Ídolo do Guarani, Fumagalli marcava primeiro gol da carreira há 24 anos

Fernando Fumagalli, como ainda era conhecido, marcou pela Ferroviária no empate com o América

Fernando Fumagalli, como ainda era conhecido, marcou pela Ferroviária no empate com o América

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Campinas, SP, 04 (AFI) – Um dos grandes nomes do futebol do interior de São Paulo neste Século XXI, José Fernando Fumagalli marcava há 24 anos, seu primeiro gol como jogador profissional, na disputa do Paulistão de 1996. Na ocasião, ajudou sua equipe, a Ferroviária, a buscar um improvável empate. Mais tarde, passou por grandes clubes e fez história com a camisa do Guarani.

Corria a oitava rodada do segundo turno do Campeonato Paulista e o time de Araraquara fazia uma campanha ruim, com apenas um ponto conquistado nesta segunda etapa. Mais tarde, seria rebaixado, retornando à elite somente em 2015. O América, por sua vez, vivia boa fase, com apenas uma derrota -para o Corinthians- nos sete jogos anteriores.

No Teixeirão, os donos da casa fizeram valer o favoritismo no primeiro tempo. Cacaio marcou aos 21 minutos e James ampliou aos 46. Na segunda etapa, o que parecia impossível aconteceu. O garoto Fernando Fumagalli, aos 19 anos e que entrara na vaga do atacante Juari, diminuiu aos 41 e viu Anderson, aos 48, empatar o placar.

Ídolo do Guarani. (Foto: Letícia Martins / Guarani)

Ídolo do Guarani. (Foto: Letícia Martins / Guarani)

OPORTUNIDADE!
A rota Araraquara-Santos era bastante frequente nessa época. Do time que empatou com o América, quatro foram da Ferroviária para a Vila Belmiro: o lateral esquerdo Rogério Seves, o meia Otávio Augusto, o atacante Juari -que marcou o gol do título santista do Rio-SP de 1997- e o mais jovem deles, Fernando Fumagalli.

Após se destacar na Copa São Paulo de Futebol Júnior, Fumagalli ganhou oportunidades no Santos, com quem mais tarde teria um litígio jurídico. Antes disso passou pelo futebol japonês e pelo próprio América de São José do Rio Preto. Resolvido o problema com o time da Vila Belmiro, foi emprestado ao Guarani.

ÍDOLO DO BUGRE!
Iniciava ali, uma bonita história entre Fumagalli e a torcida bugrina. Com duas boas temporadas em Campinas, se transferiu para o Corinthians, atuando depois por diversas equipes como Marília, FC Seul da Coréia do Sul, Santo André, Fortaleza, Sport, Al Rayyan do Catar, Vasco da Gama, Americana e novamente o Guarani, tendo um breve período de empréstimo ao Santa Cruz do Pará.

Com a camisa bugrina, fez 307 jogos marcando 90 gols, que o colocam como o sétimo maior artilheiro da história do clube.

“Me tornei ídolo e acabei virando um torcedor bugrino. Contando a carreira de jogador e dirigente, são quase 10 anos de momentos difíceis. Disputei a Série A do Brasileiro, Paulistão, Série A2, Série B e Série C do Brasileiro, ou seja, vivi tudo no Guarani, crises e momentos bons. O clube ficou muito marcado no meu coração, hoje sou bugrino”, diz Fumagalli.

FPF: Você se recorda deste gol do dia 4 de maio de 1996, pela Ferroviária contra o América, no Paulistão?
Fumagalli:
Já se foram 24 anos e eu me lembro muito bem deste jogo. Foi inesquecível, marcante demais, o meu primeiro gol como profissional. Lembro que a gente estava perdendo de 2 a 0 e entre no segundo tempo e ajudei a Ferroviária a conseguir o empate fazendo um dos gols. Foi uma alegria imensa ter conseguido buscar o resultado com meu primeiro gol.

FPF: O que significa este gol pra você?
Fumagalli:
Este gol significa muito para mim, pois abriu as portas. O pessoal da Ferroviária passou a olhar diferente e comecei a chamar a atenção de outros clubes. Foi muito importante porque dali em diante foi só crescimento na carreira.

