Giba, o 'Messias' que salvou o Guarani da degola
Técnico reverteu situação crítica do clube na competição

Você, bugrino, que agora exibe um sorriso de ‘orelha a orelha’, após a maiúscula vitória de virada sobre o Náutico por 3 a 1 em Campinas, que vibra com a franca recuperação do Guarani no Campeonato Brasileiro da Série B, reflita o quanto você foi injusto ao malhar o técnico Giba como um ‘Judas’ em sábado de Aleluia. Você, que nesta terça-feira vaiou o treinador após a saída do volante Dadá, no intervalo, também se precipitou, porque ele saiu machucado.
Há um mês, quando se imaginou o Guarani no fundo do poço após a normalíssima derrota por 3 a 1 para o Sport, em Recife, Giba mandou um recado em alto e em bom som ao bugrino: “Começamos a disputar um campeonato paralelo para evitar o rebaixamento. E o Guarani não vai ser rebaixado”.
Claro que pra não ser rebaixado a estratégia seria somar pontos até com alguns empates em casa (leia-se Araraquara), como aquele 0 a 0 diante do Vitória, quando ele foi chamado de burro pela torcida ao tirar o meia Felipe e reforçar a defesa com o zagueiro Aislan. Giba preferiu uma andorinha presa que dez voando.
Saiba você, bugrino, que Giba caiu do céu para o Guarani. Que técnico pacientemente conseguiria motivar subordinados que não recebem salário? Poucos.
Alguns ardilosos, que você bem conhece por aí, usariam pagamentos atrasados como justificativa irrefutável a cada fracasso.
Giba preferiu trabalhar com todas as frentes possíveis para driblar adversidades e suavizar o drama do Guarani desde a sua chegada ao clube. Foi até antiético em nome da transparência, quando criticou a comissão técnica anterior sobre precária condição física do grupo.
Ciente das claras limitações de um elenco inchado e da falta de recursos para contratações, optou pelo jogo-peneira, que nada mais foi que avaliação do maior número possível de jogadores durante as partidas da competição. Quem respondesse positivamente asseguraria o espaço, e as lacunas persistiriam até que alguém se habilitasse a preenchê-la.
Ao acirrar a competição interna por vagas no time, de certo Giba emendou outra mensagem: o atleta deveria lutar para resgatar a sua imagem à sequência da carreira, seja no Brinco de Ouro ou qualquer outro clube. O fracasso resultaria em perda maior.

Os jogadores assimilaram a realidade, a produção geral foi melhorada, e o garimpo de Giba deu certo. Hoje, jogadores como o lateral-direito Chiquinho, zagueiro Ewerton Pascoa, volante Leandro Carvalho e o antes inconstante meia Felipe estão recuperados.
Giba ainda deu personalidade ao volante Dadá e o atacante Denílson. E como a hipótese de erro teria de ser mínima em contratações, acertou em cheio ao trazer o meia Renato e o atacante Marcelo Macedo.
Calma aí, nego. Façamos justiça também ao trabalho tático de Giba em jogos importantes. Mesmo na derrota acidental por 2 a 0 para a Portuguesa, deu um ‘nó tático’ no treinador Jorginho, que preferiu sair pela tangente, na ocasião. “Vencemos, mas não jogamos nada”.
Naquele jogo, o Guarani adiantou a marcação e com isso a Lusa passou a rifar a bola, de forma que a recomposição bugrina fosse imediata. O Bugre criou, não marcou, e a Lusa foi competente nas duas chances.
Evidente que em outras ocasiões Giba também errou, principalmente quando optou pela formação com três zagueiros, todos lentos.
Seu time foi dominado no primeiro tempo do jogo contra o Americana, no Estádio Décio Vitta, porque ele ignorou o toque de bola envolvente do adversário no meio-de-campo. Todavia se redimiu no intervalo quando adiantou a marcação com a entrada do volante Leandro Carvalho no lugar do zagueiro Gabriel. Aí o jogo ficou equilibrado e o Bugre ganhou por 2 a 1.
Portanto, claro está que o índice de acertos de Giba é significativamente maior. Na vitória contra o Náutico, até que arrumou o time corretamente desde o início, com três volantes, porque o adversário tem qualidade no setor e atacantes rápidos.
Só que no segundo tempo ele foi arrojado ao abrir o time com dois atacantes rápidos pelos lados do campo – casos de Denílson e Fabinho – e acreditar que com maior volume de jogo e conseqüentes oportunidades criadas, o atacante Marcelo Macedo pudesse convertê-las. Projeção correta.
Lógico que a precária condição física do Náutico no segundo tempo contribuiu para o crescimento do Guarani. Uma pena que o talentoso meia Eduardo Ramos tivesse gás para apenas um tempo de jogo. Esse rapaz é bom de bola.





































































































































