Garcia responsabiliza diretoria pela eliminação do Corinthians na Copa do Brasil

Não só pela falta de comando, mas como pela falta de condições dos homens que dirigem o futebol neste momento

Falando com exclusividade para o Portal Futebol Interior, Paulo Garcia (foto abaixo), que concorreu nas últimas eleições a presidente do clube contra Mário Gobbi e alcançou nada menos que 40% dos votos válidos, afirma, com todas as letras.

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São Paulo, SP, 27 (AFI) – Falando com exclusividade para o Portal Futebol Interior, Paulo Garcia (foto abaixo), que concorreu nas últimas eleições a presidente do clube contra Mário Gobbi e alcançou nada menos que 40% dos votos válidos, afirma, com todas as letras, que a eliminação do Corinthians na Copa do Brasil é resultado de má gestão da atual diretoria.

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“Foi um desastre anunciado. Há tempos vínhamos alertando internamente no clube, em conversa com conselheiros, que o departamento de futebol estava à deriva. Só o técnico Tite trabalhava para por ordem na casa. Mas a diretoria sempre deu de ombros para nossos alertas”.

Garcia vai além e bate duro:

“Tudo é uma questão de exemplo. Como é que pode um clube como o Corinthians ser dirigido por alguém que, sendo delegado de polícia, convive harmoniosamente com um bicheiro, um contraventor, que age no clube com toda a desenvoltura, promovendo festas, cuidando de obras e anunciando tudo o que faz nas redes sociais. É só acessar o facebook da cidadão para tirar qualquer dúvida a respeito”.

Garcia não poupa também o diretoria de futebol:

“Jogadores organizam rodas de jogo de cartas e saem com diretores do departamento para a noite. Onde está a hierarquia, como é que fica a postura de um diretor que sai para beber com um atleta do elenco até de madrugada? É visível até para quem não é do futebol a queda de rendimento da equipe dentro do campo em 2013. Lógico, noitadas não combinam com a performance que se espera de um profissional que tem no condicionamento físico a base para realizar seu trabalho”.

Para Garcia o departamento está um caos:

“Você pode admitir que num jogo decisivo como o de quarta-feira contra o Grêmio o diretor de futebol não estivesse em Porto Alegre acompanhando a delegação? Que permanecesse em São Paulo vendo a partida pela televisão.?! Agora, para levar o Alexandre Pato para evento da empresa onde ele, diretor de futebol, trabalha, o mesmo achou tempo. Pergunto: isto não é usar um patrimônio do clube, que custou 40 milhões de reais, utilizando as facilidades do cargo”?

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Para Garcia a situação de Pato não chegaria ao ponto que chegou hoje em dia, rejeitado pela torcida, se houvesse um comando no futebol. Para não se limitar a críticas, Garcia é enfático, dizendo como conduziria o clube:

“Se estivéssemos lá, teríamos colocado um freio quando o atleta afirmou após a eliminação do Corinthians na Libertadores frente ao Boca Juniores, caso estivesse em campo desde o início da partida a história seria diferente. Uma clara crítica pública ao treinador, que é seu chefe”.

Garcia acha que ali a diretoria se omitiu e teve início a falta de controle sobre o elenco.

“Se você não corta o mal pela raiz acaba dando no que deu. Pato tinha que ser repreendido energicamente na ocasião. O seu desleixo para cobrar um pênalti decisivo como o de quarta-feira é inadmissível. Porém, é apenas reflexo de sua falta de noção do que é jogar no Corinthians. E da importância disso”.

Garcia argumenta que a desclassificação da maneira como se deu é lamentável, pois vai ocasionar perdas em todos os aspectos para o clube e não apenas pelas rendas que o clube ganharia com a disputa da Libertadores, que agora ficou muito difícil de atingir pela classificação do Campeonato Brasileiro.

“Como corintiano, vou torcer e acreditar até o fim. Pois ficar fora da Libertadores será muito ruim. A exposição da nossa marca será menor”, ele lembra. E os contratos de patrocínio em consequência serão menos valorizados. “Se minhas críticas servirem para endireitar as coisas, melhor ainda”, completa Garcia.

Para finalizar, Garcia arremata:

“Se faço esta análise é porque sou cobrado diariamente por aqueles que votaram em nós e que pedem que eu me expresse. Se não o fiz antes publicamente foi para não ser acusado de querer tumultuar o ambiente. Mas, tenho certeza de que cumpri meu papel: a quem de direito fiz os alertas com antecedência. Agora não dá mais para se calar diante dos desmandos que vem ocorrendo. O Corinthians teve prejudicado seu orçamento para 2014.

Para Garcia, a inabilidade da atual gestão também se mostra na discussão fora de hora pela demissão de Tite.

“Como é que pode a diretoria se reunir para decidir se Tite ia ser demitido ou não e deixar a imprensa esperando do lado de fora para saber o resultado da conversa? É coisa de juvenil, de quem não protege assuntos internos do clube, de falta de atitude, de posicionamento. O desgaste para um treinador sério como o Tite foi imenso com o episódio. Você acha que os jogadores não acompanharam tudo?”

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Garcia classifica como lamentável a postura da atual diretoria.

“Todos sabem como perdemos as eleições e de todas as dificuldades que tivemos para termos acesso até mesmo a lista de associados em condições de voto. Centenas de nomes dados como aptos para votar não constavam da lista inicialmente fornecida. Para isso, eles são ótimos.”

Segundo Garcia sua manifestção apenas atende aos pedidos de seus apoiadores para que ele se manifestasse.

“Que Mário Gobbi não gosta de futebol e nunca frequentou estádios nem jogos do Corinthians, ele mesmo já confessou, até em reuniões do Conselho Deliberativo!!!. E o futebol está entregue a pessoas que, definitivamente, não nasceram para comandar. Nunca fizeram isso antes, nem no futebol nem em sua vida profissional, então não sabem como fazer. E já está um pouco tarde para começarem a aprender. O Corinthians não pode ser um laboratório, um campo de teste para quem não tem familiaridade com futebol ou administração dos assuntos de interesse de uma enorme coletividade. Porque há mais de 30 milhões de pessoas que estão sofrendo pelo maneira amadora e desastrada como o clube está sendo dirigido”.