FiFPro e Uefa condenam ações de árbitro em jogo com caso de racismo na Itália

Paolo Mazzoleni foi criticado por não adotar protocolos antirracismo após sons imitando macaco serem dirigidos ao zagueiro Koulibaly

Paolo Mazzoleni foi criticado por não adotar protocolos antirracismo após sons imitando macaco serem dirigidos ao zagueiro Koulibaly

0002050361309 img

São Paulo, SP, 28 – O FIFPro e a Uefa criticaram nesta sexta-feira o árbitro Paolo Mazzoleni por falhar ao não adotar protocolos antirracismo após sons imitando macaco serem dirigidos ao zagueiro Kalidou Koulibaly, do Napoli, durante a derrota da equipe por 1 a 0 para a Inter de Milão, quarta-feira, no San Siro, pelo Campeonato Italiano.

O FIFPro, o sindicato mundial de jogadores, e a entidade gestora do futebol europeu também disseram que os abusos racionaus destinados ao defensor, que nasceu na França e tem pais senegaleses, na quarta-feira, eram “inaceitáveis” e “não têm lugar no futebol.”

As duas organizações apoiaram a ação imediata tomada pelo tribunal disciplinar do Campeonato Italiano, que decidiu que os próximos dois jogos da Inter em casa devem ser disputados com os portões fechados, e incluiu um fechamento parcial do San Siro para um terceiro jogo como mandante do clube.

“O FIFPro e a Uefa estão muito preocupados com este incidente racista inaceitável e o que parece ser uma falha em respeitar o protocolo antirracismo de três etapas amplamente conhecido”, disseram as entidades em um comunicado conjunto nesta sexta-feira.

O árbitro Paolo Mazzoleni por falhar ao não adotar protocolos antirracismo

O árbitro Paolo Mazzoleni por falhar ao não adotar protocolos antirracismo

“Koulibaly foi alvo de cânticos racistas e, apesar dos anúncios feitos pelo alto-falante do estádio, os cantos não pararam. Além disso, parece que a comissão técnica do Napoli já havia informado o árbitro várias vezes dos cânticos racistas. A FIFPro e a Uefa apoiam as autoridades do futebol italiano em qualquer medida adicional que será tomada para combater o racismo nos estádios com o que a FIFPro e a Uefa têm uma política de tolerância zero.”

O QUE ACONTECEU
Koulibaly foi expulso aos 36 minutos do segundo tempo, após receber dois cartões amarelos em sequência rápida, o segundo por aplaudir de modo sarcástico Mazzoleni depois de ser advetido pela primeira vez. Além disso, Koulibaly foi suspenso por dois jogos – um pelo cartão vermelho e outro por ironizar o árbitro.

Após o jogo, o técnico do Napoli, Carlo Ancelotti, ameaçou retirar seu time de campo da próxima vez que um de seus jogadores for alvo de cânticos racistas. Ele pediu várias vezes para o jogo contra a Inter ser interrompido após os cantos e anúncios alertando os torcedores que isso aconteceria foram feitos, mas não se tomou outras ações.

PROTOCOLO
O primeiro passo do protocolo antirracismo da Uefa diz que “se o árbitro estiver ciente de um comportamento racista sério, ou for informado dele pelo quarto árbitro, ele deve, como primeiro passo, parar o jogo e pedir a realização de um anúncio de que o público desista imediatamente de tal comportamento racista.”

O segundo passo explica que “se o comportamento racista não cessar uma vez jogo reiniciado, o árbitro suspenderá a partida por uma período de tempo, e pedirá às equipes para irem aos vestiários”.

“Se a conduta racista não terminar depois que o jogo tiver reiniciado, o árbitro deve abandonar definitivamente a partida como último recurso. O delegado da Uefa ajudará o árbitro, através do quarto árbitro, para determinar se o comportamento racista parou, e qualquer decisão de abandonar o jogo só será tomada depois de todas as outras possíveis medidas foram implementadas e o impacto do abandono do jogo na segurança dos jogadores e do público for avaliado”, diz o último protocolo.