João Avelino fez o Guarani jogar de meias pretas
João Avelino fez o Guarani jogar de meias pretas
João Avelino fez o Guarani jogar de meias pretas

A nova geração de torcedores do Guarani sequer imagina que na antevéspera de Natal ‘comiam soltos’ jogos válidos pelo Campeonato Paulista em 1959, com derrota bugrina para a Ferroviária, em Araraquara, por 3 a 0.
Dois dias após a comilança natalina, o time venceu o Nacional em Campinas por 2 a 1, ambos jogos comandados pelo interino Godê.
Todavia, o jogo que salvou o Bugre de rebaixamento à divisão de acesso naquela temporada foi a surpreendente vitória por 3 a 2 sobre o Santos de Pelé, no Estádio Brinco de Ouro, dia 20 de dezembro.
Foi a despedida do supersticioso João Avelino como treinador do Guarani. Ele recorreu a uma benzedeira de Valinhos e foi orientado colocar meias pretas em seus jogadores, nada a ver com as tradicionais cores verde e branca do Bugre.
Pois o Guarani teve atuação fantástica e ganhou por 3 a 2, dois gols do saudoso Ferrari e outro de Rodrigo.
O time bugrino da época? Nicanor; Benê II e Ditinho; Valter, Carlão e Bombinha; Fifi, Leal, Rodrigo, Benê I e Ferrari.
11º ANO DE MORTE
Esse Avelino foi esquecido até em seu 11º ano de morte, dia 24 de novembro passado. Ele tinha 77 anos de idade e foi vitimado pelo Mal de Alzheimer.
Paradoxalmente, ainda no Estádio Brinco de Ouro, no comando do CAT (Clube Atlético Taquaritinga), em 1984, em jogo noturno, se recusou a entrar no vestiário para as orientações aos jogadores, após derrota por 2 a 0 no primeiro tempo. Preferiu colocar uma cadeira no túnel que dá acesso ao vestiário e, com canivete afiado, descascou e chupou laranjas com se tivesse num momento de descontração.
Instigado pelo saudoso repórter Paulo Moraes, da antiga Rádio Educadora de Campinas, sobre instruções aos jogadores, a resposta foi curta e grossa:
– Nada entra na cabeça desses caras. Falar e não falar dá na mesma.
Assim era o imprevisível Avelino: catimbeiro e por vezes violento. Agrediu o ex-árbitro Romualdo Arpi Filho em jogo de 1971 de sua Portuguesa contra a Ponte Preta, em Campinas.
TAMANHO DA TRAVE
No Fortaleza, se espantou com seu goleiro de 1,70m de altura e mandou diminuir a altura da trave. Quando perceberam a tramoia, o time já havia festejado título cearense perseguido há cinco anos.
Como auxiliar do saudoso treinador Oswaldo Brandão, foi tido como a caçamba, do ‘casamento’ batizado de ‘a corda e a caçamba’.
Conta o ex-técnico Antonio Augusto, o Pardal, que Avelino foi o inventor do treino coletivo sem bola.
“O João cantava as jogadas e o atleta simulava estar com a bola. Gritava para o ponteiro cruzar, atacante driblar e chutar para o gol”, detalhou.





































































































































