Felipe Conceição, uma rica história aqui e derrapada acolá
Treinador foi demitido do Cruzeiro
Felipe Conceição, uma rica história aqui e derrapada acolá
Em mil novecentos e bolinha o filósofo contemporâneo criou o bordão em que ‘o coração tem razões que a própria razão desconhece’.
Caso queiram, podem transferir a frase para o futebol, pois tem tudo a ver.
Aí a coisa ficaria assim: ‘o futebol tem as suas razões que a própria razão desconhece’.
E o exemplo mais cristalino é o do treinador Felipe Conceição, que derrapou no Cruzeiro em pouco mais de três meses de trabalho, demitido do clube na noite desta quarta-feira.
E foi aquela demissão ainda no vestiário, sem direito a justificativa na trivial entrevista coletiva pós-jogo.
O ‘algoz’ foi o Juazeirense, clube do interior da Bahia, que derrotou o Cruzeiro por 1 a 0, e posteriormente 3 a 2 através da decisão por pênaltis, pela Copa do Brasil.
A tragédia foi a gota d’água pra quem vinha de duas derrotas nas duas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro da Série B.
GUARANI
Neste cenário o bugrino pergunta: como pode um treinador que tira o Guarani do atoleiro, o coloca às portas do acesso ao Brasileirão da edição 2020, ter uma decaída como essa no Cruzeiro?
Recordemos, então, o alinhamento dado por Felipe Conceição no elenco do Guarani em meses do período 2020/2021.
Ajustou o posicionamento do lateral-direito Pablo numa linha mais avançada, o que permitiu a escalação de Cristovam.
E ao trazer o meia Lucas Crispim para se juntar a ambos, organizou triangulações no setor a partir do campo defensivo, o mesmo se aplicando no lado esquerdo com Bidu, Renazinho e Murilo Rangel.
Transformou um zagueiro com desconfiança da torcida, como Válber, em absoluto na equipe.
Remanejou o então contestado zagueiro Bruno Silva à função de primeiro volante e, em última análise, evitou seguidos erros de passes de Deivid, que era titular do setor.
A percepção de que não valeria a pena insistência com o centroavante Rafael Costa o direcionou a improvisar Bruno Sávio no setor, sem a obrigatoriedade de ficar centralizado.
Aí vem a inevitável pergunta: por que no Cruzeiro, clube com mais recursos para reformulação de elenco, não deu certo?
RAFAEL SÓBIS
Informa o próprio portal da casa – o FI – que o desentendimento com o atacante Rafael Sóbis ficou incontornável.
A personalidade forte de Felipe Conceição por vezes provoca incidentes em clubes.
No próprio Guarani, inexplicavelmente sacou o meia Lucas Crispim, em dérbi campineiro, ainda no primeiro tempo.
No Cruzeiro, o erro inicial foi a admissão no elenco de jogador já na estrada da volta como Sóbis, que ainda exerce espírito de liderança no grupo.
Logo, ao bater de frente com o jogador, criou situação de embaraço.
FÁVIO E FELIPE AUGUSTO
O que teria Conceição a ganhar quando buscou no América Mineiro jogadores apenas razoáveis como o volante Flávio e atacante Felipe Augusto?
Por vezes aposta-se em jogadores que se presume serem solução, mas na prática não dão o devido encaixe como o meia Marcinho, vindo do Sampaio Corrêa.
Futebol tem dessas coisas. Em um clube consegue-se alinhamentos na velocidade da luz, mas em outros a coisa emperra.
ATÉ O PALMEIRAS
Nem por isso cabe colocar em dúvida a capacidade do profissional Felipe Conceição, em noite – como desta quarta-feira – em que o Palmeiras caiu diante do CRB, o América Mineiro perdeu no confronto com o Criciúma, enquanto o Corinthians ficou no meio do caminho no terceiro duelo consecutivo com o Atlético Goianiense.





































































































































