'Ex-chão de fábrica', Bruno Rangel fala de carreira, sonhos e assédio dos grandes

Portal FI realizou uma entrevista exclusiva com o artilheiro da Chapecoense e do Brasileiro da Série B

Nem de longe ele lembra aquele perfil boleirão, com cortes de cabelos arrojados, corpo repleto de tatuagens, brincos, correntes. Tranquilo, de poucas palavras e de família, este é o atacante Bruno Rangel, 31 anos, da Chapecoense.

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Chapecó, SC, 29 (AFI) – Nem de longe ele lembra aquele perfil boleirão, com cortes de cabelos arrojados, corpo repleto de tatuagens, brincos, correntes. Tranquilo, de poucas palavras e de família, o atacante Bruno Rangel, 31 anos, da Chapecoense, prefere curtir a melhor fase de sua carreira em seu lar, ao lado da esposa e da filha de três anos.

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No entanto, o jogador, natural de Campos dos Goytacazes (RJ), precisou encarar muitos obstáculos, antes de tornar-se um dos principais artilheiros do Brasil, com 21 gols no ano – são 18 gols apenas 16 jogos no Campeonato Brasileiro da Série B, média de 1,13 por jogo. Afinal, no início de sua carreira, o matador chegou a pensar em abandonar a carreira.

“Isso aconteceu na época em que eu jogava pelo Goytacaz-RJ (clube onde estreou como profissional). Era complicado, porque fazíamos contratos de seis meses para disputar a Segunda Divisão e depois ficávamos seis meses parados. Cheguei até a trabalhar por dois meses na Caixa, como auxiliar de serviços gerais”, explicou.

Por ironia do destino, a mesma Caixa – banco estatal que investe mais de R$ 100 milhões no futebol brasileiro – é um dos patrocinadores que banca o elenco da Chape. A empresa é a patrocinadora master do clube, com quem fechou um contrato de R$ 1 milhão anual.

De “chão de fábrica”, Bruno Rangel passou por muitos clubes antes de chegar ao estágio atual. E sempre seguindo uma trajetória de evolução. Após atuar como profissional no Goytacaz de 2002 a 2004, ele defendeu Americano-RJ (2005-2006), Ananindeua-PA (2006-2007), Macaé-RJ (2007), Boavista-RJ (2008), Águia-PA (2009), Paysandu (2010), Guarani (2011), Joinville (2011-2012), Metropolitano-SC (2012) e, agora, a Chapecoense.

Vivendo um novo momento na vida, o atacante espera aproveitar a boa fase para realizar alguns de seus principais sonhos no momento: “Levar a Chapecoense à elite e jogar em um grande clube do Brasil”.

Confira abaixo a entrevista com o artilheiro da Série B:

Portal FI: Como foi sua infância em Campos dos Goytacazes e como foram seus primeiros contatos com a bola?
Bruno Rangel: Eu era um garoto como outro qualquer. Sempre gostei de jogar bola. Nunca fui muito de agitação, sempre fui mais família. Comecei na base do Goytacaz e fiquei lá por muito tempo. Aí, fui para Americano, Ananindeua e minha carreira deslanchou.

FI: Durante esta trajetória, qual foi o momento mais crítico? Pensou em abandonar a carreira em algum momento?
BR: Isso aconteceu na época em que eu jogava pelo Goytacaz-RJ (clube onde estreou como profissional). Era complicado, porque fazíamos contratos de seis meses para disputar a Segunda Divisão e depois ficávamos seis meses parados. Cheguei até a trabalhar por dois meses na Caixa, como auxiliar de serviços gerais.

FI: Neste início complicado, você buscou alguma inspiração? Teve algum expoente em que se espelhou?
BR: Foi o Romário. No futebol, foi minha maior inspiração. Felizmente, mais tarde tive o privilégio de atuar contra ele, quando eu jogava pelo Americano e enfrentamos o Vasco. Mas ele já estava no final da carreira.

