Hortência disputa eleição da Fiba com um dedo da Ponte Preta
Em 1993, Hortência e Magic Paula, que durante anos estiveram em lados opostos das quadras, foram reunidas pela primeira vez em uma mesma equipe
Com as duas a Ponte Preta ajudou a criar uma base que seria fundamental para o principal objetivo do basquete feminino brasileiro no ano seguinte
Campinas, SP , 18 (AFI) – A história de Hortência Marcari com a Seleção Brasileira é marcada por grandes conquistas, mas uma das páginas mais importantes de sua trajetória também passa pela Ponte Preta.
Foi no clube campineiro que a maior rivalidade do basquete feminino brasileiro ganhou um capítulo inesperado: em 1993, Hortência e Magic Paula, que durante anos estiveram em lados opostos das quadras, foram reunidas pela primeira vez em uma mesma equipe.
A parceria foi viabilizada pelo então presidente da Ponte Preta, Marco Antônio Abi Chedid, que apostou em um projeto ambicioso para colocar as duas maiores estrelas do basquete brasileiro lado a lado. Com o patrocínio da Nossa Caixa, o clube montou um elenco de alto nível para disputar o Mundial Interclubes de 1993.
Hortência chegou à Ponte Preta após deixar o Leite Moça/Sorocaba. Além de uma proposta financeira considerada irrecusável, pesou na decisão o projeto de conquistar o Mundial de Clubes e a possibilidade inédita de atuar ao lado de Magic Paula.
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PONTE PRETA REÚNE AS DUAS RAINHAS
Ao lado das duas estrelas, a equipe contava com nomes importantes do basquete nacional e internacional, como a técnica Maria Helena Cardoso, a pivô argentina Karina, além de Roseli, Nádia, Helen Luz, Silvia Luz e Ruth, atletas que também tiveram passagens pela Seleção Brasileira.
A união deu resultado rapidamente. Em 26 de setembro de 1993, diante de cerca de oito mil torcedores no ginásio de Guarulhos, a Ponte Preta derrotou o Parma, da Itália, por 102 a 86, e conquistou o título mundial interclubes.
Com as duas treinando lado a lado e uma equipe formada por outras jogadoras de grande qualidade, a Ponte Preta ajudou a criar uma base que seria fundamental para o principal objetivo do basquete feminino brasileiro no ano seguinte.
BASE PARA O TÍTULO MUNDIAL
Em 1994, a Seleção Brasileira conquistou na Austrália o inédito título da Copa do Mundo Feminina. Hortência foi uma das grandes protagonistas daquela campanha, especialmente na semifinal contra os Estados Unidos.
Em uma das partidas mais marcantes da história do basquete brasileiro, a seleção venceu as norte-americanas por 110 a 107. Hortência foi a cestinha do confronto, com 32 pontos, enquanto Magic Paula contribuiu com outros 29.
A conquista coroou uma geração que já havia mostrado sua força na Ponte Preta. A experiência de reunir Hortência, Paula e outras jogadoras de alto nível em Campinas ajudou na preparação e no entrosamento de atletas que posteriormente seriam fundamentais para a Seleção.
HORTÊNCIA ENTRE AS MAIORES DA HISTÓRIA
Três décadas depois daquela conquista, Hortência volta a ser colocada entre as maiores jogadoras da história do Mundial. A Fiba abriu uma votação popular para escolher a maior atleta de todos os tempos da Copa do Mundo feminina, e a brasileira é a única representante do país entre as nove indicadas.
A lista reúne outras grandes estrelas do basquete mundial, com cinco norte-americanas, duas australianas e uma letã que defendeu a extinta União Soviética. As indicadas são Hortência Marcari, Lauren Jackson, Uljana Semjonova, Sue Bird, Penny Taylor, Diana Taurasi, Lisa Leslie, Maya Moore e Breanna Stewart.
Esta é a segunda vez que a Fiba realiza a votação. Na primeira, promovida antes da Copa do Mundo de 2018, na Espanha, Hortência venceu com ampla vantagem, recebendo 85% dos votos.
MARCAS HISTÓRICAS
A indicação não acontece por acaso. Hortência disputou cinco edições da Copa do Mundo e terminou como cestinha do torneio em três oportunidades: 1983, 1990 e 1994.
Ela também mantém a maior média de pontos em uma única edição do Mundial. Em 1990, na Malásia, a brasileira anotou média de 31,5 pontos por partida.
Maior pontuadora da história da Seleção Brasileira, Hortência encerrou sua trajetória internacional com 3.160 pontos em 127 partidas oficiais, média de 24,9 pontos por jogo. Além dos cinco Mundiais, disputou duas edições dos Jogos Olímpicos e encerrou a carreira após conquistar a medalha de prata em Atlanta, em 1996.
Agora, a Rainha volta a disputar uma eleição entre as maiores do basquete mundial. E, antes de se tornar uma das principais figuras da história da modalidade, teve em Campinas e na Ponte Preta um capítulo especial de sua carreira, justamente ao lado da jogadora que durante anos foi sua grande rival.





































































































































