GRINGOS NO BRASIL: Dátolo e Pratto brilham, Guerrero decepciona e Verdão tem "ajudanoix"

Dátolo e Pratto levaram o Atlético-MG ao vice do Brasileirão. Silva foi bem no Vasco, e Cristaldo roubou a cena no Palmeiras pelo

Dátolo e Pratto levaram o Atlético-MG ao vice do Brasileirão. Erazo foi bem no Grêmio e Cristaldo "ajuxnoix" roubou a cena no Palmeiras

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Campinas, SP, 24 (AFI) – Cada vez em maior número no futebol brasileiro, seja na Série A, B, C ou D do Campeonato Brasileiro, os jogadores gringos, especialmente os argentinos, são os principais alvos do times brasileiros nas janelas de transferências e vêm correspondendo aos altos investimentos.

Em 2015, dos 43 estrangeiros distribuídos em 16 times da Série A, nomes como o dos argentinos Dátolo e Lucas Pratto, do Atlético-MG, Martín Silva, do Vasco, do peruano Guerrero, que trocou o Corinthians pelo Flamengo e não se deu tão bem assim, e do palmeirense Cristaldo, foram bastante comentados.

Cada vez mais adaptado ao estilo de jogo brasileiro, o estrangeiro parece não usar mais o futebol tupiniquim como ponte para conseguir uma transferência para a Europa. Identificados com as torcidas, alguns resolvem ficar e viram ídolo de uma nação. O maior exemplo disso é o argentino D’Alessandro, que chegou ao Inter em 2008 e virou ídolo da nação Colorada com as boas atuações e, sobretudo, pela raça demonstrada em campo.

URSO NO GALO = SUCESSO
Ainda é cedo, mas a identificação de D’Alessandro com o Inter se assemelha à de Lucas Pratto com a torcida do Atlético-MG. O centroavante, compatriato de D’Ale e apelidado de “Urso” na Argentina, chegou ao Galo em 2015 e logo caiu nas graças da massa atleticana. Titular desde o início da temporada, chamou a atenção pelo seu faro de artilheiro, visto que é bom finalizador tanto dentro como fora da área, aliado à raça habitual dos “Hermanos”.

Pratto se adaptou rápido ao futebol brasileiro e brilhou pelo Galo em 2015

Pratto se adaptou rápido ao futebol brasileiro e brilhou pelo Galo em 2015

Ao longo do ano, foram 23 gols com a camisa do Galo, sendo 13 deles em 36 partidas pelo Brasileiro. Revelado no Boca Juniors, Pratto, que ainda passou pelo futebol da Noruega e Itália, defendeu a Universidad Católica do Chile e brilhou no Vélez Sarsfield, onde chamou a atenção do Galo, teve como atuação mais marcante em 2015 a vitória por 3 a 1 sobre o São Paulo, na 16ª rodada. Na ocasião, ele marcou os três gols do triunfo e levou o time mineiro à liderança, “roubada” mais tarde pelo Corinthians.

3º QUE MAIS JOGOU
O Atlético-MG não teve apenas um estrangeiro que se destacou na temporada de 2015. Preterido por Dunga no Internacional, Jesus Dátolo reencontrou o bom futebol da época do Boca Júniors no Atlético-MG, ainda em 2014, quando foi um dos responsáveis pelo título da Copa do Brasil, e, nesta temporada, adaptado ao Galo, brilhou novamente e foi essencial na campanha do vice-campeonato brasileiro.

Revelado pelo Banfield, o jogador alcançou a marca de 100 jogos com a camisa atleticana, o que o transformou no 3º estrangeiro a realizar este feito, se igualando ao goleiro argentino Ortiz. Com 195 partidas, o lateral uruguaio Cincunegui é o estrangeiro que mais atuou pelo Galo.

GOLS, CARISMA E AJUDANOIX
Com gols, carisma e irreverência, o atacante argentino Jonathan Cristaldo conquistou a torcida palmeirense em 2015 e virou uma espécie de talismã no Alviverde. Quase rebaixado com o Verdão em 2014, o atacante, que foi comprado pelo Palmeiras junto ao Metalist, da Ucrânia, com um suporte financeiro do presidente Paulo Nobre, deu a volta junto com o time em 2015 e foi o 12º jogador da equipe nesta temporada.

Com carisma e gols, Cristaldo conquistou a torcida palmeirense

Com carisma e gols, Cristaldo conquistou a torcida palmeirense

“Churry”, como ficou conhecido no Brasil, com três gols e muita frieza e categoria nas cobranças de pênalti na semifinal e final diante de Fluminense e Santos, foi fundamental na conquista da Copa do Brasil, e terminou o ano como 3º artilheiro do Palmeiras em 2015. Além da raça e dos gols em campo, o argentino ficou marcado pelo termo “ajudanoix”, que virou hashtag em todos os posts do jogador e caiu na boca dos palmeirenses. Pretendido pelo Rubin Kazan, da Rússia, o atacante não sabe se fica em 2016, mas é certo que tem um espaço no coração do palmeirenses, independente de seu destino.

COMEÇO DEVAGAR, DECISIVO NA COPA DO BRASIL E 2016 PROMETE

Não só de Cristaldo se limitou o Palmeiras no que se refere a gringos em seu elenco em 2015. Além do argentino carismático, o Verdão, que já tinha Mouche e Allione, remanescentes do plantel de 2014, apostou, com ajuda da Crefisa, patrocinador master do clube, no argentino naturalizado paraguaio Lucas Barrios para ser o homem-gol do Alviverde.

