EXCLUSIVO! Líder da oposição na CBF fala ao Portal FI: 'Queremos o bem do futebol'

O dirigente falou um pouco sobre suas intenções à frente da CBF

presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Francisco Noveletto, teve seu nome indicado para presidir o grupo de oposição às eleições da CBF, previstas para abril. Em entrevista exclusiva, o dirigente falou um pouco sobre suas intenções.

0002048152406 img

Campinas, SP, 28 (AFI) – O presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Francisco Novelletto, teve seu nome indicado para presidir o grupo de Oposição às eleições da CBF, previstas para abril. Em entrevista exclusiva ao Portal FUTEBOL INTERIOR, o dirigente falou um pouco sobre suas intenções à frente da entidade máxima do futebol nacional e garantiu:

“Não estamos neste jogo em causa própria. Queremos governar para o bem dos clubes, para o bem do futebol”.

0002048152406 imgNoveletto promete apoio aos pequenos

Apesar de Novelletto ter recebido a indicação, a chapa de Oposição ainda não está registrada. Para tanto, o grupo precisará do apoio de oito das 27 Federações e cinco dos 20 clubes do Brasileirão. O prazo limite para a inscrição das chapas é cinco dias úteis antes da eleição, cuja data não foi definida. O atual presidente José Maria Marin e seu vice Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista, encabeçam a Situação.

“Por enquanto, temos o apoio de cinco federações e precisamos ainda de mais três para registrar a chapa. Ainda não paramos para conversar com os clubes, mas não vejo isso como um problema. Só aqui (Rio Grande do Sul) já largamos com dois”, afirmou, indicando que deverá receber votos de seus filiados Grêmio e Internacional.

Novelletto preferiu manter em sigilo os nomes das Federações que o apoia. Nos bastidores, já é dada como certa a aliança com a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), Federação Paranaense de Futebol (FPF) e Federação Baiana de Futebol (FBF).

O presidente da Ferj, Rubens Lopes, aliás, é um dos líderes do grupo de oposição ao lado de Novelletto e do ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez.

“Ambos participaram do processo que acabou na minha indicação. Não tenha dúvida, que se conseguirmos registrar a chapa, ambos farão parte dela”, confirmou o postulante à CBF.

Foco no Interior
Se hoje o cenário da CBF é de total elitização do futebol, ou seja, tudo para os grandes e nada para os pequenos, Noveletto promete equilbrar esta balança. Em diversos momentos, o cartola enfatizou que, sobretudo os clubes do Interior dos Estados, terão uma atenção maior. Eles seriam amparados por um fundo de investimento.

0002048152408 imgDel Nero e Marin lideram a situação

“Não dá para ficar 20 anos com este pessoal e não mudar nada. Precisamos dar moral para os clubes da Segunda, da Terceira Divisões. Precisamos acabar com esta miséria por qual passam os clubes do Interior. Estes clubes já foram celeiros de muitos craques”, destacou, lembrando que Ricardo Teixeira, antecessor de Marin, ficou 23 anos na presidência.

Para minimizar os problemas dos clubes menores, o grupo de oposição pretende criar um fundo de investimento anual de R$ 5 milhões para cada Federação. Este dinheiro, que seria administrado pela CBF, teria como destino a melhora da infraestrutura dos clubes menores.

“A administração desta verba seria da CBF. Para isso, nós destacaríamos profissionais, que indicariam quais clubes necessitariam deste investimento. Os clubes menores são uma base importante na revelação de talentos. Não podemos virar as costas para eles. E como vão revelar jogadores se não possuem um centro de treinamento, uma academia, um campo decente?”, indagou.

Quando questionado qual seria a origem para tais recursos – o pagamento para as 27 Federações daria um total de R$ 135 milhões investidos -, Noveletto destacou a receita da CBF prevista para 2014. “Neste ano, um ano de Copa do Mundo, está previsto que a CBF tenha uma receita superior a R$ 500 milhões. Destinaríamos R$ 135 milhões. Recurso existe”, argumentou.

