Guarani virou SAF, mas o bilionário ainda não assumiu; entenda o que falta

Associados autorizaram a criação da empresa que controlará o futebol, mas a venda de 90% para o grupo de Roberto Graziano ainda depende da conclusão e da aprovação do contrato

O Guarani aprovou a transformação de seu departamento de futebol em SAF, mas o negócio de R$ 1,075 bilhão ainda não foi fechado

Guarani se apróxima de venda da SAF
Guarani se apróxima de venda da SAF (Foto: Divulgação-GFC)

Campinas, SP, 05 (AFI) – O Guarani tornou-se uma Sociedade Anônima do Futebol, mas o grupo interessado em adquirir 90% da nova empresa ainda não assumiu o clube. A diferença entre as duas decisões ajuda a explicar por que a aprovação celebrada na última sexta-feira não encerrou as discussões sobre o futuro do Bugre.

Por 235 votos a 12, os associados autorizaram a constituição da SAF. A medida permite separar o futebol profissional da estrutura associativa e criar a empresa que poderá receber investimentos, assumir obrigações e controlar a operação esportiva.

A votação, entretanto, não representou a venda imediata de 90% do futebol para Roberto Graziano. O contrato com o empresário ainda não estava concluído e, por isso, foi retirado da assembleia. O documento precisará passar por nova análise antes de ser submetido à aprovação.

O que foi aprovado?

Os associados autorizaram o Guarani a criar sua SAF. Na prática, essa decisão estabelece o veículo jurídico pelo qual o futebol poderá ser administrado como empresa.

A associação Guarani Futebol Clube continuará existindo. Ela não perdeu automaticamente o Brinco de Ouro, o patrimônio, os símbolos ou o controle de todas as atividades do clube apenas porque a criação da SAF recebeu sinal verde.

A mudança também não colocou dinheiro imediatamente no caixa. Sem a assinatura do contrato com o investidor e o cumprimento das etapas previstas, o Guarani continuará responsável pelo futebol e pelas decisões urgentes da temporada de 2027.

O que ainda não foi aprovado?

A venda de 90% das ações da SAF para o grupo de Roberto Graziano continua pendente. A associação permaneceria com os outros 10%, mas as condições dessa transferência precisam constar na versão definitiva do contrato.

O documento discutido por dirigentes e conselheiros possui dezenas de páginas e passou por alterações. A demora na consolidação do texto fez o clube separar as duas votações: primeiro, a autorização para criar a SAF; depois, a possível entrada do investidor.

Uma nova assembleia deverá analisar o contrato completo. Os associados precisarão conhecer as obrigações de cada lado, os prazos, as garantias, as penalidades e as condições para o cumprimento dos investimentos.

De onde vem o valor de R$ 1,075 bilhão?

O pacote apresentado chega a R$ 1,075 bilhão, mas o valor não corresponde a uma transferência única para a conta bancária do Guarani.

A proposta foi dividida desta maneira:

  • R$ 400 milhões para a operação da SAF e do clube social;
  • R$ 300 milhões destinados à construção de um novo estádio;
  • R$ 25 milhões para um centro de treinamento;
  • até R$ 350 milhões para o passivo incluído na Recuperação Judicial.

Os valores também não seriam necessariamente utilizados de uma só vez. O contrato definitivo precisa detalhar os cronogramas de aportes, as condições para a liberação dos recursos e as consequências em caso de descumprimento.

Essa será uma das questões centrais da próxima votação. Mais importante do que o número global é saber quanto entrará no futebol nos primeiros anos e quais garantias reais o Guarani terá de que as obras e os pagamentos serão executados.

Brinco de Ouro entra no centro do negócio

A proposta envolve a exploração imobiliária da área do Brinco de Ouro. O planejamento apresentado trabalha com a possibilidade de construção de aproximadamente 1.200 apartamentos e de uma nova arena para o Guarani.

O projeto transforma o estádio em uma das peças mais valiosas da operação. Por isso, o contrato deverá esclarecer a propriedade dos terrenos, o destino das receitas imobiliárias, o local das partidas durante uma eventual obra e o que acontecerá se o novo estádio não for concluído.

A promessa é de que a nova arena seja entregue entre dois e três anos depois da obtenção das licenças necessárias. O prazo, entretanto, dependerá de aprovações urbanísticas, ambientais e financeiras.

Quem controlará o futebol?

Se a venda for aprovada nos termos apresentados, o grupo de Graziano passará a controlar 90% da SAF. Isso lhe dará maioria para conduzir o futebol profissional, definir o orçamento, contratar executivos e estabelecer o planejamento esportivo.

A associação manterá 10% das ações e deverá conservar mecanismos de proteção sobre nome, cores, escudo, símbolos e identidade. O tamanho de sua influência nas decisões cotidianas dependerá, porém, das regras de governança previstas no contrato.

Também será necessário definir quem representará o clube nos conselhos, quais matérias dependerão de aprovação da associação e quais instrumentos poderão ser utilizados para fiscalizar os investimentos.

Futebol não pode esperar

Enquanto a negociação avança, o Guarani precisa preparar a próxima temporada. Umberto Louzer continua vinculado ao clube, mas foi emprestado ao Criciúma. O elenco foi esvaziado e 21 contratos tinham término previsto até dezembro.

A paralisação do calendário oferece tempo para a reestruturação, mas também aumenta o risco de atraso. Jogadores ficam livres, adversários começam a contratar e o Campeonato Paulista se aproxima sem que esteja definido quem tomará as decisões do futebol.

O investidor ainda não assumiu. Portanto, a responsabilidade pela montagem do elenco continua nas mãos da atual administração até que o negócio seja aprovado, assinado e formalmente concluído.

A votação representou um passo histórico, mas não a chegada. O Guarani criou a estrutura que poderá receber o investimento bilionário. Agora, terá de decidir se aceita o contrato que entregará 90% do futebol — e garantir que a maior promessa financeira de sua história não permaneça apenas no papel.

O caminho até o investidor assumir

  1. Constituição formal da SAF;
  2. Conclusão da versão definitiva do contrato;
  3. Apresentação integral aos associados;
  4. Análise jurídica e administrativa;
  5. Convocação de nova assembleia;
  6. Aprovação da venda de 90%;
  7. Assinatura do contrato;
  8. Transferência dos ativos e obrigações previstos;
  9. Cumprimento das condições iniciais;
  10. Entrada efetiva do novo controlador.

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