ESPECIAL SÉRIE B: Catarinenses dominam, STJD em cena e Ponte Preta fica no quase de novo

Joinville e Ponte Preta lutaram pelo título até a última rodada, na competição marcada por decisões de Tribunais e rebaixamento da Portuguesa

O Campeonato Brasileiro da Série B de 2014 ficará marcado por surpresas, clubes que decepcionaram, mas subiram, rebaixamentos humilhantes

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Campinas, SP, 31 (AFI) – O Campeonato Brasileiro da Série B de 2014 ficará marcado por surpresas, clubes que decepcionaram, mas subiram, rebaixamentos humilhantes, mas também, infelizmente, por decisões extra-campo, nos Tribunais. Se no ano anterior, as chamadas “malas brancas e pretas” tomaram conta do noticiário, nesta temporada o STJD virou o centro das discussões e decisões.

Em 2014, o campeão da Série B deixou a competição com um gostinho de superação. Depois de apostar no ainda novato técnico Hemerson Maria, o Joinville provou que com um elenco bem distribuído em todas as funções, com mesclas de jogadores experientes e apostas e uma regularidade incrível, é possível chegar bater de frente com os grandes e gritar “é campeão” no final.

Diferente da Ponte Preta, outro concorrente direto ao título do campeonato, o Joinville foi regular do início ao fim da Série B. Em 38 rodadas, o time do interior de Santa Catarina esteve entre os quatro melhores por 36 vezes, fato que o credenciou como um dos melhores competidores da divisão em todos os tempos.

Jogadores do Joinville comemoram o acesso na 34ª rodada

Jogadores do Joinville comemoram o acesso na 34ª rodada

O planejamento do JEC, porém, se iniciou muito antes do dia 18 de abril, data da primeira rodada. Depois de ter vacilado na reta final de 2013, o Coelho traçou metas para uma nova temporada e a primeira delas foi realizar um Campeonato Catarinense seguro, mas que servisse apenas de base para a montagem do elenco que disputaria a Série B depois. O técnico Hemerson Maria chegou ainda em dezembro, com a missão de colocar toda a sua experiência que tinha do futebol do Estado no tempo em que foi jogador como lição para os seus comandados.

Junto com Maria, a diretoria apostou na manutenção de jogadores experientes, como o meia Marcelo Costa. Outros jogadores mais velhos, como o atacante Jael e o lateral-esquerdo Wellington Saci chegariam depois.Por outro lado, o clube também apostou em jogadores jovens, mas com potencial, casos do zagueiro Guti e do volante Anselmo, peças que seriam cruciais durante toda a Série B.

Primeiro jogo do Joinville foi marcado por polêmica envolvendo a Portuguesa

Primeiro jogo do Joinville foi marcado por polêmica envolvendo a Portuguesa

A Série B já começou de forma tumultuada para o Joinville. Logo na primeira rodada, diante de sua torcida, um jogo paralisado ainda no primeiro tempo. A Portuguesa, que ainda lutava por uma vaga no Brasileirão na justiça, conseguiu uma liminar que a impedia de disputar a Série B. Aos 15 minutos da primeira etapa, o time até então treinado por Argel Fucks deixou o gramado e foi para o vestiário sem retornar. Em julgamento meses depois, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva( STJD) considerou o ato da Lusa como uma irresponsabilidade e deu a vitória por W.O ao JEC.

A confusão na primeira rodada passou longe do Joinville nas 37 rodadas seguintes. O time catarinense mostrou força para se manter regular do início ao fim e garantiu o acesso já na 34ª, após vencer o Sampaio Corrêa por 2 a 1. O JEC, porém, queria mais e ficou próximo do título no jogo seguinte, quando bateu a Ponte Preta por 3 a 1 e se tornou líder da competição com apenas três rodadas a restar. O grito de campeão, porém, só foi sair na última rodada e com muito sofrimento, afinal ele só veio devido a um tropeço do time de Campinas, empatando com o Náutico por 1 a 1.

