Exclusivo: Colunista FI entrevista jovem técnico do Paulista
Jundiaí, SP, 14 (AFI) – Esse vai ser o primeiro Campeonato Paulista de Marcus Vinícius como treinador. Ele assumiu a equipe no ano passado, ainda na Série B do Brasileiro e não conseguiu evitar o rebaixamento.
De zagueiro do Paulista no primeiro semestre de 2007, ele pendurou as chuteiras, virou auxiliar-técnico e em outubro ocupou definitivamente o cargo de comandante.
Agora em 2008, com tempo para trabalhar e formar o time de acordo com a sua filosofia de trabalho, ele sonha em ver o Galo entre os quatro melhores e promete à torcida muito empenho e trabalho.
Confira a entrevista que o treinador concedeu ao jornalista do FI, MARCEL CAPRETZ, saiba como ele está prevendo o campeonato estadual e quais as reais possibilidades do Paulista na competição.
Marcel Capretz – De acordo com as suas observações, quais equipes saem na frente na briga pelo título paulista?
Marcus Vinícius – Os quatro grandes sempre merecem atenção especial pelo simples fato de serem grandes. O São Paulo manteve a base, trouxe o Adriano; o Palmeiras está com o Luxemburgo e também não se desfez dos jogadores que foram bem no ano passado. O Santos é o atual bicampeão e tenho certeza que o Leão vai fazer um grande trabalho e o Corinthians é o Corinthians; quando você menos espera ele ressurge com a torcida e surpreende.
MC – E o Paulista e os outros times do interior? Você acha que algum pode surpreender?
MV – Acho sim. O interior paulista é muito forte. As equipes se reforçam, montam bons times e sempre tem algum clube aparecendo como surpresa. Espero que seja o Paulista. Temos condições de aparecer entre os quatro melhores; nosso grupo está coeso, os jogadores estão cientes da dificuldades que é o Paulistão e estamos trabalhando para surpreender.
MC – O fato do Galo jundiaiense ter sido rebaixado no ano passado no Campeonato Brasileiro significa que em 2008 a equipe sai atrás das demais?
MV – De maneira nenhuma. O trabalho neste ano começou do zero. Mantivemos uma base, mas a filosofia de trabalho e o espírito do grupo estão completamente renovados. 2007 é passado; o que importa é que neste ano vamos dar a volta por cima.
MC – Nos campeonatos paulista de 2004, 2005 e até em 2007, o Estádio Dr. Jayme Cintra sempre foi temido pelos adversários e uma arma a favor do Galo jundiaiense. Na Série B, porém, isso não aconteceu. Como resgatar essa mística?
MV – O Estádio é uma arma de qualquer equipe desde que ela esteja bem. Não adianta dizer que vamos fazer de Jayme Cintra um caldeirão antes de pensarmos em fazer um forte time. Vivi como jogador do Paulista a força do nosso campo e a pressão que os adversários sentiam. Para reviver isso, vamos ter que ter um grande time.
MC – Dentro desse grande time, qual o esquema que você pretende utilizar?
MV – Não tem esquema definido. Isso varia de acordo com o adversário. Posso jogar no 3-5-2 ou no 4-4-2. Vamos a cada jogo estudar contra quem vamos jogar e aí sim definir a nossa tática.
MC – O fato de você contar com jogadores versáteis como o Réver e o Johnny facilita nessa postura de não ter um esquema definido?
MV – Facilita muito. Posso ter uma escalação em que dentro da partida os jogadores mudem de posição e façam um desenho tático completamente diferente. O Réver é um jogador de qualidade rara no Brasil; ele pode ser tanto zagueiro quanto um volante com uma excelente saída de bola. A mesma coisa se aplica ao Johnny; não temos hoje um volante que atue pelo lado esquerdo. Ele tem habilidade para atuar por esse setor e força para jogar na zaga.
MC – Ricardinho e Rodrigo Fabri são canhotos e tem mais de 30 anos. Eles podem atuar juntos?
MV – Claro que podem. O que não dá é dois cabeças-de-bagre jogando juntos. O Ricardo e o Fabri tem qualidade e para mim é isso que importa.
MC – A saída do Marcelinho e do Gilsinho te preocupam?
MV – Preocupam sim. Mas a diretoria me prometeu que vai repor com jogadores do mesmo nível.
MC – Muito se criticou que no ano passado, principalmente com o técnico Waldemar Lemos, alguns jogadores tinham lugar cativo na equipe. Como será o Paulista do Marcus Vinícius?
MV – Não entro no mérito de qualquer outro treinador. Respeito todos que já passaram pelo Paulista. Posso falar do meu trabalho; aqui vai jogar quem estiver melhor. Ninguém vai jogar pelo que fez no passado e sim pelo que está apresentando hoje. E isso eu deixo claro aos jogadores; sempre falo a verdade a eles. É assim que jogador de futebol gosta de ser tratado.
MC – Você se considera um treinador pronto?
MV – Não. Evolui muito nos últimos meses, aprendi bastante. Mas reconheço que ainda me falta experiência. Só que não vejo isso como algo desanimador, nem inferior. Estou aqui para crescer e vou trabalhar demais.
MC – Sua vida como treinador está sendo diferente da de jogador?
MV – Muito. Aqui no Paulista é legal pois treinador e diretoria decidem tudo em conjunto. São muitas reuniões. Chego pela manhã ao clube e só vou sair à noite. Com isso o meu tempo com a minha família é menor. Mas tudo está valendo a pena. Quero ser um treinador de ponta.
MC – O Vágner Mancini (hoje no Grêmio) ficou três anos no Paulista. A história dele se parece com a sua, já que vocês pararam de jogar e viraram treinador em Jundiaí. Ele sempre declarava que para tirá-lo de Jundiaí só se fosse por algo espetacular. Você pensa da mesma maneira?
MV – Penso da mesma maneira, sim. Não quero usar o Paulista para me promover. Não vou ficar seis meses aqui e depois ir para outro lugar que faça uma proposta um pouco melhor. Não vou trair o clube. Quero fazer história aqui. Não vou sair para um time que tenha a mesma estrutura. Pretendo ficar vários anos em Jundiaí.
MC – A torcida deposita grande expectativa no seu trabalho. Deixe um recado à ela.
MV – O que posso dizer para a torcida é que eu vou trabalhar muito, me dedicar plenamente e estou comprometido com o clube. Quero fazer um trabalho duradouro e levar o Paulista aos mais altos escalões do futebol.





































































































































