Festa do Interior

Olhe a tabela de classificação do Campeonato Paulista 2008.

Veja que desperdício.

Uma competição que tinha tudo para ser a mais importante do país, hoje é considerada como mera preparatória para a disputa de outras, com “mais prestígio”. Como dizem alguns jornalistas esportivos de memória curta.

Olhe de novo a tabela. E sinta orgulho dos clubes de nosso Estado.

A presença de uma jovem equipe do interior como a do Guaratinguetá na ponta, seguida de outra mais jovem ainda, como a do Barueri, na vice-liderança do certame após 12 rodadas, restando sete para a classificação dos finalistas, reflete a capacidade do interior de São Paulo de renascer e se reproduzir, apesar dos pesares.

Como se não bastasse ainda temos a presença da Ponte Preta, hoje classificada para as finais, na terceira posição. E o Noroeste, fustigando e com chances reais de também passar para a segunda e mais importante etapa do torneio.

O que se pode dizer, decorridos mais de 60% do total de jogos da primeira fase é que, com certeza, o interior estará representado nas semifinais e, provavelmente nas finais do Paulista, que já foi Paulistão.

Agora expliquemos o “desperdício” do segundo parágrafo desta crônica.

Não é segredo para ninguém que os clubes do interior vivem o seu pior momento financeiro desde que começaram a disputar o campeonato estadual mais antigo do país, em meados do século passado.

As chamadas Séries A2 e A3 são absolutamente maltratadas pela Federação Paulista de Futebol em termos de apoio e de motivação. As verbas que recebem da entidade são ridículas. Há casos como o do União São João de Araras que, simplesmente, a recusou, em pleno Conselho Arbitral.

E fica até patético falar da Série B, que já teve B1, B2 e B3, absolutamente organizadas e prestigiadas, e hoje possui um campeonato com quase uma centena de participantes!! E isso num mal planejado e dispendioso calendário para as equipes. Há casos de clube que cortam o estado, viajando mais de 600 quilômetros (ida e volta) para disputar uma só partida.

Mesmo com estas agruras o FUTEBOL INTERIOR mostra a sua força. Nos dois sentidos. Dentro do campo e no nome deste PORTAL. Prova de que não erramos ao batizá-lo: FUTEBOL INTERIOR. Com letras maiúsculas.

Com o potencial que possui, o Campeonato Paulista poderia ser (novamente) exemplo para o restante do país, em termos de organização e retorno, inclusive e, principalmente, econômico para os clubes.

Um verdadeiro torneio de classificação para o Paulistão deveria ser organizado, movimentando o ano inteiro nossas cidades. São mais de 600 municípios, mais de 10 milhões de habitantes, o segundo mercado econômico do país (atrás apenas do da capital de São Paulo), tudo isso muito mal aproveitado.

A FPF hoje em dia é insossa. Sem criatividade nenhuma. Burocrática. Medíocre em termos de iniciativa.

Uma vez, o jornalista Paulo Francis ficou três anos fora do Brasil. Não havia Internet, telefone celular, a tarifa dos telefones era altíssima. Chegando ao Rio, Paulo Francis foi correndo se encontrar com o respeitado cronista Ruben Braga. E perguntou:

“Ruben, qual a maior novidade que surgiu nestes anos de minha ausência?”. E Braga respondeu: “Hollywood com filtro”.

O Campeonato Paulista, com os bravos Guaratinguetá, Barueri e Noroeste, também está assim. Qual a sua maior novidade?

Resposta: a Parada Técnica.

(Criada em 2000, abandonada em 2003, quando a atual administração assumiu. E ressuscitada agora como “refrigério” para os jogadores e prova do “dinamismo” dos organizadores do torneio).