'Um craque!' Enéas completaria 66 anos nesta quarta-feira

Enéas de Camargo iniciou sua trajetória pelo futsal da Portuguesa de Desportos no final da década de 1960

por Federação Paulista (FPF)

São Paulo, SP, 18 (AFI) - Um craque! Assim define quem atuou ao lado de Enéas de Camargo. Paulistano que cresceu na Vila Carolina, Zona Norte da Capital Paulista, o meia-atacante Enéas completaria nesta quarta-feira (18), 66 anos, se não houvesse entristecido o mundo do futebol no dia 27 de dezembro de 1988, quando faleceu de uma broncopneumonia após meses internado em coma em função de um acidente de carro na Avenida Cruzeiro do Sul.

Nascido em São Paulo em 18 de março de 1954, Enéas de Camargo iniciou sua trajetória pelo futsal da Portuguesa de Desportos no final da década de 1960. Em 1971 passa a fazer parte do time principal lusitano e disputa o Pré-Olímpico com a Seleção Brasileira, onde atua ao lado de Zico, classificando o Brasil aos jogos de Munique. Apesar de jogar em quatro dos sete jogos do torneio -e marcar o gol da vitória sobre o Peru, no último jogo- não joga as Olimpíadas no ano seguinte.

'Um craque!' Enéas completaria 66 anos nesta quarta-feira
'Um craque!' Enéas completaria 66 anos nesta quarta-feira
Na Portuguesa, passa a frequentar o time principal com maior frequência em 1973. Lá encontra um vizinho de bairro, quatro anos mais velho e já titular do time que dividiria o título com o Santos. “Meu pai era amigo do pai dele, por que fomos criados no mesmo bairro”, diz Wilsinho, ponta-esquerda daquele time. “Porém, só nos conhecemos na Portuguesa”, completa.

“Ele não era um atleta, ele era um craque diferenciado”, garante Wilsinho. “Uma vez disseram q ele dormia em campo e eu respondi: ‘preferia ele dormindo que muito jogador acordado’”, relembra o amigo. Na Portuguesa Enéas fez 376 jogos com 179 gols, além de algumas confusões.

“Fugimos uma vez da concentração para almoçar na casa dele na final de um torneio chamado Taça Governador do Estado, contra o Guarani no Parque Antártica e a Portuguesa precisava ganhar de quatro”, conta Wilsinho. “Quase não pudemos jogar. Os dirigentes, antes do jogo, nos chamaram no vestiário e queria rescindir o nosso contrato. Mas, aí chegaram à conclusão que tínhamos que jogar. Entramos em campo e acabamos com o jogo, fizemos os quatro que a Portuguesa precisava”. Eudes e Antônio Carlos, duas vezes cada, marcaram os gols do título lusitano em 1976.

Vida fora do Canindé
Após uma década de Portuguesa, Enéas foi jogar no futebol italiano e com o bom início no Bologna era chamado carinhosamente de cometa pela imprensa e torcida. Porém, teve dificuldades em se adaptar -além de sofrer com seguidas lesões que o acompanhariam desde então- e, após passagem rápida pela Udinese voltou ao Brasil para vestir a camisa do Palmeiras, em 1981. Por lá encontrou o jovem lateral esquerdo Denys, atualmente auxiliar do técnico Sérgio Soares, hoje na Ferroviária.

“Subi para o profissional em 1983 e ele ficou até 1984, pois tinha vindo da Itália. O Enéas jogava muito, jogava demais. Era muito inteligente para jogar bola. Era um craque”, define Denys. “Eu colecionava figurinhas dele, era um ídolo. Ele e o Luís Pereira foram as maiores referências para mim quando cheguei ao profissional do Palmeiras”, recorda o ex lateral que ainda teve passagens por São Paulo e Corinthians.

Após atuar pelo Palmeiras, teve rápida passagem pelo Santos e rodou por XV de Piracicaba, Juventude, Atlético Goianiense, Desportiva Ferroviária-ES, Remo-PA e Central Brasileira de Cotia, seu último time, em 1988. Em 22 de agosto daquele ano sofreu acidente de carro na Avenida Cruzeiro do Sul, Zona Norte da Capital. Faleceu meses depois, em 27 de dezembro, ainda em decorrência do acidente.

Por Raoni David, especial para FPF