Ídolo da Ponte critica falta de transparência da diretoria e defende torcida

Saídas obscuras dos técnicos Guto Ferreira e Paulo César Carpegiani ainda causam suspeitas

O ex-jogador Dicá, considerado o maior jogador e maior ídolo da Ponte Preta de todos os tempos, é outra personalidade descontente com a atual administração da Macaca, capitaneada por Ocimar Bolicenho.

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Campinas, SP, 26 (AFI) – O ex-jogador Dicá, considerado o maior jogador e maior ídolo da Ponte Preta de todos os tempos, é outra personalidade descontente com a atual administração da Macaca. Hoje, o departamento de futebol alvinegro está concentrado nas mãos do executivo de futebol Ocimar Bolicenho, com o presidente Márcio Della Volpe sendo uma espécie de “Rainha da Inglaterra”, que faz tudo para aparecer e nada de produção apresenta.

0002048099864 imgÍdolo se afastou dos bastidores da Ponte

Em entrevista ao jornalista Brenno Beretta, da Rádio Bandeirantes de Campinas (AM 1170), neste domingo, Dicá, que em 2009 foi diretor de futebol do clube, criticou a falta de transparência da atual diretoria pontepretana. Sobretudo, após as estranhas saídas dos técnicos Guto Ferreira e Paulo César Carpegiani.

“Transparência é uma forma de o torcedor acreditar nos profissionais que lá estão. Não estou aqui tirando os méritos de ninguém, mas o torcedor precisa tomar conhecimento, a imprensa precisa tomar conhecimento daquilo que pensa o dirigente, daquilo que vai ser feito”, afirmou o ex-jogador, que hoje é funcionário da prefeitura de Campinas.

Qual a verdade?
As demissões dos últimos dois treinadores da Ponte escancararam esta falta de transparência da diretoria. Após a derrota para o Corinthians, por 4 a 0, no Paulistão, os dirigentes arquitetaram a demissão de Guto Ferreira. No entanto, multa contratual de R$ 600 mil estragou os planos pontepretanos.

0002048099866 imgGuto Ferreira foi “fritado” pela diretoria

Durante este processo de “fritura” de Guto, vários treinadores chegaram a ser consultados, como Silas e Paulo Bonamigo. Mas o discurso oficial era de que a Ponte nunca cogitou a saída do treinador e até sobraram críticas à imprensa. O mau início no Brasileirão era tudo o que diretoria queria para demitir o atual técnico da Portuguesa.

Agora, com Carpegiani, surgiu mais uma vez um cenário estranho. Após a derrota para o Goiás, por 1 a 0, no domingo retrasado, o treinador se recusou a dar entrevista e a imprensa publicou que o mesmo iria sair por estar desgastado. Novamente, os cartolas pontepretanos usaram o “velho escudo” de criticar a imprensa e negaram o ocorrido.

“Ouvi na sexta-feira que o Paulo (César Carpegiani) ficaria só mais dez dias na Ponte. Como você pode acertar com um treinador para ficar mais dez dias no clube e que depois vai sair? Então é meio complicado. Para mim foi novidade este tipo de atitude”, frisou Dicá, revelando ter recebido a informação de fontes seguras do clube.

0002048099869 imgDicá defendeu a torcida alvinegra: ‘Sempre apoiou’

Em defesa da torcida
O ídolo alvinegro também mostrou-se indignado com a postura de alguns dirigentes, que têm criticado até mesmo a torcida. No sábado, após a derrota para o Cruzeiro, o gerente de futebo Marcos Vinícius deu uma entrevista, afirmando que está faltando apoio dos torcedores neste momento de crise.

“Não podemos condenar o torcedor. O torcedor tem feito a parte dele. Isso historicamente na Ponte sempre foi feito. O torcedor acompanha jogos, fora ou em casa”, afirmou o ex-camisa 10, ressaltando que a falta de transparência aumenta a desconfiança das arquibancadas.

Apesar do time limitado e das péssimas apresentações, a diretoria da Ponte continua a cobrar ingressos caros (mínimo de R$ 40). Vivendo uma grave crise, o São Paulo é um bom exemplo que poderiam ser seguido pelos campineiros.

O Sampa tem cobrado até R$ 2 pelos ingressos em seus jogos, nas últimas duas rodadas. O resultado se vê na prática. No empate com o Atlético-PR (1 x 1), mais de 25 mil torcedores foram ao Morumbi. Na vitória sobre o Fluminense, neste domingo, foi o recorde de público: mais de 55 mil.

0002048099873 imgCamisa 10 que não se vê há tempos no Majestoso

Sem bons ovos
Conhecedor profundo da história da Ponte, Dicá já demonstra preocupação com um possível rebaixamento no Brasileirão. Ele criticou o elenco montado pela Ponte. A diretoria diz que não consegue competir com os grandes, que chegam a ter orçamentos quase dez vezes maiores que o da Macaca.

“Não há investimento, não há um retorno técnico, não há um grupo de alto nível ou um grupo capacitado para isso (jogar de forma ofensiva). Então vai no esforço, esquema concentrado em marcação e ter um jogador de criação que a Ponte não tem”, avaliou.

Na visão de Dicá, o erro de Carpegiani foi ter adotado um esquema de clube grande em um time sem grandes jogadores. “No Brasileiro você tem duas opções: ou tem um time bom como Corinthians ou Cruzeiro, que podem jogar ofensivamente; ou então vc tem um time de regular para baixo, onde obrigatoriamente vc tem de partir do princípio de que precisa se defender para sair no contra-ataque. Isso é uma coisa fundamental, é uma coisa primária no futebol”, finalizou.