FIFA abre simpósio de Futebol Feminino em Xangai, na China

Xangai, CHI, 29 (AFI) – A FIFA abriu na manhã desta sexta-feira em Xangai, na China, seu quarto simpósio sobre o desenvolvimento do futebol feminino no Mundo. Dando seqüência ao seu programa de incentivo à presença das mulheres dentro das quaro linhas, a Fifa se empenhou para reunir os principais líderes do futebol mundial nas discussões, encorajando o comparecimento dos Presidentes e Secretários Gerais de todas as suas filiadas. A Entidade Maior do Futebol Mundial arcou com as despesas de passagens aéreas e acomodações de todos os representantes das Confederações Filiadas.

Além dos dirigentes de Confederações Nacionais, também foram convidados os líderes das Confederações Continentais, como a Conmebol, Concacaf, UEFA e AFC. Reunindo toda a elite que comanda o Futebol Mundial, e na apenas a versa feminina da modalidade, alguns poucos observadores internacionais foram escolhidos pelos embaixadores da FIFA para acompanhar os debaes, caso do Presidente do Saad EC, Romeu de Castro, que foi o único dirigente de clube das Américas inscrito no evento, a convite da Embaixadora Sisleide Lima do Amor, ou simplesmente a craque brasileira Sissi, eleita pela Federação de História e Estatísticas do Futebol, órgão vinculado à Fifa, como a atleta do Século da América do Sul, e hoje radicada nos Estados Unidos.

A participação do dirigente neste evento vem ainda como um reconhecimento especial ao trabalho desenvolvido pelo clube de São Paulo no desenvolvimento da Futebol Feminino no Brasil e no exterior, por mais de duas décadas. Além de ceder mais de 30 atletas à Seleção Brasileira ao longo da história, o Saad EC também auxiliou na elaboração de projetos de futebol e futsal feminino em Países como o Irã, Venezuela e Estados Unidos. Da atual Seleção Brasileira, nada menos do que doze jogadoras já vestiram a camisa ou ainda defendem as cores do Saad: Andréia, Simone Jatobá, Aline Pelegrino, Mônica, Tânia Maria, Rosana, Formiga, Maycon, Daniela Alves, Kátia Cilene, Grazielle e Pretinha.

No primeiro dia do simpósio, as discussões foram concentradas em quatro temas principais:

a) O incentivo e fortalecimento das parcerias entre os governos e as confederações nacionais de futebol para o investimento no futebol como instrumento de mudança social, objetivando uma maior inclusão social, o combate às drogas, à discriminação e à evasão escolar através dos programas de futebol de base dentro do ambiente escolar.

b) A utilização do trabalho de base e iniciação esportiva no futebol como forma de incentivo ao investimento da iniciativa privada em programas de desenvolvimento do futebol.

c) Crescimento sustentado nos programas de formação de atletas, especialmente no caso do futebol feminino.

d) Desenvolvimento de competições e atletas de alto rendimento.

O simpósio prossegue neste sábado, dia 29/10, a partir das 09 horas da manhã, com o painel que abordará a criação de cursos para a formação de treinadores e árbitros. Os três temas mais aguardados do segundo dia de debates vem na seqüência, com o painel sobre a luta contra as barreiras culturais que impedem o crescimento do futebol feminino, começando às 11:15 horas.

O Fórum de imprensa sobre a cobertura do futebol feminino se inicia às 14:45, enquanto a análise sobre o crescimento do papel do futebol feminino dentro das Confederações Nacionais encerra o simpósio, a partir das 16 horas. No intervalo dos debates, às 13:10 horas, o Presidente do Saad terá a oportunidade de esclarecer numa reunião privada alguns aspectos históricos do desenvolvimento do futebol feminino do Brasil para membros do Comitê executivo da FIFA, e buscar apoio para novas iniciativas de apoio à modalidade no nosso País.

Relatamos abaixo os fatos mais interessantes abordados no primeiro dia:

Investimento recorde da Inglaterra traz resultados em apenas seis anos. Equipes mistas nas escolas é tendência mundial no combate à discriminação.
O governo Inglês mostrou que não brinca quando o assunto é educação e inclusão social pelo esporte. Com um programa educacional e desportivo que consumiu 1,4 bilhões de dólares nos últimos seis anos, a Inglaterra apostou no ambiente escolar como o primeiro degrau para o desenvolvimento do futebol feminino no País. Assim, investiu na formação de professores, na construção de novos campos e na criação de competições entre crianças de 05 a 12 anos para se tornar numa nova potência da modalidade.

Como resultado, a Inglaterra que não se classificava para um Campeonato Mundial desde 1995, na só trouxe sua Seleção para esta Copa, como conquistou um lugar dentre as oito principais Seleções do Planeta. De 2001 para 2007, o número de mulheres inscritas na Federação Inglesa pulou de modestos 20 mil para duzentas e cinqüenta mil inscritas, divididas em oito mil quinhentos e cinqüenta equipes, devidamente registradas junto à Federação local.