Um dos clubes citados como exemplo de revelação de atletas foi o Juventude. De acordo com o presidente da FGF, o time de Caxias do Sul é um exemplo de que é viável investir nos clubes do Interior.

“Recentemente, o Grêmio foi no Juventude e contratou seis promessas. Uma delas foi negociada, agora, por 9 milhões de euros”.

0002048152410 imgAlex Telles foi revelado no interior gaúcho

Entre as tais promessas citadas por Noveletto, estão o zagueiro Bressan, o volante Ramiro e o lateral-esquerdo Alex Telles. Este último foi negociado com o Galatasaray-TUR por 6 milhões de euros – e não 9 milhões – o que dá R$ 19 milhões. Como detinha 40% dos direitos econômicos, o tricolor abocanhou R$ 7,6 milhões.

E os Grandes? E as Federações?
Pelo menos no discurso, Novelletto garante que o maior investimento nos clubes menores não afetaria em nada nas arrecadações dos clubes grandes e das Federações.

O dirigente alegou que, hoje, os grandes clubes negociam suas cotas de TV diretamente com a Globo. Já as Federações não recebem quase nada da CBF. Há apenas um pagamento de um “dízimo” de R$ 50 mil mensais, que não são revertidos em investimento ao futebol de cada Estado.

“Não vou tirar nada das federações. Até porque não recebemos nada da CBF para investimento. Não adianta nada ficar dando R$ 50 mil para as Federações sem recibo. Se a situação falar que vai investir estes R$ 5 milhões no futebol de cada Estado, retiro minha candidatura na hora. Mas não abro mão disso”, destacou.

0002048152412 imgPrecariedade em Moça Bonita no Rio

Na visão de Novelletto, o fundo seria benéfico, principalmente, para as Federações mais pobres. Para isso, ele citou o próprio exemplo encontrado na Federação Gaúcha, que sobrevive, segundo ele, com um orçamento de “apenas” R$ 2 milhões para investir em futebol.

“Nós repassamos R$ 20 milhões, R$ 30 milhões integralmente para os clubes. O que sobra aqui é praticamente nada. Estes R$ 2 milhões que sobram são para cobrir gastos dos próprios campeonatos. Às vezes não sobra nem para pagar arbitragem. Teoricamente, somos uma Federação rica. Imagine federações menores, como a Maranhense, a do Mato-Grosso?”, questionou.

Credibilidade zero
Recuperar a credibilidade da CBF também é outra meta do grupo de oposição. O imbróglio jurídico envolvendo o rebaixamento da Portuguesa foi um dos exemplos citados por Novelletto como situações que estão manchando o futebol brasileiro.

0002048152414 imgBom Senso é reflexo da falta de credibilidade

“Hoje, a CBF não credibilidade. Toda hora há manchete em revistas ou jornais (com notícia depreciativas). Todos batem (na CBF). É Bom Senso, é imprensa, são os movimentos contra a Copa do Mundo… Neste ano, os protestos vão continuar. E nós (dirigentes) gastando dinheiro na Disney”, ironizou.

Novelletto preferiu não opinar sobre o “Caso Héverton”, meia que foi escalado irregularmente pela Portuguesa e transformou o rebaixamento do Brasileirão 2013 em uma bagunça. O cartola, contudo, não deixou de dar seu palpite. “Não estamos no dia-a-dia, mas acho que vai ter campeonato inchado”, afirmou, reforçando as especulações de que os quatro rebaixados em campo (Fluminense, Vasco, Ponte Preta e Náutico) possam ser mantidos na elite.

Empresário, Francisco Novelletto Neto é presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) e tem 59 anos. Grande conhecedor do ramo fonográfico, ele possui lojas de disco e ações em gravadoras no Rio Grande do Sul. É conhecido no país todo por defender com todas as forças os clubes de sua Federação, a Gaúcha.