Oséas recorda conquistas da Copa do Brasil por Palmeiras e Cruzeiro

Campeão pelo Verdão e pela Raposa, Oséas lembrou histórias dos títulos conquistados com os semifinalistas

por Confederação Brasileira de Futebol (CBF)

São Paulo, SP, 12 (AFI) - Dono de um penteado inconfundível, personalidade irreverente e de um faro privilegiado para gols decisivos, Oséas deixou sua marca na história da Copa do Brasil. O artilheiro teve a alegria de conquistar a competição mais democrática do país por duas vezes na vitoriosa carreira.

Os títulos vieram, justamente, sob o imponente verde do Palmeiras, em 1998, e debaixo do reluzente azul do Cruzeiro, em 2000. Gigantes do futebol brasileiro e rivais nesta quarta-feira (12) pelas Semifinais da atual edição do torneio.

ENTENDE COMO POUCOS
Oséas conhece como poucos o sabor de ser campeão da Copa do Brasil. O atacante fez parte de duas conquistas e garante que levantar o cobiçado troféu é uma verdadeira façanha. Em entrevista ao site da CBF, o artilheiro de Palmeiras e Cruzeiro confessou que o formato do torneio aumenta a pressão e carrega dificuldades em cada detalhe.

"É uma competição muito complicada por ser mata-mata. Tinha a questão de jogar fora de casa e marcar um gol era importantíssimo. Em casa, não podia tomar gol. São detalhes que tornavam a competição tão difícil", frisou Oséas.

Oséas recorda conquistas da Copa do Brasil por Palmeiras e Cruzeiro
Oséas recorda conquistas da Copa do Brasil por Palmeiras e Cruzeiro
A primeira conquista do artilheiro veio em 1998, quando defendia as cores do Palmeiras. Na grande decisão, o Verdão teve pela frente justamente o Cruzeiro em uma reedição da final de 1996. Na ocasião, os mineiros foram superiores e saíram com o título. Dois anos mais tarde e recém-chegado à Academia, Oséas foi trazido para integrar um elenco “montado para ganhar todas as competições“.

O atacante tinha a companhia de grandes jogadores como Alex, Zinho, Paulo Nunes, Roque Júnior… Uma constelação de craques preparada para ser campeã da Copa do Brasil. Conquista inédita para o clube e para Oséas.

"Foi uma conquista importantíssima para mim e para o clube. Nós tínhamos uma equipe muito forte, qualificada, pronta para conquistar títulos. E não foi diferente: fomos campeões da Copa do Brasil diante do Cruzeiro".

NO ALVIVERDE
O Palmeiras saiu atrás na decisão da Copa do Brasil de 1998. No primeiro confronto, no Mineirão, o Cruzeiro se impôs, venceu por 1 a 0 e levou para a segunda partida uma pequena vantagem. O duelo decisivo teve como palco o Morumbi. Ainda na etapa inicial, o Verdão igualou o placar agregado com um gol de Paulo Nunes. O jogo seguiu amarrado e intensamente brigado. Quando tudo indicava que uma disputa por pênaltis decidiria o campeão, o Alviverde teve uma falta a seu favor na entrada da área. Zinho se encarregou da cobrança. Oséas lembra que uma obsessão de Luiz Felipe Scolari, então técnico palmeirense, fez brilhar a estrela do artilheiro.

"O Felipão sempre cobrava que se acreditasse em todas as bolas e esperasse uma possível falha do goleiro. Eu, particularmente, sempre acreditava no erro do goleiro – confessou Oséas, que relembra com exatidão o desenrolar da jogada como se tudo tivesse acontecido horas atrás".

"Eu sabia da qualidade do Zinho nas cobranças e estava garoando no dia. Ele bateu muito bem a falta, bem no canto. O Paulo Sérgio (goleiro do Cruzeiro) acabou deixando a bola escapar e eu cheguei já de bate-pronto mandando para o gol. Foi muito marcante na minha história e na conquista", destacou emocionado.

Oséas credita grande parte da conquista à regência de Felipão. O artilheiro confessou uma predileção do folclórico comandante pelas competições de mata-mata e exaltou a capacidade do treinador de conquistar o vestiário e se aproximar de todos os jogadores. Para o atacante, Felipão é o melhor técnico com quem trabalhou na carreira e fez questão de valorizar o já conhecido estilo “paizão" do treinador. Não à toa, Oséas vê o Palmeiras de 2018 nos trilhos para ser campeão como o que fez parte 20 anos antes graças ao trabalho de Scolari.

