Final de 77: Zé Duarte, o ‘paizão’ que embalou a Macaca
Campinas, SP, 13 (AFI) –
O sexagenário José Duarte parecia erva daninha: de repente o sumiço, mas logo reaparecia em alto estilo. Quando o peso da idade não permitia que cumprisse regiamente as funções de treinador no gramado, sua experiência ainda era imprescindível como supervisor ou consultor técnico. Dirigentes da CBF vieram buscá-lo em Campinas para supervisionar o elenco da Seleção Brasileira de Futebol Feminino nos Jogos Olímpicos da Austrália, em 2000, pois havia sido ele o responsável pelo segundo estágio do futebol para mulheres no País.
No dia 23 de julho, às 17h, em Campinas (SP), foi anunciada a morte de Zé Duarte, mas fica a história de um profissional vencedor, que até meados da década de 60 ganhava a vida trabalhando como encanador e aos domingos comandava o time amador do Proença, bairro de Campinas.
O jeitão calmo e a sabedoria ao puxar o jogador num canto para orientá-lo, logo despertaram interesse de Jaime Silva, ex-presidente do Guarani, que o levou ao Brinco de Ouro para organizar as categorias menores do clube, visando copiar o bom exemplo do Fluminense, que garimpava garotos e os lançavam com sucesso na equipe principal.
Em 1966, Zé do ‘Boné’ – como também era identificado – topou o desafio de subir a Avenida dos Esportes –hoje Avenida Ayrton Senna-, em Campinas, e foi treinar o juvenil da Ponte Preta. Na ocasião, trabalhou com uma molecada boa de bola. Seu meia-de-armação era Dicá. A função de lateral-direito era desempenhada pelo hoje treinador Nelsinho Baptista, na época um jogador apenas razoável, mas com passagens por São Paulo e Santos.
Zé Duarte ganhou reconhecimento da torcida da Ponte em 1969, com a recondução do clube à divisão principal do futebol paulista, após nove anos de fracasso na divisão inferior. Aí, inesperadamente, decidiu voltar às categorias menores do Bugre. Como de hábito, realizava um bom trabalho, mas bastou a queda do técnico Daltro Menezes para que assumisse o time principal.
Como todo treinador que se preza, Zé Duarte rodou nesse mundo da bola. Comandou o Cruzeiro. Teve passagem bem sucedida pelo Bahia. Treinou Inter (RS), Fluminense e dezenas de clubes brasileiros. O velho Zé, no entanto, parecia predestinado a fazer sucesso na Ponte. Foi assim em 1977 e 79, quando levou o time às finais do Paulistão e foi vice-campeão.
O Guarani de 1981/82, de Jorge Mendonça, Careca e Mauro, contou com a batuta do experiente treinador, que tinha o hábito de usar chapéu. Foi uma fase áurea do Bugre e o técnico repetia a expressão ‘a verdade é uma só’ ou a palavra ‘inclusive’, durante as entrevistas.
‘Seu’ Zé sabia lidar como poucos com jogador (a) manhoso (a) que encostava no departamento médico, como pretexto para fugir do trabalho. E quando era tido como acabado para o mundo da bola, em 1995 ‘renasceu das cinzas’ no comando da Seleção Brasileira de Futebol Feminino. Pacientemente, ensinou o bê-á-bá às meninas e o fruto do trabalho foi o quarto lugar nos Jogos Olímpicos de Atlanta, de 1996.
Zé foi um vencedor de desafios e deixou um histórico de conhecedor dos meandros do futebol dentro e fora do campo. Foi ousado e sobretudo o ‘paizão’ que sabia muito bem como lidar com os ‘filhos’.





































































































































