Faça o que eu digo, mas não o que talvez eu tenha feito
Sabe aquela antiga história de que todo defunto foi uma excelente pessoa? Por pior que tenha sido o infeliz enquanto vivo, basta o cara esticar as canelas para, num passe de mágica, virar santo.
Sabe aquela antiga história de que todo defunto foi uma excelente pessoa? Por pior que tenha sido o infeliz enquanto vivo, basta o cara esticar as canelas para, num passe de mágica, virar santo.
Pois é: com a proliferação de ex-árbitros na mídia (alguns com diploma reconhecido, mas totalmente desprovidos de talento suficiente para a nova função, e outros que sequer nível superior têm), acontece mais ou menos a mesma coisa: enquanto apitavam ou bandeiravam, jamais foram exemplos pra ninguém; hoje, quando trocaram o apito pelo microfone ou pelo bloquinho de anotações, julgam-se exemplos de moralidade, honestidade e honradez. Ou seja: acontece com eles o mesmo passe de mágica citado no exemplo acima.
Fiz este pequeno intróito para comentar não a postura de um ou de outro comentarista de arbitragem, mas sim para levantar algumas questões. Cada um, claro, tem o direito de dizer ou escrever aquilo que, por maior que seja a bobagem, lhe dá na veneta, mas o que questiono é se tais questões são mesmo as que mais importância têm, se são elas as que de fato podem influenciar beneficamente os árbitros, os quais, acredito, sejam o principal objetivo de todos os que por eles trabalham.Assim, àqueles que hoje se colocam acima do bem e do mal apenas porque se tornaram “membros da Imprensa”, pergunto:
1 – Vocês querem, mesmo, saber o que acontece no mundo da arbitragem ou estão mais preocupados com a vida particular do árbitro?
2 – Vocês querem, mesmo, discutir os critérios do ranking da arbitragem ou estão mais preocupados em criticar e discordar de tais critérios sem ao menos conhecê-los intimamente?
3 – Vocês querem, mesmo, acabar com o sorteio na arbitragem ou estão mais preocupados em denunciar favorecimentos que, na verdade, só existem em suas cabeças?
4 – Vocês querem, mesmo, o aprimoramento técnico dos árbitros e a manutenção das periódicas avaliações ou estão mais preocupados em apontar, mediante a tecnologia e somente após rever o lance inúmeras vezes, onde foi que o árbitro errou?
5 – Vocês querem, mesmo, o monitoramento da condição física e do acompanhamento da saúde psicológica dos profissionais da arbitragem ou estão mais preocupados em falsear a verdade e distorcer os fatos de acordo com seus interesses pessoais?
6 – Vocês querem, mesmo, que as lideranças sindicais continuem a lutar pela melhoria das taxas em nível nacional ou estão mais preocupados em causar a desunião da classe e em criar a desarmonia, e desta forma poderem atingir os seus verdadeiros objetivos, aliás nada louváveis?
Na verdade, fica bem clara a postura destes atuais pseudo-arautos da moralidade: o que eles querem é que os árbitros façam o que dizem, mas não aquilo que talvez – ou, em alguns casos, com certeza – tenham feito enquanto apitavam ou bandeiravam.
Até a semana que vem.
Sérgio Corrêa da Silva





































































































































