Farah desbravador: Foi o primeiro a peitar Rede Globo e Ricardo Teixeira
Farah revolucionou a Federação Paulista, depois enfrentou os poderosos que dominaram o futebol no Brasil
São Paulo, SP, 17 (AFI) – A morte de Eduardo José Farah, com certeza, deve ter mexido no fundo com muitos dirigentes do futebol brasileiros. Muitos amigos, alguns inimigos e outros invejosos. Mas foi ele quem primeiro teve coragem de enfrentar a poderosa Rede Globo e também “peitou” o governo continuista e familiar de Ricardo Teixeira na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Por sua ousadia pagou caro: teve sua saúde agravada e se viu obrigado a deixar o futebol, que tanto amava.

Em 1988 Farah entrou na Federação Paulista e a deixou em 2003, depois de uma intensa briga com a Rede Globo pelos direitos de transmissão dos jogos do Paulistão. Naquele ano, a Rede Globo foi passada para trás, quando Farah assinou contrato com o SBT, do apresentador Silvio Santos. A briga acabou na Justiça e a competição teve jogos mostrados pelas duas concorrentes. Um ano antes (2002), Farah tinha promovido, com sucesso, o Torneio Rio-São Paulo.
Alguns lances da briga foram curiosos como o jogo de abertura, que foi mostrado pelas duas emissoras. Ou então o início de um horário novo para os jogos na TV, a parir das 21 horas, considerado horário nobre para a Globo, sediada no Rio de Janeiro.
“Tirei a Globo do campo, ela me tirou da federação”, disse o ex-dirigente, de acordo com relato da Folha de S.Paulo. Na ocasião, a Globo se defendeu dizendo que não foi “tirada de campo”, já que manteve na Justiça o direito de preferência na transmissão do Paulistão-2004.
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BRIGA COM TEIXEIRA
Naquela altura, Farah também sofria forte pressão política por almejar o cargo de Ricardo Teixeira, até então, genro de João Havelange, o presidente da Fifa. O paulista perdeu a queda de braço, mas o tempo mostrou que tanto Teixeira como Havelange mantinham negócios escusos na CBF e também na Fifa.
Teixeira caiu por conta de tantas denúncias de corrupção e suborno, enquanto Havelange se viu obrigado a deixar a Fifa para evitar o constrangimento de ser processado e até julgador e preso.
O caminho, porém, foi desbravado por Farah. Tanto que, recentemente, no mês passado, o seu vice-presidente da época, Marco Polo Del Nero, foi eleito presidente da CBF. Esta vitória pessoal, com certeza, deixaria Farah satisfeito.





































































































