A partir disso pensei em buscar mais gols, em crescer e me tornar um grande atleta, grande jogador de futebol profissional. Sou muito grato à Ferroviária por ter me dado essa oportunidade de iniciar minha carreira.

FPF: Você fez grande parte da sua carreira em times do interior. Qual a importância dessas equipes na sua carreira e na estrutura do futebol brasileiro?
Fumagalli:
Sou do interior, de Aparecida do Monte Alto, tenho muita experiência em campeonato paulista, conheço muito bem a força do interior de São Paulo, com times muito fortes e hoje ainda mais. A estrutura dos clubes melhorou muito de quando comecei, inclusive a própria Ferroviária que tem uma equipe forte tanto na base quanto no profissional.

Sou grato por ter construído minha história no futebol paulista, com certeza o mais forte do Brasil, consolidado há vários anos. Tive a felicidade de ser campeão paulista com o Corinthians em 2003 e é um orgulho e só tenho a agradecer a todos estes clubes que tive a felicidade de jogar, deixar um legado, e torcer para que se fortaleçam ainda mais.

FPF: Hoje bem mais maduro, teria feito algo diferente na carreira? Repensaria alguma decisão?
Fumagalli:
Acho que não. Não posso me arrepender de nada, tive uma carreira vitoriosa. Poderia de repente ter jogado em um nível ainda maior do que joguei. Em um dos melhores momentos da minha carreira tive um problema jurídico com o Santos, o que me afastou um pouco do futebol por sete meses.

Fiquei sem jogar num momento em que eu tava numa crescente, saindo do Guarani e indo para o Corinthians. Mas era uma decisão que naquele momento tinha que ser tomada, mas desportivamente falando foi ruim pra mim. No restante, não mudaria nada. Tive uma carreira de sucesso, fui sempre muito profissional, muito correto com os clubes principalmente, pois sempre procurei honrar as camisas de todos estes clubes que atuei.

FPF: O começo foi na Ferroviária, mas você se tornou ídolo do Guarani. Como fica o coração nessa história?
Fumagalli:
Sou muito grato à Ferroviária, porque comecei lá em 1994, no juvenil, fui vice-campeão paulista e as coisas aconteceram muito rápido na minha vida. Foi um momento de muito aprendizado e crescimento. Graças a Deus fui para o Santos, um time grande, de muita tradição e segui minha carreira em outros clubes através deste trampolim que foi o Santos, mas foi muito marcante a minha história no Guarani.

Me tornei ídolo e acabei virando um torcedor bugrino. Contando a carreira de jogador e dirigente, são quase 10 anos de momentos difíceis. Disputei a Série A do Brasileiro, Paulistão, Série A2, Série B e Série C do Brasileiro, ou seja, vivi tudo no Guarani, crises e momentos bons. O clube ficou muito marcado no meu coração, hoje sou bugrino, mas levo a Ferroviária no meu coração também porque foi o início, o ponta pé inicial.

Lembro como se hoje quando fui fazer teste lá, fiquei no alojamento um tempo e por isso sou muito grato à Ferroviária por ter aberto as portas e ao Guarani e a torcida por ter me tornado um ídolo do clube nos últimos tempos.

O JOGO DO PRIMEIRO GOL
América 2×2 Ferroviária
Competição: Campeonato Paulista 1996;
Data: 4 de maio de 1996;
Local: Estádio Benedito Teixeira, em São José do Rio Preto;
Renda: R$ 5.930,00;
Árbitro: Nelson Aparecido Sônego;
Gols: Cacaio 21′ e James 46′ do 1ºT; Fumagalli 41′ e Anderson 48′ do 2ºT;

América: Neneca; Bira, Marcelo, Leonardo e Carlinhos; Serginho Carioca, Edson Pezinho, Luciano Araújo e Adriano (Berg); Cacaio (Ricardo Oliveira) e James (Cesar).
Técnico: Júlio César Leal.

Ferroviária: Paulo Sergio; Bobô, Toninho, Marco Antonio e Rogério Seves; Reginaldo, Ricardo Dias, Serginho (Volnei) e Kung (Anderson); Otavio Augusto e Juari (Fumagalli).
Técnico: Sérgio Clérice.

Por Raoni David