Um dado que chama a atenção é o incentivo dos campeonatos mistos, reunindo meninos e meninas nos mesmos times, principalmente na faixa dos 05 aos 12 anos. O ambiente escolar favorece esta integração, ampliando a interação entre as crianças tendo o futebol como catalisador social. Além de praticamente zerar qualquer indicio de discriminação contra as mulheres que praticam o futebol, o programa educacional pelo futebol também trouxe um reflexo positivo na qualidade e comportamento dos jogadores do sexo masculino.

Para comprovar que o esquema traz resultados práticos, vale lembrar que a Seleção feminina sub-19 da Inglaterra é atual Vice-Campeã Européia, enquanto o Arsenal é o atual Campeão da UEFA, tendo batido na final nada menos do que a equipe sueca onde joga nossa super craque Marta, o UMEA. A ampliação do número de praticantes de futebol nas escolas elementares e de primeiro grau, é complementado pelo apoio público ao trabalho de base dos clubes, e ao incentivo ao investimento da iniciativa privada nas equipes de alto rendimento.

Como resultado, os grandes patrocinadores tradicionais do futebol masculino da Liga Nacional de Futebol Masculino mais rica do Mundo, a “Premier League” Inglesa, passaram a investir pesado no mercado feminino, levando inclusive o principal canal do País, a BBC, a abrir espaço na sua grade para a transmissão de partidas tanto de clubes, como da Seleção Nacional Feminina, com uma audiência que já ultrapassou os nove milhões de expectadores apenas nos Jogos deste Mundial. O modelo Inglês, certamente inspirado nos Estados Unidos, também está sendo adotado com algumas variações, na Nova Zelândia, Austrália, Alemanha e Suécia.

Mundo árabe comparece em peso e surpreende no apoio à modalidade. Política de um filho por família inibe o crescimento do futebol na China.
Merece destaque a presença maciça das delegações do mundo árabe, cujas federações estão entregando às mulheres das famílias reais que controlam a maioria desses Países, a tarefa de incentivar a prática do futebol entre as meninas mulçumanas.

Aliás, vale ressaltar a informação de que ao contrário do Brasil, onde a prática do futebol feminino foi proibida por lei entre 1964 e 1983, os Países mulçumanos não impõem qualquer restrição legal contra a prática do futebol feminino. O único problema que barra um intercâmbio maior entre o mundo ocidental e as jogadoras árabes, é a determinação dos Países mais com governo Islâmico de linha mais conservadora, de que as atletas atuem com as pernas e cabelos cobertos caso haja homens ou emissoras de TV na platéia. O Irã, que sediou os Jogos Islâmicos de 2005, tratou o problema de forma dura, proibindo a presença de homens nos locais de competições e a entrada de emissoras de TV durante os jogos. Já Países mais maleáveis, como os Emirados Árabes, têm promovido torneios com equipes ocidentais sem qualquer restrição.

Outro ponto sensível abordado foram as ações para convencer os Pais a incentivarem a prática esportiva pelas crianças em Países que possuem barreiras culturais. Os dirigentes Chineses se mostraram preocupados com o futuro do futebol no País, já que muitos Pais passaram a impedir as participações de meninos e meninas em esportes que possuam contato físico, já que vem se tornando super-protetores por obedecer a política que permite a gestação de apenas uma criança por família. Tatjana Haenni, dirigente do Comitê de Futebol Feminino da Fifa, colocou o corpo de embaixadores da Onu a disposição das Federações que enfrentam tais dificuldades, para a realização de ações específicas de acordo com cada situação, como clínicas, grupos de estudo e outras atividades de conscientização.

Imagens de lances de Marta aplaudidas pelos dirigentes das Confederações. Dirigentes Africanos trocam acusações.
A FIFA apresenta um clip especial com imagens que ilustram o tema a ser abordado no início das discussões de cada tópico a ser apresentado. Na abertura sobre dos debates sobre o desenvolvimento de competições a atletas de alto rendimento, foi apresentado um clip com imagens dos dribles de Marta que a som de um batuque, parecia ensinar as americanas a sambar. Foi o momento de maior entusiasmo dos dirigentes de Confederações presentes, que aplaudiram demoradamente a genialidade da jogadora mais badalada deste Mundial.

Durante os debates, a diretora da FIFA encarregado da organização do simpósio, Mary Harvey, reiterou o apoio da entidade a desenvolvimentos de competições estaduais e regionais pelas filiadas, como forma de incentivar anda mais o aumento da base de praticantes do futebol feminino. A Fifa apresentou ainda um estudo bastante elaborado sobre o desenvolvimento de competições femininas no México. A discussão teve momentos bastante calorosos, quando representantes de comitês nacionais femininos da África questionaram sobre o possível desvio de recursos destinados pela FIFA à promoção do futebol feminino no continente, gerando forte reação dos Presidentes das confederações do Congo e da Costa do Marfim.