Com vencimentos extremamente altos – cerca de R$ 700 mil, bancados integralmente pela Crefisa – o centroavante demorou um pouco a se adaptar, especialmente pelo desgaste físico, já que não teve férias em razão da participação da Copa América pela Seleção Paraguaia, que eliminou o Brasil nas quartas e caiu nas semis para a Argentina, e, também, em decorrência da programação dos calendários diferentes – Barrios estava no futebol europeu, no Montpellier, da França, e lá os clubes saem de férias no final de maio, mas Barrios não teve como descansar, já que a Copa América teve início no meio de junho.

Decisivo na Copa do Brasil, Barrios vem caindo nas graças da torcida palmeirense

Decisivo na Copa do Brasil, Barrios vem caindo nas graças da torcida palmeirense

Passado um período sem gols, Barrios marcou seu primeiro gol com a camisa palmeirense nas oitavas de final da Copa do Brasil diante do Cruzeiro. Foi na Copa do Brasil, inclusive, que o centroavante se mostrou mais decisivo. Apesar de marcar três vezes contra o Fluminense pelo Brasileiro, o paraguaio brilhou mesmo no jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil diante do mesmo Fluminense, contra quem marcou os dois gols palmeirenses.

Na final, Barrios não sentiu a pressão e foi um dos melhores em campo. Começou a jogada do primeiro gol, marcado por Dudu, e deu muito trabalho para os zagueiro santistas. Como mostrou poder de decisão quando o time mais precisava, espera-se que Barrios, descansado, brilhe ainda mais em 2016.

2015 PRA ESQUECER
Quem não teve muito o que comemorar em 2015 foi o goleiro Martín Silva, do Vasco. Apesar d a arrancada no ótimo segundo turno vascaíno e das defesas que, em muitos jogos, evitaram derrotas do time, o Vasco foi rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro pela 3ª vez em sua história.

Mesmo assim, o arqueiro, que brilhou, por exemplo, no empate sem gols com Grêmio na 32ª rodada e garantiu um ponto ao time da Colina, garantiu que fica em 2016, ao contrário dos outros seis gringos do time carioca, que devem sair. Apenas Herrera e Guiñazu têm chance, mesmo que pequena, de permanecer em São Januário na próxima temporada.

As defesas de Martin Silva não foram suficientes para evitar o 3º rebaixamento do Vasco em sua história

As defesas de Martin Silva não foram suficientes para evitar o 3º rebaixamento do Vasco em sua história

O que rebaixou o Vasco, mais uma vez, à Série B, foi, de fato, a campanha vexatória do primeiro turno, quando o time de São Januário era comandado por Celso Roth. Sob o comando do treinador, o Vasco conseguiu perder para adversários diretos na briga contra o rebaixamento, como o Figueirense, amargar goleadas humilhantes – 4 a 1 para o Palmeiras, por exemplo – e levou seu torcedor à ira. A fase era tão ruim que até Martín Silva não passou ileso. Justamente na derrota diante do Palmeiras em São Januário, o goleiro falhou em dois dos quatro gols do time paulista e foi substituído por Celso Roth no intervalo. O episódio facilitou ainda mais a saída do treinador do time carioca.

DECEPÇÃO RUBRO NEGRA
Contratado a peso de ouro pelo Flamengo – R$16 milhões em luvas e R$650, 00 mensais, o que, no final do contrato, rende custo de R$41 milhões ao Flamengo – Guerrero não correspondeu a toda expectativa criada pelos torcedores do Fla em razão dos gols e títulos que conquistou no Corinthians.

Na verdade, o Peruano de 31 anos, revelado pelo Alianza Lima, do Peru, e que ainda tem passagens pelo Bayern de Munique e Hamburgo antes de fazer sucesso no Corinthians, começou bem no Rubro-Negro e colocou fim ao caô por alguns dias marcando nos três primeiros jogos com a camisa do Fla. No entanto, de “salvador do caô”, o atacante peruano passou a viver um inferno astral e terminou a temporada, marcada por lesões e suspensões, com apenas 4 gols em 20 jogos – média de um gol a cada 5 jogos.

Guerrero passou de

Guerrero passou de “salvador do caô” a viver inferno astral no Fla e fez sua pior temporada no Brasil

O último gol de Guerrero com a camisa do Flamengo foi marcado no dia 23 de agosto, em vitória diante do São Paulo, quando o centroavante chorou e desabafou em campo. Apesar do mau rendimento no Rubro-Negro, Guerrero conseguiu ser indicado à pré-lista dos 59 candidatos à Bola de Ouro pela bom início de ano no Timão e pela Copa América que fez com o Peru – foi artilheiro do torneio, com 4 gols em 7 jogos, média de 0,57

Gringos na Série A do Campeonato Brasileiro:

Atlético-MG – Cárdenas, Dátolo e Lucas Pratto
Atlético-PR – Pereirinha, Vilches e Hernández
Avaí – Toshi
Corinthians – Mendoza e Romero
Coritiba – Cáceres
Cruzeiro – Ariel Cabral, De Arrascaete, Joel e Mena
Figueirense – Cereceda
Flamengo – Armero, Cáceres, Cantero e Guerrero
Fluminense – Oliveira
Grêmio – Brian Rodriguez, Erazo e Maxi Rodríguez
Internacional – Aránguiz, D’Alessandro, Nicolás Freitas, Lisandro López e Luque
Joinville – Trípodi
Palmeiras – Allione, Cristaldo, Mouche e Barrios
Santos – Valencia e Ledesma
São Paulo – Centurión, Guisao
Vasco – Emmanuel Biancucchi, Felipe Seymour, Guiñazu, Julio dos Santos, Herrera, Martín Silva e Riascos