Inter de Limeira: do histórico título estadual ao retorno à elite paulista
Equipe que foi o primeiro clube do interior a conquistar o campeonato paulista e disputa a elite depois de 15 anos
Equipe que foi o primeiro clube do interior a conquistar o campeonato paulista e disputa a elite depois de 15 anos
Limeira, SP, 17 (AFI) – O ano de 1986 é especial para a Inter de Limeira, pois naquela temporada, sob o comando do multicampeão Pepe, o “Canhão da Vila, tornou-se o primeiro time do interior a conquistar o Campeonato Paulista. Nos últimos anos, o clube de Limeira viveu altos e baixos, mas comemora a participação na elite paulista após 15 anos longe da principal divisão local.
A competição estadual de 1986 foi disputada por 20 equipes. Foram dois turnos, com o campeão de cada etapa garantido nas semifinais, assim como as duas equipes com melhor campanha na soma dos turnos. O primeiro time a garantir vaga foi o Santos, campeão do primeiro turno. A Inter de Limeira, comandada pelo “Canhão da Vila”, venceu o segundo turno com quatro pontos de distância para o segundo colocado, Palmeiras. As outras duas equipes classificadas foram o próprio Palmeiras, segundo colocado da classificação geral, e Corinthians em terceiro.
Por ter melhor campanha, a Inter de Limeira enfrentou o Santos, que apesar de ter conquistado o primeiro turno, teve o pior desempenho entre os quatro semifinalistas. No reencontro de Pepe com seu antigo clube, quem levou a melhor foi o treinador, ao vencer os dois confrontos: por 2 a 0 e 2 a 1. Na decisão, os limeirenses enfrentaram o Palmeiras, que eliminou o Corinthians. Após empate sem gols na ida, o time de Pepe venceu por 2 a 1 e fez história, tornando-se o primeiro clube do interior a vencer o Campeonato Paulista, algo que o antigo treinador guarda com carinho em sua memória.
“É um motivo de orgulho muito grande. Afinal de contas, já era uma pessoa famosa no futebol. Mas a Inter de Limeira conseguiu essa conquista com muita luta e entusiasmo, e montamos um time realmente valoroso. Jogadores que sabiam o momento de luta, tinham qualidade. Fomos campeões do segundo turno e ganhamos do Palmeiras no Morumbi. Tivemos o melhor ataque, o artilheiro da competição, a melhor defesa. Tivemos todos os requisitos. Era um time valente, um time guerreiro. Sempre digo, ainda hoje, quando quero ser feliz, vou à Limeira”, afirmou um dos maiores ídolos santista, depois de Pelé.
A equipe campeã foi composta por Silas, João Luís, Juarez, Bolívar e Pecos; Manguinha, Gilberto Costa, João Batista e Lê; Tato e Kita, sendo este último, o artilheiro da competição com 23 gols. Depois da brilhante epopeia no estadual, a “Dinamarca Caipira” chegou às oitavas de final do Campeonato Brasileiro, após terminar a primeira fase na quarta colocação do Grupo K. Porém, acabou sendo eliminada pelo São Paulo, que viria a ser campeão do torneio. Em 1988, a Inter conquistou o título da Série B do Brasileirão.
Com boas campanhas nos anos 1980, as décadas seguintes foram diferentes. Em 1990, foi rebaixado para a Série B do Brasileiro. Um ano depois, mais um rebaixamento, desta vez, pelo Paulistão. Em 1997, voltou à elite, onde ficou até 2003, ano de mais um descenso. Como uma montanha-russa, retornou à principal divisão do estado em 2004, mas, em 2005, caiu novamente e permaneceu longe da A1 por 15 anos. De volta na atual temporada, o presidente do clube, Lucas D’Andrea Balistiero, explica o processo de reorganização do clube.
“Podemos separar esse processo em duas vezes. A primeira iniciou-se em 2013, com a ‘Renovação do Clube’. Uma nova geração de pessoas se uniu e assumiu a gestão da entidade, na tentativa imediata de evitar o fechamento das portas e de restaurar o clube a longo prazo. Durou até 2016. A partir de 2017 é a fase que chamamos de ‘Renascimento da Internacional’. Tínhamos como grande objetivo resgatar a credibilidade da instituição, e através de um planejamento sério, honesto e profissional começou a busca pelo equilíbrio financeiro, modernização de gestão, formação de uma base sólida de profissionais do futebol e engajamento da sociedade, poder público e civil. Todo esse processo fez com que uma instituição centenária, com uma vasta e rica história no cenário paulista e nacional, pudesse superar problemas estruturais, futebolísticos e financeiros. A partir do final de 2019, o clube vem acelerando as ações de reestruturação gerencial, financeira e modernização administrativa”, explicou o presidente.
Antes da pausa do Paulistão Sicredi 2020, devido ao surto da Covid-19, o time de Limeira somou 11 pontos e ocupa a terceira colocação do Grupo C. São cinco pontos atrás do segundo colocado, Mirassol. Ainda que a chance de classificação seja remota, a principal meta para essa temporada, é se manter na Série A1. “Com tudo isso, nosso objetivo é uma longa manutenção no principal campeonato estadual do Brasil, o Paulistão, e o retorno às competições nacionais, sempre com a sustentabilidade e responsabilidade financeira”, ressaltou o mandatário.
O ANTES, O AGORA E O DEPOIS…
Pepe ainda detalhou os motivos pela conquista do principal título da história do clube. “Tínhamos um ótimo ambiente. Entre titulares e reservas não havia nenhum clima de revanchismos, ou problemas com a escalação do time. Tínhamos um time base que jogou a maioria das partidas e esse ambiente excepcional, que nossos dirigentes conseguiram fazer. Foi realmente uma conquista maravilhosa”, relembrou.
Bom trabalho que, inclusive, a nova diretoria se esforçou para implantar mais uma vez, gerando resultado dentro de campo. “O grande desafio do clube é conseguir manter o sucesso futebolístico alcançado no processo de ‘Renascimento’, onde houve dois acessos, final de Copa Paulista e disputa de Copa do Brasil, com uma completa transformação administrativa, aplicando na prática os conceitos de profissionalismo, e uma mudança de 180 graus na gestão de base e logística para o futebol profissional”, ressaltou Lucas D’Andrea.
A IMPORTÂNCIA DO PAULISTÃO
“O campeonato estadual tem um papel estratégico e de extrema importância para o futebol brasileiro. A própria história do sucesso da Seleção Brasileira confirma que um estadual forte resulta em um futebol nacional gerador de grandes valores. O Brasil possui uma gama enorme de clubes e, como consequência, um alto número de profissionais que não estão nas Séries A e B do Brasileiro. Portanto o estadual é a principal competição do calendário desses clubes e profissionais do futebol”, afirmou o presidente, que completou sua análise.
“Para a Inter de Limeira o cenário atual não é diferente. O estadual é nossa principal competição e na nossa opinião é muito atrativa, de extrema competitividade, gerando um enorme interesse de público e parceiros. As ações tomadas nos últimos anos vêm tornando a competição ainda mais interessante. Além disso, foi o estadual que levou a Inter a ser conhecida nacionalmente, na época em que o campeonato tinha uma longa duração, muito mais atrativo que outras competições como é o Brasileiro e a Libertadores”, finalizou.
Mateus Bezerra, especial para a FPF





































































































































