Ex-CEO do Santa Cruz analisa consolidação das SAFs: "Não é fórmula mágica"
Para Pedro Henriques, ex-CEO de Santa Cruz e Bahia, a SAF é uma alternativa consolidada, mas não representa uma necessidade absoluta.
São Paulo, SP, 1 (AFI) – A aplicação prática das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) no Brasil completa seus primeiros anos e entra agora em uma fase de maior maturidade. O modelo, que prometeu reestruturar clubes e atrair investimentos, passa a ser avaliado pelos resultados obtidos dentro e fora de campo. Para Pedro Henriques, ex-CEO de Santa Cruz e Bahia, o sucesso de uma SAF depende menos da estrutura jurídica e muito mais da qualidade da gestão.
Em entrevista, o executivo afirmou que a SAF é uma alternativa consolidada para clubes que buscam crescimento estruturado, mas não representa uma necessidade absoluta.
“SAF é uma alternativa consolidada e cada vez mais recomendável para quem busca crescimento estruturado, mas não vejo como necessidade absoluta. Há clubes associativos bem geridos que não só sobrevivem, como prosperam. O que esses casos provam é que a virtude não está no modelo jurídico, mas na gestão”, afirmou.
EXEMPLOS DE SUCESSO ASSOCIATIVO
Pedro Henriques citou exemplos como Flamengo, Palmeiras e Mirassol para reforçar que clubes associativos também podem alcançar resultados expressivos quando possuem organização, planejamento e eficiência administrativa.
Para ele, a grande oportunidade da SAF está na possibilidade de estruturar clubes que historicamente enfrentaram dificuldades de gestão, além de permitir uma alavancagem financeira capaz de acelerar processos de crescimento. No entanto, ele faz um alerta: dinheiro, sozinho, não transforma um clube.
“SAFs, especialmente no primeiro momento, não podem ser pensadas apenas sob o aspecto financeiro. É preciso pensar muito bem sobre o projeto proposto e, tão importante quanto isso, quem vai geri-lo”, destacou.
PILARES PARA O SUCESSO
Entre os pilares indispensáveis para o sucesso de uma SAF, o executivo aponta uma equipe técnica qualificada, capacidade real de investimento e um diagnóstico profundo da realidade do clube antes da implementação do projeto.
“Não adianta ter promessas midiáticas e marketeiras de aportes gigantes. É preciso investimento estratégico, que sustente o projeto além do período de transição e respeite prioridades estruturantes, como saneamento de dívidas e infraestrutura”, ressaltou.
SAF NÃO É VARINHA DE CONDÃO
Após acompanhar de perto a evolução do modelo no futebol brasileiro, Pedro Henriques acredita que a principal lição aprendida pelo mercado é que a SAF está longe de ser uma solução automática.
“SAF não é varinha de condão. É uma ferramenta que, se for utilizada sem projeto e sem gente certa para executá-lo, não necessariamente resolverá o problema.”
“A SAF pode ser um catalisador, mas só gera mudanças práticas se agregar elementos novos além de dinheiro. O dinheiro, puro e simples, tende a amplificar o que já existe. Se o projeto tem equipe técnica boa, diagnóstico sério e planejamento estratégico, o dinheiro acelera o crescimento. Se não tem, a SAF pode acabar acentuando problemas, como crescimento de dívida”, explicou.





































































































