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FI: Em 2011, você teve uma passagem apagada pelo Guarani. Por que você não conseguiu ter êxito no clube?
BR: O futebol tem destas coisas. Este foi um ano complicado. Comecei bem e até marquei gol na estreia – fez o terceiro gol na vitória sobre o São Bento, por 3 a 0, na primeira rodada do Paulista da Série A2. Mas depois me machuquei, aí mudou o técnico – saiu Argel Fucks e entrou Vilson Tadei -. Também não me adaptei bem à cidade, começaram a atrasar salários, mesmo após nós termos subido. Mesmo assim, fico feliz por ter vestido a camisa do Guarani, que é um clube grande e de muita tradição.

FI: Mas você ainda tem algo pendente com o clube?
BR: Tenho sim. Entrei na Justiça porque ainda falta receber quase três meses. Quando deixei o clube, já durante a Série B, fiz um acordo para sair. Eles – diretoria do ex-presidente Leonel Martins de Oliveira – prometeram me pagar dois meses e o Fundo de Garantia (Por Tempo de Serviço, o FGTS). Mas fui embora, o tempo passou e ninguém me pagou. Não era o que eu queria, mas precisei acionar a Justiça, porque tenho uma família para sustentar.

FI: Hoje você vive um outro momento na carreira. É arilheiro da Série B, a Chapecoense é uma das principais candidatas ao acesso. Você vive o melhor momento de sua carreira?

BR: Posso dizer que sim. Vivo um momento muito bom mesmo.

FI: Qual o segredo desta grande fase?
BR: É o empenho, o treinamento, o trabalho. Procuro estar sempre me aprimorando, treinando as finalizações. Além disso, tem a cidade, o clube, os jogadores. Aqui eles pagam tudo em dia.

0002048100821 imgRodrigo Grahl é um dos ‘vovôs’ ao lado de Bruno Rangel

FI: Hoje, aos 31 anos, você já pode ser considerado um jogador experiente. Você costuma dar algum tipo de conselho aos mais jovens do elenco? Como é esta relação?
BR: Tenho uma relação muito boa com eles (jovens). Mas nós temos muitos jogadores experientes, como o Rafael (Lima, zagueiro), o Rodrigo (Grahl, atacante)… Eu ainda estou novo (risos). A gente conversa bastante, todos têm um nível bom. Eu é que estou pegando mais experiência aqui (risos).

FI: De onde surgiu o apelido Bruno Rangers?
BR: Para falar a verdade nem eu sei. Isso é coisa do torcedor. Eles são muito fanáticos e ficam colocando apelido na gente. Aí já viu, rola muito no Facebook (rede social). Também ficam cantando quando gritam os nomes dos jogadores.

FI: Pensando no futuro, você ainda tem algum sonho que ainda pretende realizar na carreira?
BR: Tenho o desejo de jogar em um grande clube do Brasil e jogar a primeira divisão.

FI: Mas algum grande clube já chegou a procurá-lo?
BR: Diretamento comigo, não. Mas já conversaram com meu empresário e com o clube (Chapecoense). Quando eles entraram em contato, o clube (Chape) não abriu mão da multas rescisória (cerca de R$ 1 milhão) e o negócio não saiu.
OBS: Três clubes chegaram a demonstrar interesse no artilheiro, entre eles Ponte Preta e Atlético-PR. O alto valor da multa afugentou os interessados, que devem esperar o término do contrato em novembro deste ano.

0002048100823 imgRecorde de Zé Carlos à vista!

FI: A Chapecoense e você têm surpreendido a todos na Série B. O que o torcedor pode esperar neste returno da Série B?
BR: Mais empenho, mais dedicação e, de mim, mais gols (risos). Temos algumas metas a alcançar. Com mais duas vitórias, já devemos eliminar as chances de rebaixamento. Para subir, nossa meta são mais nove vitórias. E tem também o recorde do Zé Carlos que todos falam. Eu quero bater esta meta também. Pela minha média atual, acho que tenho chance.
OBS: Em 2012, Zé Carlos tornou-se o maior artilheiro de uma edição da Série B, ao marcar 27 gols com a camisa do Criciúma.