Jornalista lança obra sobre Come-Fogo e completa trilogia

Na sua terceira produção independente, Igor Ramos escreve sobre o dérbi de Ribeirão Preto

A história do futebol de Ribeirão Preto ganhou mais um espaço nas bibliotecas do Brasil e nas mãos dos leitores, apaixonados pelo esporte. O jornalista Igor Ramos, 40 anos, lançou no final deste mês de agosto , o livro Come-Fogo.

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Ribeirão Preto, SP, 29 (AFI) – A história do futebol de Ribeirão Preto ganhou mais um espaço nas bibliotecas do Brasil e nas mãos dos leitores, apaixonados pelo esporte. O jornalista Igor Ramos, 40 anos, lançou no final deste mês de agosto , o livro Come-Fogo- Tradição e rivalidade no interior do Brasil. Esse é seu terceiro trabalho sobre a história do futebol de Ribeirão Preto e abordou desta vez a velha rivalidade entre Comercial e Botafogo.

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O livro traz ao longo das suas 204 páginas, o resumo de todos os jogos entre os dois rivais desde os primeiros anos do século passado. Além de estatísticas, curiosidades sobre o confronto e depoimentos de ex-jogadores, os grandes personagens dessa história. E o principal: a divulgação de jogos que nunca constaram nas estatísticas do clássico, o que deve mexer com as torcidas e marcar uma nova era de discussões sobre o dérbi. O jornalista, ex-editor do jornal A Cidade e do Diário Lance, contou que o livro nasceu com o propósito de ser uma compilação de dados, como fichas técnicas e estatísticas, mas que durante as pesquisas decidiu mudar o curso da obra, ampliando o material.

“A ideia inicial do livro era apresentar uma compilação de dados com todas as fichas técnicas do clássico. Mas durante a pesquisa, nesses quase três anos, fui me deparando com os relatos das partidas e histórias interessantes sobre o Come-Fogo. Decidi então incrementar o livro, contando resumidamente cada um desses mais de 160 clássicos . E tive a felicidade de fazer algumas descobertas jornalísticas sobre o duelo em meio as minhas consultas por centenas e centenas de jornais antigos e muitos meses de dedicação”, afirmou.

O jornalista, nascido em Ribeirão Preto, completou a trilogia do futebol ribeirão-pretano, após ter escrito em 2008, Botafogo – Uma História de Amor e Glórias, o primeiro e único livro sobre a história do tricolor. Em 2011 foi a vez de Comercia – Uma Paixão Centenária.

“Durante muitos anos do meu trabalho como jornalista estive muito focado nos clubes da cidade e vi a possibilidade de me aprofundar em pesquisas para conhecer ainda mais sobre eles. Foram então surgindo os projetos dos livros, executados como produções independentes”, finalizou.

NOVIDADES E SURPRESAS
O livro promete surpresas com relação às estatíticas do clássico e curiosidades sobre as partidas. Histórias que estavam guardadas nos jornais arquivados em Ribeirão Preto e na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

No processo de pesquisa em jornais da época, me deparei com registros de três partidas que jamais haviam sido divulgadas na história de Ribeirão Preto. Uma delas de 1920, que antecede em quatro anos a data do jogo que foi considerado o primeiro entre as duas equipes. Creio que essa é uma grande contribuição para a memória do nosso futebol, pois estamos tratando de um dos principais clássicos do futebol brasileiro .

As descobertas vão além e vão despertar interesse de pesquisadores. Outro dado relevante destacado pelo jornalista foi encontrado ao ler uma por uma das crônicas dos jornais publicadas desde os anos 20.

“Na história do futebol brasileiro sabemos que o primeiro gesto de fair play (jogo limpo) que se tem conhecimento no nosso país foi protagonizado por Garrincha, em 27 de março de 1960 em um jogo entre Botafogo (RJ) e Fluminense no Maracanã. Mas pesquisado, descobri que foi em um Come-Fogo, anos antes, que tal atitude foi vista pela primeira vez por torcedores e jornalistas, o que na época causou uma grande surpresa. Coube ao goleiro argentino, Bonelli, a iniciativa de jogar a bola para fora de campo para que o botafoguense Neco, que estava caído na sua área, pudesse ser atendido por um médico. Essa e outras histórias estão nesses resumos dos jogos”, disse.

Histórias como o dia que o Botafogo saiu de campo e deixou o Comercial bater um pênalti sem goleiro e quando o Comercial fez o mesmo, a mando do técnico Alfredinho (este o maior personagem do dérbi) em número de jogos como treinador em momentos distintos pelos dois clubes. O primeiro jogo entre os dois times também será uma novidade, pois até então acreditava-se que eles haviam se enfrentado pela primeira vez apenas em 1924, quando na verdade foi bem antes.