PONTE PRETA VICE DE NOVO
Único clube capaz de competir com o Joinville na Série B de 2014, a Ponte Preta iniciou a competição bastante irregular. Ainda com Dado Cavalcanti como técnico, a Macaca empatava demais e não conseguia entrar no G4. Após a chegada de Guto Ferreira, porém, o time ganhou força e depois que entrou na zona do acesso, não saiu mais.

Mesmo com o vice, jogadores da Ponte Preta ficaram felizes com o acesso

Mesmo com o vice, jogadores da Ponte Preta ficaram felizes com o acesso

Nacionalmente conhecida por ser centenária, mas não possuir nenhum título de expressão, a Macaca encarou a Série B como mais uma oportunidade de finalmente acabar com o tabu. Um ano após ter sido vice-campeã da Copa Sul-Americana (o campeão foi o Lanús-ARG), o time de Campinas mais uma vez esteve próximo da principal conquista de sua história. Até a 35ª rodada, a Ponte Preta dependia apenas de si para ser campeã. Uma derrota na Arena Joinville, porém, obrigou o time campineiro a não apenas fazer sua parte, mas também torcer contra o concorrente catarinense.

O mais incrível, porém, foi que o Joinville tropeçou nas três rodadas finais, somando apenas um ponto em nove disputados e mesmo assim, a Ponte Preta não conseguiu mais que o vice-campeonato. Empates com América-RN e Náutico e derrota para o América-MG não permitiu que a Macaca fizesse mais que 69 pontos na Série B. Um a menos que o JEC. O título, mais uma vez, não veio para o time campineiro.

VASCO VOLTA PARA A ELITE, MAS DECEPCIONA
Apontado como favorito ao título com sobras antes do início da competição, o Vasco não chegou nem próximo das expectativas em 2014. Depois de mais uma vez perder o Campeonato Carioca, o time da Colina terminou a Série B na terceira posição, com 63 pontos, sete a menos que o líder Joinville.

Acesso do Vasco veio com protestos de seu torcedor

Acesso do Vasco veio com protestos de seu torcedor

O acesso veio, é verdade, mas foi pouco para o torcedor que esperava um time recheado de bons e caros jogadores, como Guiñazu, Douglas e Kleber Gladiador. Além disso, o Vasco passou a maior vergonha do campeonato ao ser derrotado para o Avaí por 5 a 0 em pleno São Januário na 19ª rodada, goleada que derrubou o técnico Adilson Batista e trouxe Joel Santana e volta ao clube.

O experiente treinador até conseguiu levar o Vasco ao acesso, mas não cumpriu com a promessa de lutar pelas primeiras posições. O torcedor do Vasco vaiou o time no empate por 1 a 1 com o Icasa, no Maracanã, que garantiu matematicamente a volta de um dos maiores campeões do Brasil para a elite.

A SURPRESA AVAIANA
O ano foi ainda melhor para os catarinenses com o acesso do Avaí. O time de Florianópolis garantiu a quarta colocação contando não apenas com o seu elenco recheado de jogadores de estiveram na Série A, como Marquinhos, Eltinho e Eduardo Costa, mas também com a sorte. Na última rodada, ele precisava bater o todo poderoso Vasco e ainda torcer por derrotas ou empates de Boa Esporte e Atlético-GO, combinação que acabou acontecendo e deixando o Leão com 62 pontos, um a mais que o América-MG.

Marquinhos conduziu o Avaí de volta para a Série A

Marquinhos conduziu o Avaí de volta para a Série A

A trajetória do Avaí, entretanto, é bem diferente dos três outros clubes que conseguiram o acesso. O time catarinense iniciou mal a competição, perdendo partidas por ineficiência, não só dos jogadores, mas principalmente da diretoria, que atrasava os salários em todos os meses. Chegando a correr riscos de rebaixamento, o clube trocou de técnico e apostou em Geninho, que conseguiu muito mais com conversa e motivação, do que com tática e treinamento, levar o esquadrão de Santa Catarina de volta para a Série A.

O Avaí chegou na último jogo lutando pela última vaga na elite com outros quatro clubes: os mineiros América e Boa Esporte, além do Ceará e do Atlético-GO também tinham chances matemáticas até o final da última rodada.

