Ídolo do Palmeiras critica sindicato dos atletas: 'Parece Pilatos'
Jogador é um dos líderes do movimento Bom Senso FC, que luta por mudanças no futebol
Embora tenha evitado comentar o trabalho desenvolvido pelos sindicatos dos jogadores, o camisa 10 do Coxa comparou a Fenapaf a Pôncio Pilatos – prefeito da Judeia, apontado como responsável por condenar Jesus Cristo à crucificação.
Rio de Janeiro, RJ, 10 (AFI) – Um dos líderes do movimento Bom Senso FC, o meia Alex fez críticas à Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf), durante entrevista ao programa Bola da Vez, da ESPN Brasil, na última semana. Embora tenha evitado comentar o trabalho desenvolvido pelos sindicatos dos jogadores, o camisa 10 do Coxa comparou a Fenapaf a Pôncio Pilatos – prefeito da Judeia, apontado como responsável por condenar Jesus Cristo à crucificação – no protesto do grupo contra o calendário da CBF (assista oi vídeo ao lado).

“O que o sindicato fez conosco, agora, eu não gostei. Eles nos procuraram dizendo a proposta da CBF e nós pedimos um tempo para dar resposta para eles. A CBF lançou o calendário e, logo em seguida, veio uma nota do sindicato, meio que… (jogador faz gesto como se tivesse lavando as mãos). Ainda brinquei, pô (sic) parecia Pilatos na história de Jesus Cristo. Lavou as mãos, entregou para depois”, afirmou.
Pelo fato de ter atuado quase dez anos pelo Fenerbahçe-TUR, entre 2003 e 2012, Alex afirmou nunca ter precisado dos serviços da Fenapaf ou sindicatos estaduais. Mesmo assim, o jogador evitou entrar em polêmicas ou conflito com estas organizações.
“Esta é uma realidade. Como eu nunca precisei do sindicato, eu não conheço (a eficiência do mesmo). Esta (relação através do Bom Senso FC) foi a única vez que eu tive uma relação com o sindicato. Mas a posição que eles se colocaram, agora, realmente não me agradou”, ressaltou.
Embora evite entrar em choque com sindicatos, CBF e TV Globo, o Bom Senso FC faz questão de deixar claro que é um movimento independente, sem vínculos políticos. “Até porque nós não temos interesse político na CBF. Eu nem sei quem são os candidatos a próxima eleição”, explicou Alex.
Relação desgastada
Um dos fatores preponderantes para desvincular o Bom Senso FC dos sindicatos é e relação desgastada do zagueiro do Corinthians Paulo André com o presidente da Fenapaf, o ex-goleiro do Palmeiras Rinaldo José Martorelli. Em 2012, o jogador chegou a tecer críticas ao sindicato dos atletas pela omissão em casos como a ameaça de torcedores a jogadores do Palmeiras às vésperas do rebaixamento.
Martorelli não aceitou críticasPresidente também do Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo (Sapesp), há quase duas décadas, Martorelli respondeu a Paulo André de maneira ríspida. O sindicalista disparou que o zagueiro do Timão é um “pseudopolitizado” e que foi “covarde” ao tecer críticas à entidade.
O fato é que desde que os primeiros sindicatos de jogadores de futebol foram criados, na década 90, pouca coisa foi feita em prol da classe ou do desenvolvimento do futebol. A Lei Pelé, por exemplo, livrou os jogadores das amarras dos clubes, mas os jogaram nas mãos dos empresários. Resultado: jogadores e clubes foram prejudicados e os sindicatos nada fizeram para mudar tal situação.
Outro ponto curioso é que, logo após o Bom Senso FC, tornou pública suas reivindicações, a Fenapaf, através de seu vice-presidente Alfredo Sampaio, demonstrou apoio ao movimento (relembre aqui). Fato que causa estranheza, tendo em vista que a entidade teve mais de dez anos, desde sua criação em 2001, para lutar por mudanças, mas só o fez agora.
Jogadores se reúnem na CBF
Mais do Bom Senso FC
No último dia 30 de setembro, reuniu-se pela primeira vez parte do grupo signatário do movimento Bom Senso FC. O encontro contou com a presença de vinte jogadores de vários clubes do país e teve como objetivo definir propostas centrais para questões que têm repercutido no rendimento dos atletas e na qualidade do futebol. O movimento teve início com 75 jogadores e, hoje, conta com mais de 800.
Entre os pontos elencados pelo grupo estiveram: calendário do futebol nacional; férias dos atletas; período adequado de pré-temporada; fair play financeiro; e participação nos conselhos técnicos das entidades que regem o futebol.
Ao final da reunião um documento foi assinado por todos atletas presentes. O mesmo será encaminhado para a CBF, requisitando um encontro para que possam ser debatidos os temas acima, visando benefícios ao futebol brasileiro.





































































































































