Horley Senna fala em equívoco do MP e faz apelo: "Guarani pode fechar as portas"

Nesta quinta-feira, o MPT entrou com um pedido de exceção de suspeição contra a juíza Ana Cláudia Torres Vianna

A decisão do Ministério Público do Trabalho (MPT) de “travar” a anulação do leilão Estádio Brinco de Ouro caiu como uma bomba no Guarani.

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Campinas, SP, 17 (AFI) – A decisão do Ministério Público do Trabalho (MPT) de “travar” a anulação do leilão Estádio Brinco de Ouro caiu como uma bomba no Guarani. Claramente ainda tentando digerir o fato, o presidente bugrino, Horley Senna, demonstrou abatimento, classificou a ação como “equívoco do Ministério Público” e até fez um apelo: “O Guarani está na iminência de fechar suas portas”.

Horley Senna, presidente do Guarani, e Roberto Graziano, dono da Magnum, terão de esperar por quase dois meses

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“É uma medida incompreensível. Eles estiveram presentes (na audiência pública na semana passada). A juíza Ana Claudia ouviu todos os lados. Ela foi única magistrada que teve coragem e boa vontade de resolver o problema”, lamentou Senna, em entrevista à Rádio Bandeirante de Campinas.

Nesta quinta-feira, o MPT entrou com um pedido de exceção de suspeição contra a juíza do 15ª Tribunal Regional da Justiça do Trabalho, Ana Cláudia Torres Vianna. Desta forma, ela está impedida de decidir qual será o futuro da casa bugrina. Entre as medidas do MPT é o pedido de afastamento da juíza, por suspeita de tomar a decisão sem imparcialidade. A outra é a correção de algumas irregularidades encontradas na audiência pública. Entre elas, estaria ao fato de a magistrada não ter dado a devida atenção à empresa arrematante, a Maxion, principal concorrente da Magnum.

Nesta sexta-feira, a magistrada comandaria uma audiência na qual anunciaria se manteria ou não a decisão do leilão do 30 de março, quando o Grupo Maxion arrematou o Brinco de Ouro por pouco mais de R$ 105 milhões. A tendência era que Ana Cláudia cancelasse o leilão e aceitasse a oferta de compra da Magnum, pelo menos valor. Isto porque a empresa parceira do Guarani havia chegado a um acordo com credores trabalhistas na última semana e pagaria imediatamente os cerca de R$ 60 milhões de dívidas trabalhistas executadas.

As medidas protocoladas pelo procurador Alex Duboc Garbellini surpreenderam o Conselho de Administração do Bugre. Tanto que Horley Senna convocou uma reunião, para a manhã desta sexta-feira, quando serÃO definidas as medidas que serão adotadas pelo clube.

NA FILA DE ESPERA

Ministério Público do Trabalho pediu afastamento da juíza Ana Cláudia Torres Vianna

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O pedido de afastamento e correição parcial feito pelo MPT deve ser julgado por desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) no prazo de 30 a 40 dias. Fato que aumenta o descontentamento do Guarani, que verá sua dívida trabalhista aumentar por este período e não poderá contar com os aportes financeiros da Magnum para manter o futebol.

“Não sei porque o Ministério Público está fazendo isso”, indagou Senna. “São ‘N’ situações que beneficiam Guarani em caso de anulação (do leilão). Com a proposta da Magnum, o Guarani resguardaria seu patrimônio. Com isso, teríamos garantias para as dívidas com a Fazenda Federal, a Estadual, além das 250 famílias que dependem do Guarani”, destacou.

Com o pedido de suspeição, o processo geral fica travado, inclusive, o pagamento dos credores. A juíza não pode tomar mais nenhuma decisão até que seja investigada pelo Ministério Público. Caso a exceção de suspensão seja indeferida, ela seguirá normalmente no comando do processo, se contrário, a Justiça do Trabalho pode mudar o magistrado que comandará o processo.

A exceção de suspeição ocorre pela verificação de elementos subjetivos que podem prejudicar a necessária imparcialidade que deve nortear uma atividade judicial. Nessa modalidade de exceção, não haverá nunca a certeza do prejuízo à imparcialidade do magistrado, mas sempre uma suspeita de que o mesmo poderá agir mediante influência desses elementos subjetivos. A própria juíza, ainda, pode entrar com o processo por motivo íntimo.

FUNCIONÁRIOS SOFREM
Segundo presidente bugrino, com a oferta da Magnum, os credores do Justiça Trabalhista já receberiam o dinheiro a partir do dia 22 (segunda-feira). No caso da Maxion, a dívida seria paga apenas, após todos os recursos serem julgados, o que levaria no mínimo “de quatro a cinco anos”.

“Não vejo motivo para cassação (da juíza). Ela foi arrojada, teve coragem e iniciativa que ninguém teve nos últimos anos. Credores estão há 15 anos sem receber iriam receber”, argumentou o mandatário alviverde.

