Fim do abismo? Clubes do Brasileirão e da Série B cobram nova divisão de cotas à TV Globo

O novo sistema acabou favorecendo, principalmente, Corinthians e Flamengo, que hoje recebem cerca de R$ 120 milhões

Alguns clubes, sobretudo os da Série B do Campeonato Brasileiro, aproveitaram uma reunião sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte para cobrar diretor da Globo Esportes.

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Rio de Janeiro, RJ, 01 (AFI) – A onda de cobranças por melhorias na gestão do futebol brasileiro começa a atingir também a TV Globo, detentora dos direitos de transmissão de todas as competições nacionais. Alguns clubes, sobretudo os da Série B do Campeonato Brasileiro, aproveitaram uma reunião sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte para cobrar diretor da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto, que estava presente.

Embora a pauta não fosse as cotas de TV, funcionário da Globo acabou sendo questionado sobre o atual modelo de divisão de cotas. Ao contrário do que ocorria na época do Clube dos 13 e do que acontece em todas as grandes ligas, as cotas das duas principais divisões do Brasil são feitas individualmente, entre a emissora e cada clube.

O novo sistema acabou favorecendo, principalmente, Corinthians e Flamengo, que hoje recebem cerca de R$ 120 milhões contra aproximadamente R$ 80 milhões do terceiro colocado São Paulo. Nestes valores, não estão inclusos as porcentagens na venda do sistema pay-per-view.

O abismo se deve, sobretudo ao fato de que o único critério utilizado pela Globo é a audiência. E a diferença deve aumentar ainda mais, já que a previsão para o novo contrato firmado, a partir de 2016, é de que Timão e Fla passem a receber nada menos que R$ 170 milhões. O Sampa deve lucrar, no máximo, R$ 110 milhões.

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Corinthians deve arrecadar cada vez mais com as cotas da Globo

ABISMO FINANCEIRO
Se for usado como parâmetro outros clubes menores, a distância é ainda mais absurda. Chapecoense, Criciúma e Figueirense, por exemplo, precisam sobreviver com cotas que variam de R$ 15 milhões a R$ 20 milhões. Quase dez vezes menos que Flamengo e Corinthians.

Apesar disso, os mais insatisfeitos são mesmo os clubes da Série B. Para disputar uma competição que, em 2014, terá duração de mais de sete meses. Clubes tradicionais, como Ceará, Náutico, Ponte Preta, Portuguesa e Santa Cruz, precisam se virar com uma cota de apenas R$ 2,7 milhões, dividida em dez parcelas.

Fato que só tem contribuído para os atrasos salariais em praticamente todos os times da divisão. O presidente da Portuguesa, Ilídio Lico, revelou recentemente que a situação do clube é quase insustentável. A Ponte Preta, depois de muitos anos, voltou a conviver com a rotina de salários atrasados.

Mesmo com uma torcida imensa, Santa recebe migalhas

Mesmo com uma torcida imensa, Santa recebe migalhas

Nas Séries C e D, o cenário é ainda mais desanimador. Os 61 clubes das duas divisões (20 na Série C e 41 na Série D) não possuem cotas de TV. Há apenas uma ajuda de custo, por parte da CBF, para pagamento de viagens, traslados, hospedagem e taxas de arbitragem.

Apesar da cobrança pela revisão na distribuição das cotas, a única resposta que os clubes menores tiveram de Marcelo Campos Pinto foi a promessa de um fórum. Segundo ele, o encontro servirá para fomentar discussões, mas resta saber se sairá algo de concreto.

EXEMPLOS E EXEMPLOS
Há um temor que o futebol brasileiro sofra um processo de “espanholização”. Na Espanha, Real Madrid e Barcelona abocanham 34% das cotas de TV. Os demais 38 clubes das primeira e segunda divisões precisam dividir os 66% restantes. O resultado disso é a dupla polarizando quase sempre a competição nacional e dezenas de clubes em estado de insolvência.

Em maio, o Portal FI publicou uma matéria, apontando a Premier League (primeira divisão da Inglaterra) como um bom modelo a ser seguido. No Inglês, é utilizado uma série de critérios para diminuir a desigualdade, aumentar o nível da competição como um todo e torná-la mais atrativa. Não é à toa que, hoje, a Premier League é a competição nacional mais rentável do mundo.

Premier League é um bom exemplo de divisão

Premier League é um bom exemplo de divisão

CONFIRA AS COTAS DO BRASILEIRÃO:

CONTRATO 2012/2015 (ANO)
1) Flamengo e Corinthians: R$ 110 milhões
2) São Paulo: R$ 80 milhões
3) Vasco* e Palmeiras: R$ 70 milhões
4) Santos: R$ 60 milhões
5) Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo: R$ 45 milhões
6) Atlético-PR, Bahia, Coritiba, Goiás, Sport e Vitória: R$ 27 milhões
7) Chapecoense, Criciúma e Figueirense: Entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões

CONTRATO A PARTIR 2016
1) Flamengo e Corinthians: R$ 170 milhões
2) São Paulo: R$ 110 milhões
3) Vasco* e Palmeiras: R$ 100 milhões
4) Santos: R$ 80 milhões
5) Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo: R$ 60 milhões
6) Atlético-PR, Bahia, Coritiba, Goiás, Sport e Vitória: R$ 35 milhões
7) Demais clubes: Entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões

* Vasco recebe R$ 70 milhões mesmo na Série B e, caso não suba, terá direito a apenas uma porcentagem do valor em 2015.