Ídolo argentino, Passarella vive pesadelo como presidente do River

Time argentino passará por eleições neste domingo

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Campinas, SP, 14 (AFI) – Daniel Alberto Passarella, 60 anos, que levantou o caneco de campeão mundial pela seleção da Argentina em 1978, ainda é considerado o melhor zagueiro de todos os tempos do futebol argentino. Ele também foi ovacionado durante os nove anos como atleta e seis de treinadores do River Plate. Apesar da estatura de 1,76m de altura, marcou 99 gols, alternados basicamente em cobranças de faltas e cabeceio. Foi ídolo no futebol italiano na Fiorentina e na Inter de Milão.

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Rico e idolatrado, bem que Passarella poderia desfrutar apenas da fama, mas em 2009 aceitou o desafio para disputar a presidência do River Plate da Argentina, recebeu 14.237 votos, e ganhou a eleição do opositor Rodolfo D’Onofrio por diferença de apenas cinco votos.

Se jogar futebol foi uma dádiva sagrada, a função de gestor exige discernimento para lidar com finanças combalidas e escolha com mínimo possível de erros no comando do futebol.

Rebaixamento
Nem uma coisa, nem outra. As dívidas do River Plate aumentaram substancialmente, o time não foi montado com a competitividade exigida, e o rebaixamento no Campeonato Argentino de 2010-2011 foi o duro golpe ao torcedor do clube.

Para o ironizado torcedor do River, o retorno à elite na temporada seguinte não diminuiu a decepção pela gestão Passarella e aí, na tentativa de retomar a confiança do associado, ele passou a valorizar os departamentos do clube, sem que o futebol recuperasse o seu espaço.

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Por causa disso, Passarella tem alto índice de rejeição no clube e não se habilitou à reeleição neste domingo. Pior: é criticado explicitamente por Antonio Caselli e Rodolfo D’Onofrio, os dois principais adversários na corrida presidencial.

“Passarella diz que assumiu o River em difícil situação financeira, mas a constatação é que o entrega pior ainda”, alfineta Cesalli, 45 anos, que participa como candidato pela segunda vez.

Crítico mais ácido tem sido D’Onofrio, que contratou empresa publicitária para espalhar outdoor na cidade de Buenos Aires, um deles em frente ao Monumental de Nuñez, estádio do clube, com slogan ‘Vamos salvar o River’.

Mais dois candidatos entraram na disputa com objetivo de valorizar a discussão sobre projetos que possam levar o clube à redenção: Carlos Ávila e Daniel Kipos.

Se a proposta da reportagem do FI era conversar com Passarella para que falasse da dura realidade que o clube se encontra, e se apesar da correria no processo eleitoral havia lhe sobrado tempo para assistir o jogo da Ponte Preta, a resposta da assessora de comunicação foi aquela bem burocrática: mande e-mail e especifique o assunto.

De fato, Passarella não está afinado com diferentes departamentos do clube. Por isso provavelmente desconheça que funcionários do setor de segurança falam abertamente da preferência por agremiações rivais, a menos que isso faça parte da cultura do país.

O segurança, que se identificou apenas como Jorge, é torcedor do Boca. “Não tem problema. Estou aqui apenas para desempenhar o meu trabalho”, justifica.