Horley Senna também revelou que funcionários do clube solicitaram uma reunião para discutir a situação. Embora o time esteja com salários em dia, os funcionários não recebem há três meses, totalizando cerca de R$ 300 mil de dívidas. Por conta disso, o clube foi ameaçado de pagar uma multa R$ 400 mil, além de multa diária de R$ 1 mil até que os salários atrasados fossem pagos. Não bastasse isso, o dinheiro das mensalidades dos sócios patrimoniais foram bloqueadas.

“Os nossos funcionários também estão preocupados, porque também já vislumbravam o recebimento deste dinheiro. Agora, este decisão do MP vem atrapalhar. Hoje, o departamento de futebol está com tudo em dia, porque temos abnegados que estão disposto a ajudar o futebol, mas não funcionários. Estávamos utilizando o dinheiro do sócios para pagar algum tipo de vale, mas agora nem isso pode ser feito”, concluiu.

Brinco de Ouro continua de pé, mas Guarani parece ruir cada vez mais a cada decisão judicial

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RELEMBRE
No dia 30 de março, a Justiça do Trabalho aceitou a oferta da Maxion de R$ 105 milhões, que se dispôs a pagar 30% do valor total à vista – algo em torno de R$ 31,5 milhões. O restante será pago em 12 parcelas de R$ 6,1 milhões. Antes do leilão, a juíza Ana Claudia Torres Vianna declarou que não aceitaria menos que R$ 126 milhões, valor mínimo imposto para que o leilão ocorresse. Porém, a Maxion foi única empresa a fazer uma oferta.

O terreno do estádio – a área tem em torno de 80 mil metros quadrados, localizado na região nobre da cidade, no bairro Jardim Proença -, está em penhorado desde 2011 por dívidas que, na época, ultrapassavam os R$ 50 milhões com a Justiça do Trabalho. Hoje, somente as dívidas trabalhistas executadas já chegam a R$ 70 milhões. Estima-se que a dívida total do clube gira já supere os R$ 250 milhões.

No último dia 18 de março, três empresas ofertaram muito abaixo do valor mínimo estipulado pela Justiça e, por isso, a juíza Ana Claudia Torres Vianna recusou. Na época, o Grupo Magnum, parceira do Guarani no início do ano, ofereceu “apenas” R$ 55 milhões, enquanto um grupo de empresários de Jaboticabal ofertou menos ainda, R$ 45 milhões. A Lances Negócios Imobiliários foi a empresa que tinha feito a maior oferta, que girava em torno de R$ 60 milhões.

A empresa Maxion Empreendimentos Imobiliários deve utiliza o terreno do Brinco de Ouro para a construção de algo adequado as necessidades de Campinas. O grupo ainda conversará com a Prefeitura para uma definição, já que a decisão tomada pela juíza Ana Claudia Torres Vianna não tem validade imediata. A diretoria do Guarani disse que irá recorrer à Justiça para que o leilão seja anulado.

O poder público tem mostrado disposição para auxiliar o Bugre no caso. Como o município detém duas das cinco matrículas do Brinco, promete embargar o leilão caso haja prejuízos ao clube. A Câmara dos Vereadores também criou uma comissão para acompanhar o caso de perto.

No início do mês de abril, a Justiça do Trabalho recusou uma oferta do Grupo Sena, que pretendia pagar R$ 220 milhões pelo terreno do Brinco. Valor duas vezes maior que a oferta a arrematação da Maxion. O problema é que, para depositar o dinheiro, a empresa exigia que a Prefeitura liberasse as duas matrículas pertencentes ao município. A proposta acabou rejeitada pela juíza Ana Cláudia.

O departamento jurídico alviverde já havia entrado com um pedido de embargo logo depois da juíza ter “batido o martelo” em favor da Maxion Empreendimentos Imobiliários no leilão e o caso se estendeu. Com as ameaças e travar a venda, o presidente do Bugre, Horley Senna, e empresário Roberto Graziano, dono da Magnum, apresentaram aos juízes Ana Cláudia Torres Viana e Carlos Eduardo Oliveira Dias uma proposta para quitar as dívidas trabalhistas e ter posse novamente do estádio.

A oferta bugrina, que conta com condicionantes e precisaria ser aprovada pela Prefeitura de Campinas, gira em torno de R$ 81 milhões – sendo R$ 21 milhões à vista e mais 44 parcelas de R$ 350 mil, além dos R$ 44,5 milhões que estão presos na Justiça Federal devido ao leilão realizado no dia 27 de novembro, quando a Magnum, a pedido de Horley Senna, arrematou o Brinco de Ouro da Princesa.

As propostas foram apresentadas aos conselheiros do Bugre e os sócios votaram em favor do Grupo Magnum. Sendo assim, a empresa comandada por Roberto Graziano se reuniu novamente com a Justiça do Trabalho e apresentou um plano de pagamento aos credores. As dívidas executadas giram em torno de R$ 60 milhões. O acordo feito é que os credores que tem direito a R$ 100 mil receberão 100% dos direitos, enquanto os que tem dívidas acima de R$ 100 mil embolsarão 90% das dívidas.

O pagamento acontecerá após a decisão sobre qual empresa ficará com o estádio.