Gaeco divulga nota sobre Caso Lusa, fala em hipóteses e mantém sigilo total

Inquérito civil do Ministério Público de São Paulo concluiu que o jogador foi escalado de forma premeditada em partida diante do Grêmio

Gaeco também pronunciou-se sobre as investigações sobre a escalação irregular do meia Héverton na Portuguesa em 2013.

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São Paulo, SP, 13 (AFI) – O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) também pronunciou-se sobre as investigações sobre a escalação irregular do meia Héverton na Portuguesa em 2013. O Gaeco divulgou que “diversas hipóteses ainda estão sendo consideradas e que depende de aprofundamento para melhor avaliação técnico-jurídica”.

O Gaeco também garantiu que todas as informações serão mantidas em sigilo para que nenhuma das partes seja acusada de forma leviana. Para o grupo, será respeitado o “princípio da busca da verdade real e a preservação da imagem de possíveis investigados, nos termos do princípio da presunção da inocência”.

Caso Héverton é investigo pelo Gaeco

Caso Héverton é investigo pelo Gaeco

Inquérito civil do Ministério Público de São Paulo concluiu que o jogador foi escalado de forma premeditada em partida diante do Grêmio, no Canindé, após funcionários da Portuguesa terem recebido vantagens financeiras. Com a irregularidade, a equipe foi punida com a perda de quatro pontos e acabou rebaixada para a Série B – na semana passada, faltando cinco rodadas para o fim do torneio, o clube caiu novamente, agora para a Série C.

Nesta quarta-feira, o promotor Roberto Senise Lisboa revelou os nomes dos diretores da Portuguesa que sabiam da condição irregular de Héverton no último jogo do Brasileiro de 2013. Ele aponta o ex-presidente Manuel da Lupa, o advogado Valdir Rocha e o ex-vice-presidente de futebol, Roberto dos Santos, além de outros dois funcionários, como os possíveis responsáveis pela omissão dos dados sobre a suspensão de Héverton que causou a perda de quatro pontos e o rebaixamento. Senise reafirmou que os indícios apontam para um erro proposital.

O próximo desafio das investigações é descobrir movimentações financeiras que concretizem a fraude. Para isso, o Gaeco quebrou o sigilo bancário de funcionários da Portuguesa. O MP reiterou que o clube figura como uma das vítimas do inquérito civil e que a Portuguesa não está sendo investigada.

Beneficiados pela queda da Lusa, Flamengo e Fluminense estão sendo apontados como possíveis clubes que poderiam ter oferecido dinheiro à Lusa, mas ambos negam de forma veemente qualquer envolvimento neste caso. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) afirmou que só irá tomar medidas quando o inquérito for concluído.

Confira a nota divulgada pelo Gaeco:

“O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) – Núcleo São Paulo investiga a prática de possíveis delitos com eventual configuração de organização criminosa (de características ainda não perfeitamente delineadas), em relação a fatos que culminaram, direta ou indiretamente, no rebaixamento da Associação Portuguesa de Desportos à Série B, no Campeonato Brasileiro de 2013.

Trata-se de investigação na qual diversas hipóteses ainda estão sendo consideradas e que depende de aprofundamento para melhor avaliação técnico-jurídica. Isto significa a necessidade de que, ao menos por ora, o conteúdo da investigação seja mantido em sigilo, a fim de se preservar o equilíbrio entre a necessidade de providências jurídicas a partir do esclarecimento dos fatos em observação ao princípio da busca da verdade real e a preservação da imagem de possíveis investigados, nos termos do princípio da presunção da inocência.

Tatiana Callé Heilman
Promotora de Justiça designada no GAECO – Capital”