Esquema de desvio na CBF continua com a dupla Marin e Del Nero

Teixeira assinou um acordo antes de renunciar por mais dez anos com a ISE

Nesta sexta, o Estado de S. Paulo fez uma nova denúncia de que o esquema não limitou-se ao período presidido por Ricardo Teixeira. Ele também se estende na gestão da dupla José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.

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Campinas, SP, 16 (AFI) – O jornal Estado de S. Paulo, nesta quinta-feira, uma reportagem sobre desvios de dinheiro de renda dos amistosos realizados pela Seleção Brasileira, entre 2006 e 2012. E nesta sexta, o diário paulista fez uma nova denúncia de que o esquema não limitou-se ao período presidido por Ricardo Teixeira. Ele também se estende na gestão da dupla José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.

0002048096547 imgEsquema continua Marin e Del Nero

De acordo com o Estado, antes de renunciar à presidência da CBF, Teixeira renovou os contratos com a empresa ISE por mais dez anos. O acordo dá o direito da empresa, com sede nas Ilhas Cayman, escolher os adversários dos amistosos da Seleção Brasileira.

O fato intrigante é que o contrato foi assinado por um valor US$ 100 mil (cerca de R$ 234 mil) inferior ao anterior. No entanto, a parcela desviada para contas nos Estados Unidos e em outros países sofreu um aumentou de quase US$ 350 mil (cerca de R$ 820 mil).

Fala, Felipão!
Na quarta-feira, o técnico Luís Felipe Scolari escancarou o assunto polêmico ao revelar que não possui poder para escolher os adversários do Brasil. Logo após a derrota para Suíça, ele foi indagado sobre a qualidade dos próximos adversários brasileiros até a Copa do Mundo de 2014. “Não tenho condições de sugerir nada. Quem monta é a empresa que detém os direitos”, disse.

O lateral-direito Daniel Alves também não escondeu o jogo. O lateral, que curiosamente defende os dois principais envolvidados na história – a Seleção da CBF e o Barcelona de Sandro Rosell -, também contestou as escolhas. “Sinceramente, não sei para quem serve esses amistosos”, disse. “Não sei quem ganha com isso. Só sei que nós (jogadores) perdemos”, completou.

Entenda o esquema
De acordo com a matéria divulgada pelo Estado, nesta quinta, um pré-contrato da época de Ricardo Teixeira mostra que a ISE fechou um acordo para negociar 24 amistosos com a empresa Uptrend Development LLC, com sede em Nova Jersey, nos EUA. Em nome da empresa nos Estados Unidos, a assinatura é de Alexandre R. Feliu, o nome oficial de Sandro Rosell Feliu, atual presidente do Barcelona e ex-representante da Nike na América Latina.

O esquema funcionava da seguinte forma: a partir de cada jogo, eram repassados para a ISE como lucros da partida cerca de US$ 1,6 milhão. Desse total, US$ 1,1 milhão seguia de volta para a CBF como pagamento pelo cachê. Mas o restante – cerca de US$ 500 mil – não era contabilizado para a entidade. Pelo contrato obtido pelo Estado, US$ 450 mil seriam encaminhados para contas nos EUA, em uma empresa de propriedade de Rosell.

0002048096550 imgBrasil chegou até a jogar no Gabão

Cadê o dinheiro?
No total, o contrato aponta que, por 24 jogos, o valor previsto para o pagamento seria de 8,3 milhões de euros (US$ 10,9 milhões) para a empresa nos EUA. Dividido por 24 jogos, esse valor seria de US$ 450 mil.

Do Gabão a Hong Kong, passando pela Estônia ou Zimbábue, a seleção percorreu o mundo cobrando pelo menos US$ 1 milhão por amistoso. O detentor do direito de organizar os jogos é, desde 2006, a ISE, empresa com sede nas Ilhas Cayman.

Mas, segundo pessoas envolvidas com o pagamento desses cachês, nem todo o dinheiro que saía das federações estrangeiras, direitos de imagem ou governos de outros países era enviado ao Brasil. O destino eram contas nos EUA.