Itaquerão: Daqui a pouco vão bater palmas para louco dançar

O tsunami que se criou para a construção do estádio é uma ameaça que o clube só vai se livrar em 2028

O tsunami que se criou para a construção do estádio é uma ameaça que o clube só vai se livrar em 2028

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Sonho da casa própria no futebol – o Itaquerão – está mais próximo de um pesadelo, pois o tsunami financeiro que se criou, para a construção do estádio, é uma ameaça da qual o clube só vai se livrar em 2028. O pior é que a geração de caixa, apesar de sua imensa torcida, até agora, não foi suficiente para fazer frente à dívida que a cada dia aumenta mais.

Do jeito que as coisas caminham, temos isto sim, uma ópera-bufa. Há seis meses que o clube não amortiza um ceitil e comprometeu-se a reiniciar os pagamentos a partir do mês que vem.

Só que o acordo negociado, se alivia um pouco no momento, cria problemas futuros. Numa das últimas reuniões do Fundo Arena com a Caixa e outros participantes dessa coisa absurda – o financiamento é praticamente impagável – pediram a redução da parcela pactuada – 5.700 mil reais ao mês – para um valor menor e ampliação da dívida em mais sete anos. Isto quer dizer que a conta final será maior ainda com os juros compostos.

A Arena Corinthians está mais próximo de se tornar um pesadelo do que um sonho para os alvinegros

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Os participantes dessa ópera-bufa recheada de cômicos, personagens incríveis, burlescos, facetos e patuscos – saíram da última reunião da Caixa e anunciaram que haverá uma redução da prestação mensal para 3.700 mil. Como não existe nenhuma transparência no clube e na construção da obra, se aceita o valor com reservas.

Isto porque os economistas e os planejadores do estádio sempre enrolaram o Conselho Deliberativo, a torcida e uma mídia cheia de batedores de bumbo, sem se preocuparem em questionar os dados que desabavam nas rádios, tevês e jornais; porque, na opinião desses babaquaras, jornalista não tem que discutir números.

Pois bem, alongar o perfil de uma dívida, diante de uma dificuldade, principalmente com o país em recessão, não é o fim do mundo, mas gostaríamos que os planejadores do Parque São Jorge explicassem como será a geração de caixa para saldar uma dívida de 400 milhões – aqui não se aponta a correção de juros compostos – considerando-se que o prazo de quitação aumentou mais sete anos.

Ora, com mais sete anos, ainda que a amortização seja de 3.700 mil mensais, conforme disseram alguns patuscos do Parque São Jorge, na multiplicação por 20 anos (240 meses) e teremos (cálculo de 3 milhões mensais) um valor final de 720 milhões de reais, sem contar a correção dos juros. Isto significa um aumento da dívida em 320 milhões.

A gestão de Mário Gobbi é alvo de muitas críticas e acusações

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Este valor ultrapassa o valor autorizado pelo Conselho Deliberativo, quando Andrés Sanchez conseguiu a aprovação da obra, com preço fechado (foi mais uma mentira que aplicaram nos conselheiros) em 335 milhões.

NINGUÉM FALA NADA
Gostaríamos muito que Luis Paulo Rosenberg, um dos estruturadores da operação financeira – explicasse o tamanho desse buraco financeiro, para que os pagamentos sejam retomados no mês que vem.

Mas, a par de tudo isso, aconteceram coisas incríveis. A renegociação com os credores não contou com a anuência do Conselho Deliberativo, conforme ficou decidido na última reunião. Na verdade, eles mandaram o Conselho se lixar. Aliás, uma reunião patética porque, até hoje, os números do estádio só são oferecidos ao Fundo BRL e a mais ninguém. Quando houve o questionamento de Romeu Tuma Jr. e outros conselheiros sobre a anuência das contas, o plenário exigiu a exibição dos documentos.

Assim mesmo fizeram a reunião para dilatar o prazo de pagamento da dívida. Mais uma vez não respeitaram o Conselho. Nesse imbróglio, Raul Correa da Silva foi obrigado a responder a denuncia feita por Tuma Júnior segundo a qual, o então vice de Finanças maquiou o balanço de 2014 em 320 milhões. Foi na gestão de Mario Gobbi. Espertamente, Raul lançou como patrimônio aquele valor. Só que ele foi desmentido por Emerson Piovesan provando que cotas sêniores não são lançadas como dinheiro. O superávit de Raul no valor de 320 milhões virou um déficit de 97 milhões no balanço de 2015.

Tudo isso é só um pouco dessa ópera-bufa. O Fundo Arena foi bem claro: o Corinthians será um dos cotistas do fundo quando terminar de pagar a dívida em 2028. Agora, o prazo é de mais sete anos. O clube ainda transferiu para o Fundo o terreno do Itaquerão. Até agora, o Conselho não aprovou o orçamento deste ano porque, lá pelo jeito, não existe gente capaz para fazer um orçamento. Sem orçamento, com dívidas monumentais, terreno cedido para terceiros, só falta mesmo alguém levantar uma lona e todo mundo bater palmas para loucodançar. Só falta essa.