Ganhei um presentaço de meu filho

Ganhei um presentaço de meu filho

washington.olivettoNesse tempo todo contando causos aqui no FUTEBOL INTERIOR, ainda não contei que, para me sustentar no rádio, tinha que vender propaganda. Reclames, na época. Quantas vezes avistei ao entrar nos estabelecimentos a placa:

“Verbas para donativos e reclames estão esgotadas”.

Até que não era nada mal por que não perdia tempo. Quando vendia, o anunciante chamava esposa e filhos para elaborarem o texto. Tudo que havia nas prateleiras eles escreviam… tijolo, pedra, cimento, cal, areia, arames, parafusos, martelos, serrotes…. e a lista não tinha fim. Quando a propaganda era para transmissão de futebol então… meu Deus do céu! Pior, metade da conta era paga com mercadorias, a famosa permuta, sobre a qual eu não recebia a comissão de venda.

Gênio da publicidade
O avanço da publicidade só chegou com o gênio da criação, WASHINGTON LUIZ OLIVETTO. E tudo aconteceu por causa de um pneu furado. Sim, a caminho de uma das duas faculdades que ele fazia, (nenhuma concluída) o pneu do velho fusca furou bem de frente a uma agência de propaganda, a HGP. Olivetto, que não tinha nenhuma habilidade com a chave de rodas, entrou na tal agência, pediu emprego de estagiário e, contratado, mudou o rumo da publicidade no Brasil. Ah, sim, alguém troucou o pneu para ele.

Washington Olivetto é responsável pela criação das campanhas mais lembradas pelo público brasileiro: “O Homem com Mais de Quarenta Anos”, grande vencedor do Leão de Ouro no Festival de Cannes. Depois desse, mais de 50 Leões foram conquistados: ouro, prata, bronze… A W/Brasil é uma das agências mais premiadas no mundo, com aproximadamente 1000 (mil) prêmios: Clio Awards, CCSP entre outros.

Grandes sacadas
Foi ele quem criou o garoto-propaganda da Bombril, com o ator Carlos Moreno, que acabou indo parar nas páginas do Guinness Book como o garoto-propaganda com mais tempo de permanência ao longo dos anos. É Washington, também, o responsável pela criação das campanhas: “Sapato Vulcabrás”, “O Cachorro da Cofap”, “O Casal Unibanco” e talvez o mais lembrado e aplaudido: “Primeiro Sutiã”, feito para a Valisère”.

Não afeito a holofotes, badalações e exposições públicas, principalmente depois do sequestro em 2001, Washington Olivetto é Corinthiano roxo, tendo sido vice-presidente de marketing na época da “democracia corinthiana“. Dorme muito pouco, (diferente do J. Havilla que só acorda depois da dez) adepto da leitura e, acreditem se quiser, não tem sala de trabalho na W/Brasil, onde sempre chega antes das oito e meia da manhã.

“Sempre há uma cadeira em alguma mesa”, disse Olivetto. O filme que mais gostou foi “Nós que nos amávamos tanto”, do diretor Ettore Scola e o livro que sempre lembra é “O Apanhador no Campo de Centeio”, do autor J.D. Salinger.

Belo livro
Naturalmente o raro leitor deve estar se perguntando:

___Qual o motivo do título “Ganhei um Presentaço do Meu Filho”, se o assunto é Washington Olivetto ?

É que no Dia consagrado aos Pais, meu querido filho caçula, Guilherme Augusto, presenteou-me com o livro, escrito por Washington Olivetto, intitulado “Os piores textos de Washington Olivetto”

___Tá. Tudo bem. Você ganhou um livro escrito pelo Washington e daí ?

Daí ? Dai que o livro, além de belo e muitíssimo interesante (compre que você vai gostar) contém uma dedicatória para mim, do autor, O MAIOR CRIADOR DA PUBLICIDADE BRASILEIRA, O GÊNIO, WASHINGTON LUIZ OLIVETTO.

Washington, seu livro é ótimo. Estou me divertindo.