Eraldo, história de ídolo que ficou desamparado

Eraldo, história de ídolo que ficou desamparado

por ARIOVALDO IZAC - -

Se hoje boleiro ‘meia boca’ desfila pelas ruas de Campinas com carrões e a situação financeira está bem encaminhada, ídolos do passado morrem às mínguas. É o caso do quarto-zagueiro Eraldo da década de 60 do Guarani, falecido neste 15 de setembro.

Nos últimos meses Eraldo era visto quase que diariamente no Café Regina, ou esquina das ruas Barão de Jaguara e Bernardino de Campos, às vezes isolado com a sua bengala.

Supostos amigos até fugiam dele temendo que fosse ‘serrar’ cafezinho, visto que a situação financeira ficou arruinada há tempos, apesar de bugrinos e desportistas em geral terem se cotizado para levantar recursos.

Eraldo sempre elogiado por marcar bem ao Rei Pelé
Eraldo sempre elogiado por marcar bem ao Rei Pelé

Enfim, esse foi o destino reservado ao determinado zagueiro Eraldo, reconhecido por Pelé como um de seus principais marcadores de toda história no futebol.

ANTECIPAÇÃO

Eraldo tinha o tempo exato para antecipação da jogada. Assim, na maioria das vezes evitava o embate direto com o adversário.

E quando não chegava à frente na jogada, só era driblado por atacantes talentosos. Boleiro que esticava a bola para ganhar na corrida era desarmado. Eraldo sabia fazer uso da caixa torácica avantajada para levar vantagem na disputa.

Apesar da estatura mediana, a boa impulsão permitiu que se garantisse em jogadas pelo alto.

Na época não havia exigência de zagueiros altos, mas tinham que compensar com catimba. Deslocavam no ar o atacante adversário com leve toque, sem a percepção do árbitro.

JUNTO COM DIMAS

Alagoano, Eraldo jogou com o saudoso goleiro Dimas Monteiro no Taquaritinga, e ambos foram contratados pelo Guarani em 1959.

A carreira do zagueiro foi irrepreensível até 1965, mas entrou em declínio na temporada seguinte, sem que se firmasse como titular com os treinadores Alfredo Gonzáles e Godê, que optaram pelo contratado Tarciso, do Palmeiras.

Ora a dupla de zaga era formada por Cidinho e Tarciso, ora por Dalmo e Cidinho, quando deslocavam Tarciso à função de volante.

INDISCIPLINA

Pior ainda para Eraldo quando Ady Zakia assumiu o comando técnico do Guarani, pois acabou afastado do elenco por problemas indisciplinares.

Na saída de Zakia, foi Dorival Geraldo dos Santos quem o substituiu interinamente, após ter encerrado a carreira de atleta.

Aí, nova chance foi dada para Eraldo. Todavia, sem treinar com o grupo e fora de forma, teve atuações irregulares nas duas partidas que fez dupla de zaga com o saudoso zagueiro central Paulo Davoli.

Ali foi praticamente o final de carreira de Eraldo no Guarani, que migrou à função de treinador em clubes de menor expressão, sem que fosse bem-sucedido.

 
 
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