ESPECIAL TÉCNICOS: Panela velha é que faz comida boa?

Andrade 001 250X200Campinas, SP, 01 (AFI) – Entra ano, sai ano e a dança dos técnicos continua a assombrar o Campeonato Brasileiro, seja na Série A ou na Série B. A divisão principal em 2009, entretanto, contrariou a lógica. A velha fórmula dos grandes clubes de contratar técnicos tarimbados para realizarem boas campanhas foi para água abaixo. O ano foi dos novatos.

Treinadores vitoriosos, experientes e conhecidos da mídia não tiveram muitos motivos para comemorar neste Brasileirão. Nomes como de Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho, Emerson Leão e Carlos Alberto Parreira passaram quase desapercebidos ou então não atingiram as expectativas.

Em contrapartida, Flamengo, São Paulo e Cruzeiro apostaram em comandantes inexperientes, mas acabaram o Brasileirão em paz com seus torcedores. A exceção entre o quarteto da Libertadores fica por conta do Internacional, que foi dirigido por Tite e Mário Sérgio para voltar ao torneio continental.

Ele foi O CARA!
O carro chefe desta nova safra de treinadores (como não poderia deixar de ser) é Andrade. Comparado ao interminável Carlinhos, o ex-volante assumiu o Fla com jeitão de interino, quando Cuca foi demitido. Bastaram algumas rodadas, entretanto, para que a cúpula rubronegra entendesse que a efetivação dele era o melhor caminho.

E foi assim que o time da Gávea chegou à taça. Com um futebol simples, mas eficiente, o Mengo foi a prova de que palavras difíceis como “overlaping” são gregas para os jogadores. O elenco rubronegro entendeu bem a linguagem de boleiro de Andrade e cresceu junto com seu novo treinador. Resultado: título de campeão brasileiro, após 17 anos.

Caminhos diferentes, para um mesmo fim
Ricardo Gomes e Adílson Batista percorreram outros caminhos. O primeiro chegou ao Morumbi sob os olhares de desconfiança da torcida, de alguns dirigentes e (por que não?) até de alguns jogadores. Afinal, Ele chegara para substituir o insubstituível Muricy Ramalho, tricampeão brasileiro, ídolo da torcida e, então, melhor técnico do país.

Soma-se a este elefante nas costas de Ricardo Gomes, a ressaca pela trágica eliminação na Libertadores, e está preparado um prato indigesto. E, no começo, realmente foi difícil, para o ex-xerifão digerir tudo. Ele patinou, mas quando entendeu que o melhor a ser feito era “não fazer nada”, viu o time deslanchar.

Ricardo até tentou mudar o Sampa, mas viu que os resquícios de Muricy ainda pairavam sobre o time. Ele, então, manteve a fórmula de seu antecessor, deu uma injeção de ânimo no elenco com muita conversa e tentou fazer o time tocar mais a bola. O desfecho de tudo isso foi uma reação incrível e o Tricolor, mais uma vez, brigando pelo título.

No Cruzeiro, a persistência foi a palavra chave. Um dos técnicos mais promissores do país, Adílson Batista chegou a balançar, após a perda do título da Libertadores. Com a confiança dos “Perrela”, entretanto, ele foi mantido no cargo e não mudou sua maneira de trabalhar.

Exibindo um futebol bonito – o mesmo do ano passado -, ele conseguiu colocar a Raposa nos eixos. Depois de rondar a zona de rebaixamento, o time celeste subiu como um meteoro no segundo turno, atropelando a todos. Inclusive seu arquirrival Atlético-MG, que ficara toda competição na parte de cima. Coisas do destino? Que nada, isso foi competência.

A revelação
É impossível falar deste campeonato sem dizer na grata revelação entre os treinadores. Mesmo com um time modesto em suas mãos e trabalhando em clube de pouca tradição nacional, Silas fez o Avaí brigar até o fim por uma vaga na Libertadores. Tanto que, dos recém-promovidos, foi o que realizou melhor campanha.

O bom trabalho feito em dois anos em terras catarinenses chamaram a atenção de vários clubes. Sem poder aquisitivos para segurá-lo, o Leão da Ilha viu Silas partir para um curto estágio no Real Madrid e depois acertar com o Grêmio para 2010. Parece que o Tricolor pretende copiar o sucesso de Fla, Sampa e Cruzeiro.

Ex-técnicos em atividade?
Tratados como verdadeiras “grifes” no futebol, os treinadores de renome não tiveram um bom 2009. O exemplo emblemático é Vanderlei Luxemburgo. Praticamente “expulso” do Palmeiras por rusgas com o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo, Luxa buscou asilo na Vila Belmiro, mas encontrou uma bica seca na “terra do amigo Marcelo Teixeira”.

Mais preocupado com eleições no Tocantins e “planejamentos” alheios às quatro linhas, o treinador viu o Peixe sucumbir na competição e, por muito pouco, não brigou contra o rebaixamento. Agora, ele deixou o Santos e foi atacar de “manager” no Galo, de Kalil.

O título de ex-técnico pode até ser um pouco pesado para Muricy, mas o rabugento treinador também teve um 2009 para se esquecer. Após fracasso pela Libertadores no São Paulo, ele chegou com “status” de Deus no Palestra Itália. Quando ele assumiu, porém, os alviverdes viram que de Divino ele não tinha nada.

Como sempre gostou de dizer Muricy, o lema “Aqui é trabalho, meu filho!” não funcionou muito bem na academia. Depois de abrir larga vantagem na ponta, o Verdão teve uma queda vertiginosa e não beliscou nem a Libertadores. Se o fracasso se repetir em 2010, o”Zangado” poderá arrumar as malas.

Outros treinadores famosos acrescentaram muito pouco à competição. Parreira durou apenas algumas poucas rodadas no Fluminense, que foi uma piada em suas mãos. Enquanto isso, Leão brincou de ser técnico no Sport e acabou ferrando seu xará.

Enquanto isso, na Série B…
vadao 0042 180Ao contrário do que aconteceu na elite, na Série B, o sucesso esteve nas mãos técnicos mais experientes, mas que buscam o retorno aos holofotes. Com exceção de Dorival Júnior, que faz parte da nova safra e comandou o campeão Vasco, Guarani, Ceará e Atlético-GO chegaram ao acesso sob a batuta de treinadores que tem reencontrar seus espaços.

O bugrino Vadão é o principal deles. Depois de comandar o Bugre em toda a Série B, ele provou que está maduro e preparado para receber uma nova oportunidade em um clube grande. PC Gusmão e Mauro Fernandes também realizaram bons trabalhos frente ao Vozão e ao Dragão. O segundo, porém, acabou perdendo o “filé mignon” no final para Artur Neto.