"Eu sempre deixei claro que o Felipão foi o melhor treinador com quem eu trabalhei. Ele retornou ao Palmeiras de novo e está mostrando o trabalho. Temos que tirar o chapéu pelo grande profissional que ele é", comentou.

ARTILHEIRO CELESTE NA CONQUISTA EM 2000
Depois do título da Copa do Brasil de 1998, Oséas voltaria à decisão do torneio dois anos mais tarde, já com a camisa do Cruzeiro. Depois de uma vitoriosa passagem pelo Palmeiras, o artilheiro se transferiu para a Raposa em busca de novos desafios. Ao desembarcar em Belo Horizonte, foi recebido por centenas de torcedores cruzeirenses. No saguão do aeroporto, ouviu um pedido inusitado que traz risadas até hoje ao atacante.

"Eu me recordo muito bem da minha chegada ao aeroporto em Belo Horizonte e os torcedores comentavam comigo: “você tirou meu título em 1998. Agora, tem que ser campeão aqui também!“, recordou Oséas.

O pedido surtiu efeito de cara. Na Copa do Brasil de 2000, o Cruzeiro construiu uma campanha memorável e chegou à decisão sem sofrer uma derrota sequer. Oséas era um dos grandes destaques da competição e artilheiro do torneio com dez gols. Para o atacante, a artilharia é uma das grandes marcas individuais que alcançou na carreira, mas o diferencial da Raposa naquela edição do torneio mais democrático do país era o grupo.

"Em 2000, o Cruzeiro montou uma equipe muito qualificada e almejando títulos. Tínhamos grande jogadores de muita qualidade: o Ricardinho, o Cléber, o André (goleiro). Era uma equipe unida por um mesmo objetivo, de ser campeão da Copa do Brasil"– ressaltou.

GRANDE FINAL
Na grande final, o Cruzeiro de Oséas e companhia teve pela frente o São Paulo. O primeiro confronto terminou em um empate sem gols no Morumbi. A partida de volta foi disputada no Mineirão. Depois de uma etapa inicial equilibrada, o São Paulo surpreendeu os donos da casa e abriu o placar com um gol de Marcelinho Paraíba. Em desvantagem, a Raposa se lançou ao ataque e pressionou incessantemente o Tricolor.

Chegou ao empate com Fábio Júnior, mas o resultado dava o título aos paulistas pela regra do gol qualificado. Oséas garante que a equipe cruzeirense não se entregou e os jogadores estavam elétricos dentro de campo. Já no apagar das luzes, o Cruzeiro teve uma falta assinalada a seu favor na entrada da área são-paulina. O jovem Geovanni se apresentou para a cobrança. Oséas lembrou com carinho dos detalhes daquele momento crucial do jogo.

"Quando tivemos a falta a nosso favor e o Geovanni chegou para bater, ficou um silêncio no estádio. Parecia ser o último lance do jogo. Nós, jogadores, ainda estávamos ligados, tínhamos aquela vibração. Lembro bem de, instantes antes da cobrança, o Müller chegou perto dele e falou: “Você vai fazer o gol, tenho certeza! Você vai fazer o gol!“. Aquela energia positiva, sabe?", recordou.

Dito e feito. A bomba de Geovanni passou por baixo da barreira e venceu Rogério Ceni, que nada pode fazer. O Mineirão explodiu em êxtase. No entanto, a partida não estava encerrada e, como o próprio Oséas busca da memória, o Cruzeiro quase foi surpreendido no lance seguinte ao apito de recomeço da partida.

"Quase tomamos um gol em um lance do São Paulo, mas o André e o Clebão salvaram a gente!" exalta aos risos.

Lembrado e reverenciado por palmeirenses e cruzeirenses por ter sido decisivo em ambas as conquistas, Oséas tem plena consciência de que deixou sua marca na história da Copa do Brasil e dos clubes. O artilheiro não arriscou palpite para o confronto desta quarta, mas se declarou abençoado por ter cumprido seu papel por dois gigantes do futebol brasileiro.

"Fui um privilegiado de ter sido, primeiro, campeão da Copa do Brasil com o Palmeiras e depois pelo Cruzeiro. Não tenho dúvida que foram títulos muito importantes e especiais para a minha carreira".

 
 
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