Justiça tarda, mas não falha para o técnico Cuca

Enfim, torcedor do Galo mineiro solta o grito de ‘é campeão’

Nesta quinta-feira, de certo a televisão vai mostrar em detalhes o comportamento do treinador Cuca, do Atlético Mineiro, segundos antes da explosão de alegria com a conquista da Libertadores da América, no Estádio do Mineirão, já na madrugada da mesma quinta.

Cuca sofreu até que o seu time conseguisse devolver ao Olímpia a derrota por 2 a 0 sofrida no Paraguai ,e ainda havia se aborrecido com a bola rondando o gol adversário e não entrando durante a prorrogação.

Na definição através dos pênaltis o estádio quase veio abaixo quando o zagueiro Leonardo Silva converteu a quarta cobrança para o Galo, e aí o time estava a um passo do título. Só bastava o Olímpia errar mais uma cobrança.

Naquele momento, agachado à beira do gramado, Cuca permaneceu imóvel e tenso, após ter roído todas as unhas. E quando o paraguaio Giménez chutou o pênalti e a bola explodiu na trave, Cuca se jogou literalmente no gramado. E na horizontal, como se encontrava, foi ‘massacrado’ por companheiros de comissão técnica e jogadores que queriam cumprimentá-lo.

AZARADO

E quando conseguiu se levantar desabafou. “Acabou o azarado. Porra, tinha que acabar isso”.

Desculpem a reprodução do palavrão, mas o desabafo obrigatoriamente teria que ser copiado sem corte. Expressa o sentimento de um profissional extremamente capacitado, mas judiado pelos caprichos do futebol.

Felizmente prevaleceu o velho dito de que ‘a justiça tarda, mas não falha’.

Cuca montou um time buscando jogadores renegados em outros clubes e trabalhou acertadamente para que desse liga.

E mais: devolveu a essência do futebol brasileiro que é jogar pra frente em busca dos gols, sem que isso implique em deixar a sua defesa totalmente desguarnecida.

SUPERAÇÃO

Evidente que para isso tem que haver superação física dos jogadores. Prova está que o talentoso atacante Bernard humildemente aceita a incumbência de executar o vaivém ajudando na marcação, mesmo que o preço desta doação em campo seja câimbra.

Não é hora de dissertação sobre esquema tático e nem de condenar o Olímpia por incorporar a filosofia do antigo Juventus do então treinador Milton Buzetto, que abusava de descarada retranca.

É hora de parabenizar a fiel torcida atleticana que se submeteu a teste proibido para cardíaco.

O grito de ‘eu acredito’ muitas vezes saiu da boca pra fora. O medo de que tudo desse errado provocou pavor naquela mineirada, tudo devidamente flagrado pelas câmeras da TV Globo.

E quando alguma coisa está engasgada e, por fim, é possível extravasar, tudo é belo. Então, dá-lhe Galo.