São Paulo observa avanço de inquérito sobre ingressos no MorumBis

Polícia mantém apuração sobre suposta venda irregular de camarotes no estádio do São Paulo.

Investigada por venda irregular de camarotes no MorumBis presta depoimento e permanece em silêncio.

Paulistão-2026
Tricolor observa andar das investigações. (Foto: Rubens Chiri/São Paulo)

São Paulo, SP, 24 – Rita de Cássia Adriana Prado, apontada como a intermediária de Mara Casares no suposto esquema da venda irregular de camarotes do MorumBis, estádio do São Paulo, compareceu nesta terça-feira, 24, ao 4º Distrito Policial, na Consolação, para participar de oitiva da Polícia Civil.

Ela citou problemas de saúde e ficou em silêncio durante o período em que permaneceu no local. Ao ir embora, ela chegou sofreu um breve desmaio e precisou ser amparada.

A oitiva estava marcada para acontecer às 10h. Rita de Cássia chegou à delegacia por volta das 10h40, aproximadamente 20 minutos depois de seu advogado, que conversou com o delegado Tiago Fernando Correia e os promotores José Reinaldo Guimarães Carneiro e Tomás Busnardo Ramadan, membros de uma força-tarefa criada pelo Ministério Público de SP, antes de levar a sua cliente, vestida de calça e blusas brancas, para a sala de depoimento.

DEPOIMENTO E SILÊNCIO

Rita de Cássia não apresentou qualquer laudo médico que comprovasse a sua condição médica. A defesa da investigada afirmou aos membros da força-tarefa que irá incluir os documentos nos autos do processo. Eles deixaram o local rapidamente, sem falar com a imprensa.

A polícia não irá realizar novas oitivas com Rita de Cássia e entende ter material suficiente para dar continuidade à investigação independentemente do silêncio de figuras chave no inquérito.

As autoridades já haviam tentado colher o depoimento da investigada em outra ocasião, mas não conseguiu realizar a oitiva por questões de agenda.

INVESTIGAÇÃO EM CURSO

A polícia investiga a possibilidade de Rita Adriana de Cássia ter cometido os crimes de corrupção privada do esporte, associação criminosa e possíveis delitos patrimoniais.

As autoridades acreditam que a investigada faz parte de um esquema estruturado de comercialização ilegal de vendas de ingressos para shows internacionais no MorumBis, cuja comercialização irregular ocorreu pelo menos desde 2023.

Os próximos a serem interrogados pelas autoridades serão Mara Casares, ex-mulher de Júlio Casares – que renunciou à presidência em janeiro- e ex-diretora cultural de eventos, e Douglas Schwartzmann, ex-diretor adjunto das categorias de base do São Paulo.

Ainda não há data marcada para a realização das novas oitivas e novas testemunhas podem ser convocadas. Paralelamente, a força tarefa vai continuar analisando de maneira contínua os documentos do inquérito.

Uma operação realizada pela Polícia Civil, no fim de janeiro , em endereços ligados aos investigados apreendeu R$ 28 mil, um CPU e vasta documentação.

O caso é investigado pelo Departamento de Polícia de Proteção a Cidadania (DPPC) em parceria com o MP-SP.

Outros dois casos que envolvem um suposto esquema de desvio de verba por meio de saques na boca do caixa e cobranças supostamente irregulares a concessionários do clube também são alvo de análise da força-tarefa.

RELEMBRE O CASO

Relembre o caso do camarote do São Paulo

O Estádio do MorumBis conta com diversos camarotes que são usados em jogos e shows.

Um deles é o camarote 3A, espaço que não é comercializado e que fica em frente ao gabinete do presidente. O local é conhecido como “Sala Presidencial”.

Mara Casares e Douglas Schwartzmann estariam envolvidos em um esquema de venda de ingressos do camarote 3A, uma ação não autorizada e que seria feita de forma “clandestina”, como os próprios diretores licenciados afirmam em áudio.

Nesta conversa, Mara e Schwartzmann falam com Rita de Cassia Adriana Padro, conhecida como Adriana, da The Guardians Entretenimento Ltda, que seria intermediária na venda e repasse das entradas desse camarote para terceiros.

Adriana ingressou com um processo contra Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda, acusando-a de ter tirado de suas mãos 60 ingressos para um show da colombiana Shakira.

Esses 60 tickets seriam comercializados por R$ 132 mil. No entanto, Adriana alega que recebeu apenas R$ 100 mil. Carolina diz que pagou o combinado, está sendo vítima de calúnia e teve prejuízos. O processo foi retirado posteriormente.

A ação tornou o caso público. Dada a situação, Mara e Schwartzmann pressionaram Adriana a retirar o processo para que a ação ilícita não se tornasse de conhecimento geral.

A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar o caso. Este é uma das três investigações que envolvem o clube, conduzidas por uma força-tarefa junto do Ministério Público.

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