Itália, seleção de boa técnica e variações táticas

Espanha mostrou cartão de visita na estréia

Quando você lê ou ouve citações de esquema tático com quatro compartimentos, do tipo 4-3-2-1, como o atribuído à Itália, ou 4-2-3-1 que definiram para o México, ignore-os. Até parece que é possível esta fragmentação num campo de futebol.

Quando alguém vier com esta balela para enfeitar o pavão, lembre-se das sábias palavras do radialista da Rádio Tupi do Rio de Janeiro, Washington Rodrigues, o Apolinho, quando assumiu o comando técnico do Flamengo em 1995, e lhe perguntaram se adotaria o esquema 4-4-2 ou 4-3-3. “Pra mim isso não passa de número de bonde”.

Estava certo Apolinho quando esculachou estas nomenclaturas. Depois que a bola rola, a ordem geral é defender com o maior número possível de jogadores e atacar com a quantidade possível, desde que não haja risco de desguarnecer o setor defensivo.

No futebol é preciso definir a essência de cada time em campo. Qualidade dos jogadores, agrupamento, posicionamento na marcação, velocidade, combinação e conclusão de jogadas são fundamentais para se aproximar da vitória.

Se o México se dispôs a jogar fechado contra a Itália, com proposta de explorar os contra-ataques, como pode ter se armado em campo naquilo que apregoaram como 4-2-3-1? Até sofrer o segundo gol da Itália, o México adotou uma linha de cinco à frente do goleiro e outra de três jogadores na marcação, porque sabia da sua inferioridade técnica.

Por sinal, a Itália tapa a boca daqueles que torcem o nariz quando um time é escalado com três volantes. Tudo depende da qualidade dos tidos volantes. Pirlo é volante à moda antiga, do tipo Dino Sani, Clodoaldo, Vanderlei Paiva e Zé Carlos. Tem uma baita técnica e distribui o jogo com categoria.

E são volantes que permitem aos laterais se transformarem em pontas, com segurança de cobertura.

A Itália valoriza demasiadamente a posse de bola e tem um novo Serginho Chulapa pra trombar com zagueiros e empurrar a bola pro gol, caso do centroavante Balotelli.

Outro detalhe que me chamou atenção na Itália foi a forma como o lateral-esquerdo De Seiglio se projeta ao ataque. Diferentemente do ala que geralmente arranca com a bola, ele se posiciona como ponteiro-esquerdo à moda antiga pra ser lançado.

Isso me fez lembrar o posicionamento do lateral-esquerdo Pablo Armero na Seleção da Colômbia, que igualmente se projetava para ser lançado.

ESPANHA

Como definir então o esquema tático da Espanha, que por vez só deixa o seu goleiro no campo de defesa? Seria, então, o esquema 0-0-10?

Brincadeira à parte, a forma com que o time espanhol é compactado é esplêndida. Encurrala o adversário em seu campo de defesa e pacientemente espera o exato momento para dar o ‘bote’.

A impressão que fica dos espanhóis é daquelas peladas de antigamente sem goleiros, em que só valiam gols dentro da área, lembram-se?

Quando algum uruguaio chegava na jogada, só faltava o espanhol zombar na base de ‘a bola já não está comigo’.

O defeito deste time espanhol é que abusa do preciosismo. Quando chega às imediações da área adversária tem que arriscar mais finalizações em vez de um ‘tapa’ a mais na bola.