Exclusivo: Carlos Alberto Silva relembra título do Guarani
Campinas, SP, 13 (AFI) – Longe dos gramados e cuidando dos negócios da família em Belo Horizonte, Carlos Alberto Silva recebeu o Futebol Interior na capital mineira e falou com exclusividade sobre a maior conquista da história do Guarani, que há exatos 30 anos encantava o país e conquistava a taça de Campeão Brasileiro.
O treinador chegou ao clube no início de 1978, após fazer boa campanha em clubes do interior de Minas Gerais. Carlos Alberto conta que no dia em que assinou contrato com o clube, toda a imprensa aguardava em frente ao Queijo (prédio administrativo do Bugre) a chegada do novo comandante. Pois o treinador chegou, passou anônimo por toda a imprensa, subiu à sala da presidência, firmou contrato e deixou o clube sem ser notado pelos jornalistas.
Incomodados pela demora da chegada do novo treinador, os jornalistas foram questionar a diretoria. Só daí foram informados que o novo técnico já havia chegado, assinado contrato e ido embora, passando incólume pelo batalhão de repórteres.
“Cheguei ao Guarani, passei pelos jornalistas que esperavam pela apresentação do técnico e ninguém notou minha presença. Só depois foram saber que eu havia passado por eles e nem notaram. Fui criticado por isso”, conta, aos risos, o treinador.
“A imprensa meteu o pau em mim. Depois, chamei os jornalistas para um coquetel e pedi uma trégua, que esperassem que eu fizesse o meu trabalho primeiro, para depois criticarem, se fosse o caso. Isso foi encarado como um gesto de humildade e depois minha relação com a imprensa foi excelente”, relembra Carlos Alberto.
Montagem do time campeão
Na época, a situação do clube não era das melhores, tanto que na data da apresentação dos atletas apenas 15 jogadores se apresentaram. O mérito de Carlos Alberto Silva ficou evidente, pois do time titular que levantou a taça, apenas Bozó e Capitão foram contratados para a competição. Os outros nove jogadores já estavam no clube, a maioria vindo da base. Só faltava uma pessoa competente para organizar e escalar a equipe corretamente.
Com olhos marejados, Carlos Alberto lembra com muito carinho da conquista, e não esconde a gratidão que tem pelo clube. “Tudo que tenho devo ao Guarani. Ali foi onde tudo começou e onde pude desenvolver meu trabalho”, afirmou o comandante.
Carreira
Depois que saiu do Brinco de Ouro, o treinador passou por grandes clubes do futebol brasileiro, como São Paulo, Cruzeiro, Santos, Palmeiras e Corinthians, além de dirigir clubes em Portugal e na Arábia Saudita. No auge da carreira, ainda foi técnico da Seleção Brasileira, em 87 e 88.
Um dos maiores ídolos da história bugrina, o treinador ainda retornou ao clube em outras quatro oportunidades: 81, 94, 96 e 2001. Foi semifinalista do Campeonato Brasileiro de 94, perdendo a vaga na final para o Palmeiras, que seria o campeão. A contusão do craque Amoroso impediu que o Bugre chegasse a mais uma decisão nacional.
Em 96 também teve uma boa passagem, chegando até as quartas-de-final do Campeonato Brasileiro, caindo frente ao Goiás. O título acabou ficando com o Grêmio, que eliminou os goianos na semifinal e venceu a Portuguesa na decisão.
Decepção
Porém, em 2001 veio uma das maiores decepções do treinador no comando bugrino. Ele não conseguiu evitar o rebaixamento no Campeonato Paulista, depois de um empate sem gols com a Portuguesa Santista, em Campinas. Mas a estrela do treinador é tão grande que a queda não se consumou, devido a uma mudança no calendário do futebol brasileiro, que criou o Torneio Rio São Paulo no ano seguinte.
Carlos Alberto Silva revela que só voltaria ao futebol se fosse para trabalhar como gerente de futebol. Ele afirma ter se cansado da rotina de viagens e hotéis, que repetiu por mais de 30 anos. O futebol agradeceria se o comandante retornasse aos gramados na função que fosse.





































































































































