Exclusivo: FI entrevista dois ex-ídolos do Paulista

Jundiaí, SP, 02 (AFI) – A conquista da Copa do Brasil de 2005 não sai da cabeça dos torcedores jundiaienses. Mesmo quase dois anos após o título, os personagens que fizeram o enredo da história mais importante dos 98 anos do Paulista, ainda são idolatrados e, porque não, amados em Jundiaí.

O REPÓRTER E COLUNISTA DO FUTEBOL INTERIOR, Marcel Capretz, foi atrás de dois jogadores imortalizados com a camisa do Galo em 2005: o atacante Léo e o goleiro Rafael Bracalli.

Ambos seguiram caminhos bem diferentes na carreira. Enquanto Léo preferiu ficar no Brasil, onde conquistou três importantes títulos com o Internacional no ano passado (Campeonato Gaúcho, Taça Libertadores e Mundial de Clubes) e agora disputa mais uma final de Copa do Brasil, dessa vez com o Figueirense, Rafael Bracalli escolheu a Europa. Foi atuar no Nacional da Ilha da Madeira de Portugal e vive a expectativa de, nesta temporada, ser o titular da equipe.

Entrevista com Rafael Bracali

FUTEBOL INTERIOR – Você já ficou uma temporada no Nacional da Ilha da Madeira de Portugal. Dá para avaliar se atuar por lá foi a melhor escolha para a sua carreira?
RAFAEL
– Foi a melhor escolha, sim. Eu fiz sete partidas como titular e em todas as outras fiquei no banco. Havia no elenco um goleiro que estava há anos aqui e jogou a última Copa do Mundo pela Suíça. Agora que ele saiu, espero ser o titular da equipe.

FI – Chegou-se a especular que você poderia voltar a atuar em algum clube do Brasil. Isso está descartado?
R
– Completamente. Meu pensamento é fazer uma ou duas temporadas como titular do Nacional e depois partir para um grande clube europeu.

FI – Você sempre declarou que é torcedor do Paulista. Mesmo na Europa, você continuou acompanhando as coisas do clube?
R
– Não com a mesma freqüência, pois os jogos não são televisionados. Mas estou sempre ligado pela internet. Falar do Paulista me arrepia. Sou apaixonado por esse clube.

FI – Até por essa paixão pelo clube, ganhar a Copa do Brasil foi diferente?
R
– Foi sim. Ganhar um título importante com algum clube grande é uma coisa. Agora, ganhar por um time que ninguém bota fé, é bem mais gostoso. O São Paulo e o Santos, por exemplo, não ganharam a Copa do Brasil.

FI – Aquele grupo de 2005 do Paulista realmente era diferenciado?
R
– Sem dúvida. Tínhamos uma amizade, um conjunto, um comprometimento com a conquista que jamais vi. E isso no futebol de hoje faz a diferença. Estamos fechados com o Vagner Mancini(treinador) e não tinha time que tiraria o título da gente.

FI – Você revê sempre os seus companheiros daquela conquista?
R
– Não vejo tanto quanto gostaria. Alguns jogadores estão fora do estado de São Paulo e isso dificulta as coisas. Acho que a diretoria do Paulista deveria fazer um almoço ou um jantar para reunir mais os atletas que fizeram parte daquele time.

FI – Você é dão idolatrado no Paulista, que tem torcedor que até pede você como presidente do clube. Isso pode acontecer?
R
– Risos. Difícil. Quero encerrar minha carreira aqui. Agora, ser presidente acho difícil. Não é a minha área.

Entrevista com Léo

FUTEBOL INTERIOR – Quem vê o seu currículo não imagina que com apenas 23 anos você tem tantos títulos conquistados. Você se considera um jogador que tem ‘estrela’?
LÉO
– Considero sim. Sou jovem, mas tenho histórias para contar. Sou abençoado por ter passado por clubes vitoriosos na minha carreira. Tanto com o Paulista quanto com o Inter conquistei títulos de expressão. Espero repetir tudo isso aqui no Figueirense.

FI – Como está a sua adaptação em Florianópolis?
L
– Estou aqui há três meses e só agora estou vivendo um momento bom. Logo que cheguei torci o tornozelo. Depois, tive que operar o nariz, pois sofri uma vitória. Com isso perdi o espaço na equipe titular. Mas agora estou concentrado e confiante na conquista da Copa do Brasil. Depois, no Brasileiro, espero emendar uma seqüência boa na equipe titular.

FI – Você tem contrato com o Inter até o final de 2009, mas pediu para ser emprestado logo depois que viu que não seria utilizado pelo Abel Braga. Ficou alguma mágoa com o clube gaúcho?
L
– Mágoa não. Mas, claro, que eu gostaria de ter sido melhor aproveitado. De repente pode ter sido alguma opção do Abel Braga. Não sei como seria, agora, com o Alexandre Gallo no comando. Tenho contrato com o Inter por mais dois anos e estou emprestado para o Figueirense até o final deste. Quero cumprir tudo, sem causar problemas.

FI – A negociação de empréstimo com o Figueirense foi rápida. O Mário Sérgio (treinador) já declarou que fã do seu futebol…
L
– É verdade. Fico feliz pelo reconhecimento. Ainda mais de uma pessoa que conhece tanto de futebol como o Mário Sérgio. Eu mesmo negociei com o Figueirense e estou muito feliz aqui.

FI – Seus pais ainda moram em Jundiaí. Mesmo não tendo nascido aqui, você tem um carinho especial pela cidade?
L
– Tenho sim. Não só pela cidade, que é maravilhosa, mas também pelo Paulista. Tudo que acontece na minha carreira me faz lembrar a passagem pelo Galo da Japi. Foi aqui que eu fui campeão atuando, tendo um papel decisivo e eu me recuperei para o futebol. Além disso, tínhamos um grupo muito bom, muito unido. Jamais esquecerei minha passagem por aqui.

FI – Você ainda pensa em atuar pelo Paulista?
L
– Em um futuro, sim. Seria um honra muito grande, por exemplo, encerrar a carreira em um clube que gosto tanto como o Paulista. Sempre que posso falo com os jogadores do atual elenco como o Dema e o Victor. Acompanho sempre as notícias e torço demais pelo sucesso da equipe.