Presidente do COI resiste à ideia de adiar Olimpíada: 'Não é jogo de futebol'

"Essa é uma empreitada muito complicada, em que você só pode agir com responsabilidade se tiver bases claras", disse Thomas Bach

por Agência Estado

Campinas, SP, 21 - O presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Thomas Bach, continua muito resistente à ideia de adiar os Jogos Olímpicos de Tóquio por causa da pandemia do coronavírus.

É cada vez maior a pressão na comunidade esportiva mundial pelo adiamento do evento, marcado para começar no dia 24 de julho, mas o dirigente alemão se mostra irredutível. O COB (Comitê Olímpico do Brasil) defende a ideia de transferir os Jogos para o ano que vem, assim como o comitê da Noruega.

O mesmo ocorre com as federações de atletismo e de natação dos Estados Unidos, as federações de futebol e de atletismo da Espanha e a de natação da França. A tendência é que mais entidades abracem essa ideia, mas Bach acredita que adiar a Olimpíada é uma tarefa complexa demais.

"Você não pode adiar os Jogos Olímpicos como se fossem uma partida de futebol no próximo sábado. Essa é uma empreitada muito complicada, em que você só pode agir com responsabilidade se tiver bases claras e confiáveis para a tomada de decisões. Nós estamos observando o cenário 24 horas por dia", argumentou Thomas Bach em entrevista ao grupo de comunicação alemão SWR.

Thomas Bach
Thomas Bach
O dirigente diz que também resiste à ideia de adiar os Jogos por causa dos atletas. Quando era esgrimista, Bach não pôde disputar a Olimpíada de Moscou, em 1980, porque a Alemanha acompanhou os Estados Unidos no boicote ao evento. Por isso, ele defende que é preciso realizar os Jogos de Tóquio na data marcada para não frustrar os competidores.

"O cancelamento destruiria o sonho olímpico de 11 mil atletas de 206 comitês olímpicos nacionais e da equipe de refugiados do COI. Essa seria a solução menos justa", disse o alemão.

O cancelamento dos Jogos, porém, não foi defendido por nenhuma autoridade esportiva, apenas o adiamento. Thomas Bach crê que é muito cedo para tomar uma decisão sobre a Olimpíada japonesa - afinal de contas, faltam mais de quatro meses para a cerimônia de abertura. E ele não quer estabelecer um prazo para isso, uma vez que a pandemia do coronavírus é um evento de duração e consequências imprevisíveis.

"É uma situação para a qual não há soluções ideais. É difícil lidar com essa insegurança e ainda mais difícil com essas complicadas condições de treinamento", acrescentou.

O dirigente tem pedido aos comitês nacionais para que instruam seus atletas a encontrar um jeito para continuar treinando - uma tarefa normalmente simples, mas que no momento é um desafio muitas vezes impossível de vencer.