Jogador brasileiro derrota clube português na Justiça

Campinas, SP, 7 (AFI) – De nada adiantaram as inventivas maldosas e as manobras espúrias perpetradas nos bastidores pelo senhor Rui Alves, presidente do Clube Desportivo Nacional, de Funchal, capital da Ilha da Madeira, em Portugal. A Comissão Arbitral Paritária, órgão responsável pelo Contrato Coletivo de Trabalho dos Jogadores Profissionais de Futebol naquele país, decidiu que o meia Juninho, 26 anos, não poderia ter seu contrato rescindido da maneira unilateral e ditatorial como foi mandado fazer pelo condestável Rui Alves.

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Os motivos que causaram o imbróglio estão em retrospectiva no texto que vai abaixo. Quanto às consequências nefastas do ato tresloucado do senhor Rui Alves, o pior está por vir. O atleta acionou seus advogados em Portugal para receber a totalidade de seus salários e direitos trabalhistas relativos ao contrato com o Nacional, que venceria somente em 30 de junho de 2011.

Quem também já estabeleceu advogados para defender seus direitos é o Venda Nova Futebol Clube, time de Belo Horizonte, que é o detentor de parte dos direitos federativos e econômicos do jogador. Como Juninho ficou livre para assinar contrato com qualquer agremiação a partir da decisão da Comissão Arbitral Paritária, o Venda Nova pedirá à Fifa a respectiva indenização do prejuízo causado aos seus cofres pelos desmandos do senhor Rui Alves.

O vice-presidente do Venda Nova, Daniel Pedrosa, revela quais medidas adotará a partir de agora. “Vamos acionar o Nacional na Fifa. O Juninho era o atleta mais valorizado que tínhamos em nosso elenco e sofremos um enorme prejuízo financeiro com sua perda. Esse Rui Alves é um irresponsável e deveria ser sumariamente afastado de suas funções”.

A multa a ser imposta pela Fifa ao Nacional é alta. Para se precaver, Daniel Pedrosa já tem em mente uma saída jurídica. “Determinei aos nossos advogados que bloqueiem o dinheiro que o Nacional receberia pela venda do atacante Nenê, ex-Cruzeiro, para o Cagliari, da Itália. Outra atitude será pedir à Uefa o bloqueio dos repasses de verba a que o Nacional faz jus pela classificação obtida para participar da Copa da Uefa. Essa molecagem do senhor Rui Alves não ficará impune.

A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) já foi comunicada desta decisão da Comissão Arbitral Paritária, que consta do Processo nº 04-CAP/2009.

Entenda o caso
O meia Juninho, 26 anos, campeão mundial Sub-20 com a Seleção Brasileira em 2003, carioca com o Fluminense em 2005 e mineiro com o Atlético em 2007, está sofrendo na pele as arbitrariedades perpetradas por um presidente de clube ditador. O engenheiro Rui Alves, o poderoso manda-chuva do Clube Desportivo Nacional, de Funchal, na Ilha da Madeira, em Portugal, bloqueou o pagamento do salário de janeiro e mandou abrir um absurdo Processo Disciplinar contra o atleta.

Toda essa arbitrariedade cometida contra Juninho teve início no dia 27/1 por um motivo prosaico: o jogador passou mal quando se dirigia ao Aeroporto da Madeira e, sem condições clínicas de viajar para o continente, não pôde embarcar com a delegação do Nacional. O time iria enfrentar o Atlético Valdevez, pelas quartas-de-final da Taça de Portugal.

Ao sair de casa rumo ao aeroporto, Juninho dirigia seu carro e levava consigo de carona o volante Luiz Alberto, ex-São Caetano e ex-Cruzeiro. Juninho começou a sofrer fortes tonturas e não conseguiu continuar a dirigir, passando o volante para Luiz Alberto. Ao chegar ao aeroporto, o jogador comunicou à direção do Nacional, na pessoa do senhor Gris, que estava se sentindo mal e que iria procurar por um médico, já que o clube não dispunha de um no momento.

Juninho foi atendido no Posto Médico do aeroporto e foi constatado que sua pressão arterial estava num nível muito ruim: 15/5, razão pela qual o jogador chegou quase a desfalecer. Medicado prontamente, Juninho procurou o técnico do Nacional, Manuel Machado, e relatou a situação. O mesmo o atleta já havia dito ao diretor Gris e ao fisioterapeuta Rodrigo. Sensível ao incômodo que acometia o jogador, Manuel Machado disse que o melhor era Juninho procurar o dr. Ricardo no Hospital de Funchal e seguir as orientações do médico.

Processo Disciplinar
No dia seguinte, já recuperado do mal-estar depois de devidamente clinicado no hospital, Juninho foi treinar normalmente no Estádio da Choupana e teve início aí seu calvário pessoal. O jogador foi comunicado que não poderia treinar devido a uma ordem vinda da alta direção do clube. O pior estava por vir: Juninho foi comunicado que havia sido aberto um Processo Disciplinar contra ele, decisão do presidente Rui Alves passou a impedi-lo de treinar desde então.

Para piorar o panorama, Rui Alves tomou outra decisão discricionária ao proibir a tesouraria do Nacional de depositar o salário referente ao mês de janeiro. Todo o elenco do Nacional já recebeu e Juninho continua ver navios no Atlântico do alto da Ilha da Madeira…