Justiça suspende retirada da empresa do MorumBis em nova ação da fornecedora

A FGoal voltou a processar o São Paulo, após ter desistido de um primeiro processo.

A Justiça de São Paulo já definiu que o clube não pode retirar materiais da empresa do MorumBis.

Morumbis, estádio do São Paulo
Morumbis, estádio do São Paulo (Foto: Divulgação)

São Paulo, SP, 18 – A FGoal voltou a processar o São Paulo, após ter desistido de um primeiro processo. A Justiça de São Paulo já definiu que o clube não pode retirar materiais da empresa do MorumBis.

Procurado pela reportagem do Estadão, o São Paulo reitera que o contrato não foi restabelecido e disse que vai buscar “o direito de retirar todos os materiais da empresa que permanecem no MorumBis”.

Diferentemente da primeira ação, a FGoal não cobra uma indenização (que era de R$ 5,18 milhões). O pedido é para que seja impedida a rescisão do contrato, que era válido até 2029 para a operação de alimentos e bebidas no MorumBis. A ação foi protocolada pelo Prates Garcia Costa Advogados Associados, que passou a representar a empresa logo antes da desistência do primeiro processo.

Em decisão liminar da juíza Luciane Cristina Silva Tavares, da 3ª Vara Cível do Foro Regional do Butantã, suspendeu o prazo da rescisão, que expirava em 6 de março. Por causa da data, o São Paulo havia iniciado uma operação de retirada dos materiais da FGoal do MorumBis. No despacho, a magistrada também proíbe esse movimento no momento.

O São Paulo havia retirado itens como geladeiras, estufas, panelas e fogão por já ter uma nova parceira para a operação. Trata-se da GSH, que já trabalha no Allianz Parque e na Arena MRV. Neste momento, não há previsão de sanção para a ação do clube.

A Justiça ainda determinou que o São Paulo deve ter uma manifestação oficial em até cinco dias. O principal argumento para a suspensão da rescisão é que o clube notificou a empresa em fevereiro de 2026 com prazo de 30 dias, mas o contrato previa aviso prévio de 120 dias.

ENTENDA A BRIGA ENTRE SÃO PAULO E FGOAL

A empresa havia sido contratada para operar a venda de comida e bebida em jogos no MorumBis em 2023 e passou a atuar também no clube social em 2024. Em fevereiro deste ano, o São Paulo solicitou rescisão por justa causa após verificar descontos em repasses da FGoal ao clube.

A FGoal disse que a gestão tinha ciência do movimento e argumentou que os valores se referiam ao serviço de TI e fiscais que monitoravam se apenas as maquininhas corretas estavam sendo usadas no clube social.

Ainda antes de o São Paulo romper com a FGoal, a empresa entrou na mira da força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que investiga o clube. Um inquérito foi aberto para apurar possíveis desvios feitos na conta vinculada às maquininhas de cartão.

A FGoal existe desde 2019, mas abriu outro CNPJ quando passou a atender o São Paulo em 2023. O endereço da nova pessoa jurídica é no MorumBis. A empresa afirma que isso se deu por questões logísticas, para o recebimento de mercadoria.

Outras mudanças entre os dois CNPJs, envolvem o capital e as atividades de cada um. O primeiro, com serviços de marketing, aponta R$ 5 mil, enquanto o segundo, que passa a incluir a operação de venda de comida e bebida, tem o valor de R$ 50 mil.

A primeira ação judicial movida pela FGoal contra o São Paulo buscava evitar a rescisão, em liminar negada pela Justiça. A empresa cobrava R$ 5,18 milhões em lucros que seriam obtidos até 2029, prazo do acordo, além de danos morais e materiais.

Leonardo Catto e Rodrigo Sampaio