Fechada, Itália tem monotonia quebrada só por Balotelli

Esperança da Itália no Mundial, craque do Milan posta todos os dias nas redes sociais

Os jogadores italianos não dançam com índios, não visitam favelas, não jogam capoeira nem chamam a atenção disputando partidas de frescobol na praia.

0002050001702 img

Mangaratiba, RJ, 11 – Os jogadores italianos não dançam com índios, não visitam favelas, não jogam capoeira nem chamam a atenção disputando partidas de frescobol na praia sob os olhares de dezenas de pessoas. Na verdade, os jogadores italianos não saem do hotel e não têm contato com ninguém de fora da delegação. A ordem da comissão técnica é evitar polêmicas que possam desconcentrar o elenco ou conturbar o ambiente de uma seleção que trabalha duro para sobreviver ao “grupo da morte” e não repetir o fiasco de 2010, quando a equipe nacional caiu na primeira fase.

A obsessão dos italianos por privacidade é tão grande que, a pedido deles, foram colocados tapumes nas grades de uma ponte em frente ao hotel para evitar que da estrada (a Rio-Santos) se possa ver os jogadores no campo. E atrás do gol que dá para a rodovia foram postas em toda a extensão do alambrado faixas com o símbolo da Federação Italiana de Futebol. Assim, nem os funcionários que ficam na portaria controlando a entrada de carros veem o gramado.

0002050001702 img

Os jornalistas também não conseguem ver grande coisa, porque apenas meio treino é aberto. Pode-se acompanhar a primeira hora da atividade da manhã, e depois todos têm de se retirar. Vê-se o aquecimento e a roda de bobinho, e o trabalho tático só começa quando a imprensa vai embora. E o treino da tarde é sempre fechado.

O fato de a equipe estar concentrada numa cidade isolada não é casual. Ano passado, durante a Copa das Confederações, os jogadores atraíam sempre muitos jornalistas quando iam a um shopping, ao Corcovado ou jogar futevôlei na praia. Em Mangaratiba não há para onde ir, e o máximo que eles fazem é frequentar o trecho de praia em frente ao hotel – cujo acesso é restrito aos hóspedes. Não há torcedores por perto, e no tempo livre os jogadores convivem com suas mulheres e filhos.

Uma preocupação da comissão técnica é com o estrago que um comentário inoportuno numa rede social pode provocar. Por isso, quando o grupo se reuniu no CT de Coverciano (perto de Florença) há quase 20 dias, o técnico Cesare Prandelli estabeleceu algumas normas para a utilização de Twitter, Instagram e Facebook: não falar dos adversários, não falar das suas decisões e não falar do dia a dia de treinos e conversas. Em resumo, só comentar amenidades.

O temor dos italianos é que Balotelli, que não para de postar mensagens e fotos nas redes sociais, crie algum embaraço para a delegação. Por enquanto ele está mantendo a linha, e o máximo que fez foi anunciar pelo Instagram, na madrugada de terça-feira, que havia pedido a namorada, Fanny Neguesha, em casamento e ela havia aceitado.

Quando a notícia explodiu, na terça-feira pela manhã, foi um alvoroço entre os jornalistas italianos. Diante da monotonia que cerca a seleção, um anúncio como esse feito pelo jogador mais carismático do elenco até parece importante.