EXCLUSIVO! Comercial dá 'Cheque Lepo Lepo' e jogadores levam calote
Volante Marcone revela ao Portal FI que ele e outros quatro jogadores não receberam nem mês de janeiro
O “Cheque Lepo Lepo” voltou a atacar no Estádio Palma Travassos. O volante Marcone confirmou ao Portal FI que ele e outros quatro jogadores sequer receberam os salários referentes ao mês de janeiro.
Ribeirão Preto, SP, 19 (AFI) – À beira do rebaixamento no Campeonato Paulista Chevrolet, a diretoria do Comercial evita falar sobre o assunto. No entanto, o “Cheque Lepo Lepo” voltou a atacar no Estádio Palma Travassos. O volante Marcone confirmou ao Portal FI que ele e outros quatro jogadores sequer receberam os salários referentes ao mês de janeiro.
Veja no tamanho original em Galeria de Fotos“Parte do grupo chegou a receber o mês de janeiro, mas eu e outros quatro jogadores não recebemos nem isso”, revelou o jogador com exclusividade ao Portal FI. “Eles (diretoria do Comercial) alegaram que não teriam condições de nos pagar, porque tínhamos os melhores salários”, completou.
Marcone não chegou a citar o nome dos companheiros que também levaram calote do presidente Nelson Lacerda. Contudo, entre eles estão o zagueiro Reniê, emprestado pelo vitória, e o atacante Cassiano Bodini, ex-Paulista, Botafogo e São Caetano.
De acordo com o jogador, os cinco chegaram a receber um cheque, mas ele estava sem fundo. “Prometeram pagar no dia 15, 17, 21, 28… Mas o cheque bateu e voltou. Estava sem fundo”, afirmou Marcone, referindo-se as promessas de pagamentos feitas em fevereiro e que causaram até ameaça de greve.
Marcone fez críticas à diretoriaForam justamente estes cheques que tornaram o Comercial motivo de piada, no mês passado. Como os cheques cruzados foram dados no dia 28, às vésperas do feriado de carnaval, só seriam sacados, após a Quarta-feira de Cinzas. O feriadão fez a diretoria ganhar tempo e neste período conseguiu evitar greve por pelo menos duas semanas.
Empréstimos e promessas
Sem ver a cor do dinheiro desde que chegou, Marcone revelou que tem emprestado dinheiro de seu empresário, Marcos Mineiro, para se manter em Ribeirão Preto. Natural de Itabuna, na Bahia, o jogador está morando em Ribeirão Preto juntamente com sua esposa que, para agravar a situação, está grávida.
“Não posso falar que a situação está tranquila, porque não está. Minha esposa está grávida, mas graças a Deus meu empresário tem me ajudado. Ele tem me passado dinheiro, para eu pagá-lo quando receber”, afirmou o volante, que está emprestado pelo Bahia até o final do Paulistão.
Onde está o Lacerda?O meio-campista confirmou que os jogadores até pensaram em procurar o sindicato ou então acionar a Justiça Trabalhista. No entanto, sempre acabavam desistindo, após as promessas de pagamento. Além disso, ele confirmou que Nelson Lacerda “sumiu” do clube.
“A gente até tentou, mas a diretoria prometia e a deixava para lá”, disse. “Agora, o Lacerda não aparece para dar satisfação e nem para dar uma força ao elenco neste momento de dificuldade no Paulistão”, completou.
Benazzi e torcida
Se a diretoria foi alvo de muitas críticas, o mesmo não se pode dizer do técnico Vágner Benazzi e da torcida comercialina. O jogador destacou o apoio que o treinador e os torcedores têm dado nesta reta final de Paulistão.
Benazzi está com os jogadores“Desde que chegou, o Benazzi sempre tem nos ajudado. Ele intermediou toda a situação com a diretoria, cobrou os pagamentos publicamente”, lembrou. “A torcida também está de parabéns. Ela tem feito a parte dela apoiando e até correndo atrás de dinheiro”, agradeceu, citando a campanha feita por torcedores nas redes sociais para arrecadar dinheiro para pagar bichos ao elenco.
Grupo fechado
Apesar de admitir que os salários atrasados têm influência direta na campanha do time, Marcone garantiu que todos os jogadores estão focados em salvar o Bafo do rebaixamento. Ele prometeu que todo o grupo jogará a vida na última rodada contra o XV de Piracicaba, no domingo, fora de casa.
“Não dá para falar que não interfere. A gente nunca deixou de trabalhar por causa disso (salários atrasados). Treinamos e jogamos sempre procurando dar o máximo. Mas quando entramos em campo, não há como não pensar na família”, lamentou. “Pode ter certeza que vamos honrar esta camisa até o fim”, prometeu.
Cota do Paulistão virou “Cheque Lepo Lepo”
Onde está o dinheiro?
Uma das principais contestações dos torcedores é sobre onde foram investidos os R$ 2,5 milhões que o Comercial ganhou pela cota de participação no Paulistão. Ao contrário de outros clubes, o Leão não adiantou cota em outras temporadas, portanto, recebeu o valor integral em 2014.
Como o Estadual deste ano será mais curto, com apenas três meses, o dinheiro seria suficiente para sustentar uma folha salarial de superior a R$ 830 mil por mês. Mesmo com uma folha mais modesta, os compromissos não têm sido honrados. “Este valor daria para pagar os três meses de salários do elenco e ainda sobraria um dinheiro”, concluiu.
Após a derrota para o Osasco Audax, por 3 a 0, o Comercial se manteve na zona de rebaixamento, com apenas 11 pontos. Por isso, além de vencer o XV, terá de torcer por uma derrota do Mogi Mirim para a Ponte Preta, em Campinas, ou um tropeço do Linense para o Osasco Audax, na Grande São Paulo.





































































































































