas uma praça grande, bonita… como grande e bonita foi a sua passagem pela vida e , principalmente, por Votuporanga que ele, carinhosamente, chamava de “Cidade Vida e Esperança”.





































































































































