Fórum Internacional do Futebol teve Parreira, Luxa e Júnior

Rio de Janeiro, RJ, 04 (AFI) – A essência do futebol brasileiro foi o tema do primeiro painel de debate entre técnicos do Footecon 2007, que começou nesta terça-feira no Hotel Windsor Barra, no Rio de Janeiro. Os técnicos Carlos Alberto Parreira e Vanderlei Luxemburgo e o ex-jogador Júnior dividiram a mesa intermediados pelo apresentador do canal Sportv Alex Escobar.

Luxemburgo foi o primeiro a ganhar a palavra. Ao parabenizar o goleiro Rogério Ceni pelo segundo prêmio consecutivo de melhor jogador do Campeonato Brasileiro, o técnico do Santos levantou o tema da saída precoce de jogadores para o exterior e a escassez de meias criativos no futebol nacional.

“O Rogério venceu por merecimento mais uma vez mas isso mostra a falta de jogadores ofensivos no nosso futebol. Acho que os últimos foram o Alex, do Cruzeiro, em 2003, e a geração do Diego e Robinho. Os contratos de jovens da base só podem ser feitos entre 16 e 21 anos. Acho que essa margem deveria aumentar para 23 anos. Hoje, os jovens saem cedo e a adaptação ao profissional acontece fora do país, com técnicos estrangeiros. Não formamos mais os atletas aqui no Brasil”, afirmou Luxa.

Um dos grandes idealizadores do Footecon, o técnico da África do Sul Carlos Alberto Parreira afirmou que o talento brasileiro ainda faz a diferença no futebol mundial, mas há que ter uma atenção na hora de jogar sem bola:

“Temos que ser 100% organizados na hora em que perdemos a bola, como acontece com todas as grandes equipes do futebol mundial. O que temos de diferente,aí sim, é que quando temos a posse de bola temos que dar liberdade aos nosso jogadores e deixá-los à vontade porque prevalece a capacidade individual. Os esquemas nos campeonatos nacionais são muito semelhantes. Mas nós temos o individualismo, a jogada que desconcerta. isso ainda faz muita diferença”, disse Pareira.

Parreira também ressaltou a diferença de estrutura futebolística entre os países que sediarão as duas próximas copas do mundo.

“A África do Sul tem pouca tradição. Ganhou uma vez a Copa da África e participou de apenas duas edições da Copa do Mundo. Não há categorias de base nos clubes de lá, por isso a renovação é muito complicada. Aqui no Brasil exportamos quase mil atletas em uma temporada”, finalizou o comandante do tetra;

Encerrando o painel “Futebol Brasileiro: A Busca de sua Essência”, Junior recordou a diferença dos treinamentos em seus tempos de jogador.

“Hoje em dia futebol é resultado. Sob o comando do Paraguaio, há algumas décadas, treinávamos diariamente fundamento. Eram quase que apenas trabalhos técnicos. Há uma grande diferença entre ter material humano e adaptar o esquema e ter esquema e adaptar o material humano. No dia em que perdermos a nossa essência fechamos as portas”, comentou Júnior.

Footecon 2007 é uma realização da FSV, Fagga e Give me 5