Ex-conselheiro de grande clube acusado de injúria racial é absolvido pela Justiça

Ex-conselheiro do Santos, Márcio Antonio dos Santos Rosas foi absolvido no último dia 26 após usar o termo "neguinha" em áudio

Ex-conselheiro do Santos, Márcio Antonio dos Santos Rosas foi absolvido no último dia 26 após usar o termo "neguinha" em áudio

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Santos, SP, 29 (AFI) – O ex-conselheiro do Santos Márcio Antonio dos Santos Rosas foi absolvido na última sexta-feira. Ele foi acusado de injúria racial contra uma ex-funcionária do clube, mas foi considerado inocente. O processo corria desde 2019, quando o conselheiro enviou um áudio no grupo de WhatsApp se referindo a uma funcionária usando o termo “neguinha”.

A promotora Maria Pia Woezl Prandini, do MP, pontuou na denúncia que Rosas injuriou a funcionária “ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, utilizando-se de entonação e palavras depreciativas referentes à sua raça e ao gênero feminino”.

NÃO HOUVE PROVAS

De acordo com a juíza Luciana Castello, o áudio apresenta caráter inadequado, ofensivo e constrangedor com relação ao sexo feminino, mas ela entende que não há como provar que era direcionado à funcionária ouvida no processo.

Foto: Reprodução / Facebook

Foto: Reprodução / Facebook

A decisão ainda diz que não houve injúria racial nas palavras do ex-conselheiro. “hipótese normativa destinada a ofender determinado grupo racial ou étnico, ou seja, o emprego de palavras depreciativas referentes à raça ou cor com a intenção de ofender a honra da vítima.”

A VÍTIMA

No processo, a funcionária alegou que era a única negra no departamento em que ela trabalhava. Ainda citou uma conversa presenciada por Márcio Rosas dias antes de o áudio ser enviado em que falava-se sobre as persianas de janelas de sua sala, na Vila Belmiro. No áudio, o ex-conselheiro usa a palavra “persiana”.

O CONSELHEIRO

Márcio Rosas admitiu ser o autor do áudio, mas nega que tenha sido direcionado à ex-funcionária do clube. Também admitiu o uso do termo “neguinha” e disse que é assim que chama sua esposa.

Diante do depoimento de todas as testemunhas, a juíza Luciana Castello julgou as acusações improcedentes e encerrou o caso. A agora ex-funcionária foi demitida do Santos no fim de 2020.