OS REBAIXADOS
Portuguesa e Vila Nova nunca mais esquecerão 2014. Para esses dois clubes, o resultado final da Série B só confirmou a pior temporada da história de dois times acostumados a glórias em seus Estados. Depois de um rebaixamento em 2013 decidido no STJD, a Lusa entrou na 2ª Divisão com uma crise financeira instaurada, sem um planejamento adequado e com um elenco repleto de jogadores ainda inexperientes ou que já não tinham dado certo em outros clubes.

Portuguesa passou vergonha e terminou na lanterna

Portuguesa passou vergonha e terminou na lanterna

O resultado foi grotesco. Aliado a salários atrasados, frequente troca de técnicos e diretores e muita luta política e jurídica, a Lusa acabou rebaixada com cinco rodadas de antecedência, após humilhante goleada sofrida para o Oeste, por 3 a 0. Ao final da Série B, o time que chegou a comemorar vice-campeonato brasileiro e campeonato paulista, foi o lanterna, com 25 pontos e um aproveitamento inferior a 22%. A pior campanha da história da Portuguesa.

O Vila Nova não ficou atrás. Vindo de um rebaixamento para a Divisão de Acesso do Campeonato Goiano no primeiro quadrimestre, o time de maior torcida em Goiás entrou na Série B repleto de dívidas trabalhistas, atrasos salariais e um elenco em frangalhos. Lutando rodada a rodada com a Portuguesa contra a lanterna da competição, o Tigre acabou rebaixado na 35ª rodada, ao perder em casa, por 1 a 0, para o Oeste. No final, o time de Goiânia terminou na 19ª posição, com 32 pontos.

Já o Icasa decepcionou o seu torcedor dentro e fora de campo. Rebaixado ao terminar na 18ª posição, com 43 pontos, o time de Juazeiro do Norte também chegou a ser excluído da Série B pelo STJD por ter acionado a Justiça Comum pleiteando um lugar na Série A do campeonato Brasileiro. Ao final, o Tribunal fez tudo “terminar em pizza” e manteve o clube cearense na competição, já com o rebaixamento decidido.

Vila Nova também decepcionou e voltou para a Série C

Vila Nova também decepcionou e voltou para a Série C

Com Portuguesa, Vila Nova e Icasa já rebaixados, a última rodada definiria apenas mais um despromovido para a Série C. Três clubes corriam riscos: Bragantino, América-RN e Oeste. Entre os “concorrentes”, o time de Bragança Paulista era o favorito a cair, afinal era o único que não dependia apenas de si. Precisava vencer o ABC, em Natal e torcer por no máximo um empate do Mecão ou derrota do Rubrão.

Comandado por André Gaspar, o Massa Bruta derrotou o ABC por 2 a 0 e viu o América-RN ser goleado por 4 a 1 pelo Paraná, o que decretou o rebaixamento do clube potiguar para a Série C, na 17ª posição, com 43 pontos, três a menos que o Bragantino, 16º colocado.

A 39ª RODADA
Quando tudo parecia que já estava definido, o Campeonato Brasileiro da Série B ganhou mais uma rodada. Não dentro de campo, mas no STJD. Lembrando da exclusão do Icasa com a competição ainda em andamento, o América-MG aguardou e pressionou um novo julgamento no Pleno torcendo pela exclusão do time cearense, que estava revogada após uma segunda determinação.

América-MG brigou pelo acesso até o fim, mas não deu

América-MG brigou pelo acesso até o fim, mas não deu

Como tinha perdido pontos para o Icasa durante a competição, uma exclusão do time do Ceará faria com que todos os jogos dele fossem cancelados ou considerados W.O para o adversário, permitindo que o Coelho ultrapassasse o Avaí na classificação e ficasse com a quarta vaga para a Série A.

Para alívio do Avaí e evitando qualquer confusão, como já se era esperado, o STJD preferiu “esquecer” o fato do Icasa ter acionado a justiça comum e julgou contra a exclusão do Icasa, entendendo que o prazo para uma alteração de decisão já estava encerrado. O problema é que o julgamento só demorou para acontecer por diversos adiamentos pedido pelo próprio relator do caso no Superior Tribunal. O Avaí está na Série A e o América-MG segue na Série B.